Jair Messias, o histérico que se acha histórico

Jornalista Eric Nepomuceno critica o ataque de Jair Bolsonaro a jornalistas no Palácio do Alvorada, nesta sexta-feira, 20. "O que ele verdadeiramente é? Um primata que revela um desprezo olímpico pela verdade, incapaz de conter os surtos de histeria que o afetam sem pausa, e que agora preside este país abestalhado e inerte"

Clã Bolsonaro: Flávio, Jair, Eduardo e Carlos
Clã Bolsonaro: Flávio, Jair, Eduardo e Carlos (Foto: Reprodução)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

A cena se repete todos os dias úteis e, às vezes, também nos fins de semana: Jair Messias chega na saída do Palácio da Alvorada, desce do carro rodeado de seguranças e se dirige ao cercadinho onde uma vintena de admiradores extasiados, cuidadosamente arrebanhados, está à sua espera.

Poucos momentos tão patéticos podem ser vistos em Brasília, mesmo levando em conta a propensão da cidade quando se trata de bizarrices: um presidente tresloucado que se acha o tal, e um bando de afogados na própria ignorância concordando com ele.

É quando Jair Messias aproveita para falar com os jornalistas que ficam ali, de plantão, na tênue esperança de alguma resposta que faça sentido e seja coerente com a pergunta.

Nessas paradas breves ele revela muito da sua personalidade: semblante crispado, mãos agitadas, um sorriso de gesso e gelo grudado no rosto, olhos arregalados e frases atropeladas, disparadas com uma estranha mescla de ódio e descontrole.  

Raras são as vezes em que seu caráter carregado de ressentimento salta tão luminosamente à superfície como quando se dirige aos jornalistas. É como se ele o tempo todo se sentisse acossado, encurralado, injustiçado.  

Um exemplo concreto sapecado por ele na manhã desta sexta, 20 de dezembro: ‘Quando é boa notícia, a Globo fala ‘governo’, não fala Bolsonaro. Agora, quando é para caluniar e mentir...’.  

Num ponto ele tem razão: a Globo é especialista em mentir e caluniar. Basta recordar o que fez com o falecido governador Leonel Brizola e o que faz com Lula.  

Mas, no seu caso particular, qual a calúnia? Falar da proximidade, ou melhor, das ligações dele e dos filhotes com as milícias? Mencionar aquele que foi seu mais íntimo colaborador, o miliciano Fabricio Queiróz, chefiado por ele há mais de trinta anos?

Aliás, poucas vezes como nesta manhã de dezembro Jair Messias ofereceu ao venerável público um retrato tão nítido do seu descontrole sem remédio, do seu desequilíbrio destrambelhado, da sua mentalidade medonha.

Os mais benevolentes e generosos pedirão que se amenize o ânimo na hora de descrever sua conduta: afinal, um de seus filhotes está torrado feito grão de café, e outro está na fila de espera, na boca do forno.  

Pior: Jair Messias sabe que o esquema erguido por ele, e que o cercou durante décadas, começou a ser desmoronado. E sabe, principalmente, que quando desmoronar de vez, não vai sobrar nem pó da muralha miliciana que ele ergueu ao seu redor.  

Além da maneira agressiva com que se dirige aos jornalistas, além do ressentimento acumulado por ter sido a vida inteira tratado como uma figura desprezível, despreparada, determinadas iniciativas dele fariam a delícia de qualquer estudante de psicologia. Dizer a um jornalista que não vai acusá-lo – a expressão foi essa: ‘acusar você’ – de ser homossexual é uma delas. Outra é a insistência em perguntar a repórteres homens se aceitariam casar com ele.

Enfim, muito mais que de quebra de decoro presidencial, quando se trata de Jair Messias estamos falando é de puro e permanente desequilíbrio. Um desequilíbrio que, na melhor das hipóteses, será meramente emocional, mas que traz sinais claros de poder ser de outro tipo, bem mais grave.

Não há ninguém – a não ser os mais abestalhados de seus seguidores – que possa reivindicar o direito de se declarar surpreso com a espiral de bestialidade que consome o país: afinal, ao longo da vida em momento algum Jair Messias deixou de ser exatamente do jeito que ele é.

E o que ele verdadeiramente é? Um primata que revela um desprezo olímpico pela verdade (atenção: não se trata apenas de mentir, é pior: ele ignora qualquer outra realidade além da que sua mente enfermiça fabrica), incapaz de conter os surtos de histeria que o afetam sem pausa, e que agora preside este país abestalhado e inerte.

Alguém capaz de travar o seguinte diálogo com um repórter:    

– Presidente, o senhor tem o comprovante do empréstimo de 40 mil que fez para o Queiróz?

– Ô rapaz, pergunta pra tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai!

Pois é: o que temos é isso aí, um presidente histérico que se acha histórico.  E que vem cumprindo o que prometeu: destruir o país,  para depois ver o que fazer.

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