Indiferente aos assassinatos de Bruno e Dom, general Mourão degusta vinhos, joga Padel e passeia em feiras com apoiadores no RS

"Mourão viajou para o extremo-oposto geográfico de onde deveria estar. Nesta excursão eleitoral bancada com dinheiro público e avião da FAB", diz Jeferson Miola

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(Foto: Romerio Cunha/Vice-Presidência)


Por Jeferson Miola, para o 247 

O general vice-presidente Hamilton Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia, órgão responsável por políticas, estratégias e ações do governo federal naquela região.

Apesar desta atribuição legal, no entanto, ele tomou enorme distância do local em que deveria estar, o Vale do Javari, onde Bruno Pereira e Dom Philips foram barbaramente assassinados, em consequência das políticas do governo militar do qual ele é vice-presidente.

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Mourão viajou para o extremo-oposto geográfico de onde deveria estar. O general está no Rio Grande do Sul [RS], mais de 3.479 km longe do local onde, por obrigação legal, ele de fato deveria estar. Desde o final do dia 15/6, véspera do feriadão de Corpus Christi, ele promove atividades da sua campanha eleitoral para o Senado.

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Nesta excursão eleitoral bancada com dinheiro público, avião da FAB e diárias de viagem para ele e auxiliares, Mourão aproveita para visitar feiras agropecuárias, festas religiosas, fazer encontros com correligionários, conceder entrevistas em rádios e TV regionais e dar palestras como uma estrela de eventos festivos.

Imediatamente após se filiar ao Republicanos para concorrer ao Senado, em 16 de março passado, o general visitou o Estado do RS 12 vezes em apenas 20 dias úteis. Sempre, evidentemente, com agendas sociais, festivas, eventos militares, formaturas, aniversários.

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O portal Metropoles realizou levantamento no qual demonstra que as idas do general ao RS dispararam desde que ele anunciou a candidatura ao Senado. Somente de janeiro a junho deste ano, Mourão já visitou mais municípios gaúchos que nos três anos e meio de governo.A imprensa estadual, ao invés de chamar o vice-presidente à responsabilidade diante do descalabro do país neste momento, promove uma cobertura glamourosa e bajuladora das agendas do general no feriadão, como se observa nas legendas das muitas fotografias de eventos registradas em duas reportagens [aqui e aqui] do grupo RBS/Globo:

Como mostram as imagens, um polivalente Mourão degustou vinhos, jogou Padel com a tricampeã brasileira e vice-campeã mundial do esporte, passeou em feiras e parques, fez retratos com correligionários e apoiadores e discursou para platéias amigas.

Sobre os assassinatos de Bruno e Dom, o general comentou: “Enfrentamos, agora, essa questão da morte do indigenista Bruno Pereira e mais do repórter inglês transformada em um caso que parece que o Brasil não tem soberania. […] Vamos analisar isso sem querer colocar a conta em cima do nosso governo, em particular do presidente Bolsonaro”.

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Além da notória ilegalidade da campanha eleitoral antecipada e, além disso, bancada com dinheiro público, esta excursão eleitoral do general Mourão revela o profundo desprezo e indiferença do governo militar com os bárbaros assassinatos do indigenista brasileiro e do jornalista inglês.

É um contraste e tanto com a profunda dor, tristeza, comoção e clamor internacional e do mundo civilizado, que espera respostas oficiais convincentes e esclarecimentos sobre os mandantes e responsáveis por mais esta barbárie.

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