Jair Messias demite secretário de Cultura. Cadê a coerência?

Eric Nepomuceno, Jornalista pela Democracia, afirma que a demissão de Roberto Alvim, que fez um vídeo com inspiração nazista, "trata-se de uma evidente, gritante injustiça" por parte de Jair Bolsonaro. "Afinal, temos um presidente que louva a ditadura militar, idolatra Brilhante Ustra e que escolheu a dedo uma das pessoas melhor qualificadas para cumprir uma das missões primordiais do atual governo: destruir"

(Foto: PR | Reprodução)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia - O secretário de Cultura, que no governo de Jair Messias equivale ao posto de ministro, Roberto Rego Pinheiro – aquele que se diz ‘Roberto Alvim’ –, foi demitido sumariamente. O motivo: ter copiado um discurso de Joseph Goebbels, o ideólogo da propaganda de Adolf Hitler.

Trata-se de uma evidente, gritante injustiça. 

Já disse e reiterei que uma das características mais fortes da instável personalidade de Jair Messias é a sua coerência, um dos pilares da sua sanha destruidora. Pois bem: cadê essa coerência, Jair Messias?

Afinal, temos um presidente que louva a ditadura militar, idolatra um dos mais asquerosos torturadores da nossa história contemporânea – o Brilhante Ustra –, e que escolheu a dedo uma das pessoas melhor qualificadas para cumprir uma das missões primordiais do atual governo: destruir, destroçar, tornar terra arrasada todo e qualquer vestígio da cultura e das artes – do pensamento, enfim. 

E por uma questão de estrita justiça, é preciso reconhecer que Roberto Rego Pinheiro, o tal de ‘Alvim’, estava cumprindo a missão com raro brilho.

Basta ver o empenho com que ele escolheu criteriosamente os responsáveis por cada setor da estrutura de governo para a cultura: todos e cada um deles absolutamente preparados para destroçar o que existe. 

Também a favor de Rego Pinheiro deve-se mencionar sua capacidade de justificar a censura como sendo ‘curadoria’, e sua determinação de levar adiante um edital cujo objetivo seria criar ‘um cinema sadio, ligado aos nossos valores e princípios, caminhando para essa ideia de conservadorismo em arte, que é na verdade uma arte que dignifique o ser humano, a condição humana’. E privilegiando, é claro, grandes vultos da nossa história. 

Quais, não disse, nem foi preciso: a coincidência e pensamento dele não se dá apenas com Jair Messias, mas também com Goebbels e, claro, o próprio Hitler.

Ao anunciar que Rego Pinheiro foi catapultado, Jair Messias disse que sua permanência no governo tinha se tornado ‘insustentável’. 

Ora, ora: como assim? De onde ele vai tirar alguém tão capacitado para a árdua missão de destroçar tudo, aniquilar o campo das artes e da cultura? Quem mais seria capaz de descobrir aberrações como as que foram depositadas na Funarte, na Biblioteca Nacional, na Casa de Rui, no Iphan? Quem com semelhante capacidade de tornar insustentável a existência de instituições públicas destinadas a incentivar as artes e a cultura?

Jair Messias prometeu ‘desconstruir’ tudo antes de pensar em construir. Pois como secretário especial de Cultura, Roberto Rego Pinheiro, o tal de ‘Alvim’, deixou claro um talento impar para ‘desconstruir’. 

Em nenhum momento deixou de insistir em reforçar sua intenção de buscar uma cultura enraizada em ‘nossos mitos fundantes: a pátria, a família, a coragem do povo’. Uma cultura, enfim, com uma ‘profunda ligação com Deus’, que serviria de amparo para ‘a criação das nossas políticas públicas’.

Teve ainda a decência de deixar explícita sua vinculação com o nazismo, que como já tinha deixado claro o próprio ministro de Aberrações Exteriores, Ernesto Araújo, foi um movimento de esquerda.

Terá sido por isso – um esquerdismo mal disfarçado – que Rego Pinheiro perdeu a poltrona? 

Não tem jeito: sua defenestração do governo continua mal explicada. Conseguirá Jair Messias encontrar outra aberração tão abjeta, asquerosa e eficiente como ele?    

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