João Demagogo Jr.

"Obrigar os secretários municipais a se fantasiarem de garis para limparem, às seis da manhã do primeiro dia de mandato, a Praça 14 Bis é apenas a primeira das muitas medidas demagógicas que o novo prefeito de São Paulo reserva para a população da maior cidade do país", diz o colunista Alex Solnik, que traça um paralelo entre Doria e Jânio Quadros; "Batizava suas campanhas de 'um tostão contra o milhão' e o símbolo era uma vassoura 'para varrer a roubalheira'. Mas, na campanha à prefeitura de São Paulo, em 1985 ele próprio recebia as contribuições de campanha e até se dava ao luxo de rasgar cheques que considerava muito pequenos"

"Obrigar os secretários municipais a se fantasiarem de garis para limparem, às seis da manhã do primeiro dia de mandato, a Praça 14 Bis é apenas a primeira das muitas medidas demagógicas que o novo prefeito de São Paulo reserva para a população da maior cidade do país", diz o colunista Alex Solnik, que traça um paralelo entre Doria e Jânio Quadros; "Batizava suas campanhas de 'um tostão contra o milhão' e o símbolo era uma vassoura 'para varrer a roubalheira'. Mas, na campanha à prefeitura de São Paulo, em 1985 ele próprio recebia as contribuições de campanha e até se dava ao luxo de rasgar cheques que considerava muito pequenos"
"Obrigar os secretários municipais a se fantasiarem de garis para limparem, às seis da manhã do primeiro dia de mandato, a Praça 14 Bis é apenas a primeira das muitas medidas demagógicas que o novo prefeito de São Paulo reserva para a população da maior cidade do país", diz o colunista Alex Solnik, que traça um paralelo entre Doria e Jânio Quadros; "Batizava suas campanhas de 'um tostão contra o milhão' e o símbolo era uma vassoura 'para varrer a roubalheira'. Mas, na campanha à prefeitura de São Paulo, em 1985 ele próprio recebia as contribuições de campanha e até se dava ao luxo de rasgar cheques que considerava muito pequenos" (Foto: Alex Solnik)

Obrigar os secretários municipais a se fantasiarem de garis para limparem, às seis da manhã do primeiro dia de mandato, a Praça 14 Bis é apenas a primeira das muitas medidas demagógicas que o novo prefeito de São Paulo reserva para a população da maior cidade do país. Não passa de demagogia por não ser nem mais nem menos que uma ação "para demonstrar bons sentimentos (humildade, honestidade, bondade etc), com propósitos escusos" que é como os dicionários definem "demagogia".

O que caracteriza o demagogo é, em suma, dizer uma coisa e fazer outra: Jânio Quadros era um convicto defensor da família e até proibiu as misses de usarem maiô (só com saiote) mas, na vida real, se comportava como um conquistador compulsivo, chegando a constranger certas repórteres com seu comportamento libertino. Batizava suas campanhas de "um tostão contra o milhão" e o símbolo era uma vassoura "para varrer a roubalheira". Mas, na campanha à prefeitura de São Paulo, em 1985 ele próprio recebia as contribuições de campanha e até se dava ao luxo de rasgar cheques que considerava muito pequenos. Sua famosa conta na Suíça gerou muitas lendas, inclusive a de que ele morreu sem revelar o número nem à própria filha.

Outro demagogo da mesma estirpe, Paulo Maluf, passou a vida inteira garantindo ser honesto e não ter conta no exterior, tendo sido desmentido recentemente pelos bancos que pagaram multas milionárias à prefeitura de São Paulo por terem movimentado valores do ex-prefeito sem comprovação de origem. Outro demagogo que chegou ao Planalto foi Fernando Collor. O mote da sua campanha era a moralização do país, ele foi convertido no "caçador de marajás", mas em menos de dois anos de governo o país descobriu que o marajá era ele. E, bem, ele continua nas manchetes envolvido em várias situações acusado de vários ilícitos.

São assim os demagogos. Simpáticos, convincentes, boa pinta, engraçados, frasistas, bem articulados, bons oradores, mas nem um pouco comprometidos com a verdade. Mas não só isso. Eles colocam em risco o regime democrático. No livro "A Política",  Aristóteles aponta a demagogia como a corrupção da democracia assim como a tirania é a corrupção da monarquia.

Não por acaso o governo de Jânio desembocou numa ditadura e o de Collor não chegou ao fim.

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