Inquilinos da pátria

Por Valéria Guerra Reiter

O testemunho do invasor? Sim, sempre. A invasão do Pindorama derrogou o lugar de fala de índios e de negros. Quem paga o nosso inquilinato? Quem é o homem e a mulher que vive (por aí) sem saber da sua origem? solto no baile de uma austera mamata sórdida e exploratória

Tudo é cativeiro no Brasil. Há até “jornalistas de cativeiro”, e este trecho eu captei lá do livro do jornalista Leonardo Attuch. Ele narra que no Encontro de Assinantes do feriado de Primeiro de Maio de 2019 (ele ouviu o termo) advindo de uma senhora viúva que discorreu sobre seu marido que foi um jornalista infeliz que durante a carreira, foi obrigado a reproduzir o pensamento das elites.

Quando vemos exemplos como o supracitado, a reflexão se faz nossa companheira, e voltamos de novo ao pretérito: onde nossos ancestrais tupis (por exemplo) somavam um milhão. E estes habitantes do litoral, também possuíam seus inquilinos, e desalojavam outros habitantes oriundos de outras matrizes culturais. Sim, aqui havia conflitos, a lavoura bem estruturada, que dava sossego ao nomadismo, também era objeto de disputa.

O Homem estava conquistando a magia do viver, entendendo que existiam modos de produção, que através da economia, pautaria sua subsistência. Porém, quem aqui desembarcou trouxe o cheiro da corrupção, da subalternidade, e do canibalismo sem honra.

Afinal o inimigo todo-poderoso vindo de além-mar trazia espelhos e armas, ele veio travestido de seda; porém, alguns como Hans Staden, conseguiam se sujar, e chorar copiosamente diante da possibilidade da antropofagia por parte dos tupis; que recusaram devorá-lo por três vezes; afinal, eles não se alimentavam de covardes.

Até mesmo os “índios cavaleiros” ou Guaicurus também sofreram com a lábia belicosa dos invasores que escravizaram e arrendaram seres humanos, de forma bárbara, e o fazem até hoje. Fortes, altos, e vigorosos, os índios Guaicurus foram dizimados durante o arrendamento da "Brazilland"; que durante séculos funciona como um forno de criar “massa de manobra consciente e inconsciente”. 

Hoje, nesta madrugada fria de Serra, aqui na Cidade Imperial, Petrópolis, no Rio de Janeiro, o ano é 2020, o mês é junho, e pagamos caro por ter nascido brasileiros, sempre roubados, assassinados e alugados por um poder central, que criou uma periferia alienada e subjugada.

Índios e negros enfrentam o processo de DESFAZIMENTO no outrora e no agora. E o melhor ou pior disso tudo é que mesmo diante de todos os logros e crueldades impostas desde a colonização até a neocolonização: essa gente, em sua maioria permaneceu humana.

Cinquenta chicotadas para sobreviver, e não fugir nunca mais, ou trezentas chicotadas (realmente) para matar, foi esta a vida do povo africano: trazido para cá a fim de gerar lucro astronômico aos chefes imediatos e mediatos do quintal do mundo.

Anauê! Heil Hitler! São saudações nazifascistas que já embalaram os sonhos de conquista patriótica de pessoas que na verdade possuem uma baixa-autoestima que clama por um líder voraz e audaz que realize todos os sonhos de estes inquilinos frustrados; que não possuem domínio próprio; muito ao contrário, perderam a capacidade de se autorregular dentro da sociedade.

Encerro aqui com as palavras do jornalista Florestan Fernandes a respeito do site Brasil 247 e seu idealizador: “A história do maior e mais importante site de Esquerda da América do Sul é a história do seu criador”. Um jornalista que, aos 48 anos, provou que é possível ter sucesso e construir uma empresa sólida de comunicação fazendo bom jornalismo sem abrir mão dos princípios da cidadania e da defesa do estado democrático de direito". 

“Todo cidadão é um eterno inquilino do governo”

Sidney Wylder.

#LEIABRAZILEVIREBRASIL 

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