Lava Jato manobra, mas tempo político favorece Lula Livre

Os procuradores da Lava Jato querem impor a Lula um regime semiaberto ou domiciliar, com restrições políticas, uso de tornozeleira e demais restrições legais na tentativa de descaracterizar a sua condição de preso político, mantendo a falsa narrativa sobre as reais motivações da prisão do ex-presidente. É em torno do como sair que vai se concentrar o “xis” da questão, diz o colunista Milton Alves

www.brasil247.com - Adversários de Lula não sabem o que é democracia
Adversários de Lula não sabem o que é democracia (Foto: Ricardo Stuckert)


Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato lançaram mais uma manobra política na sexta-feira (27) quando formularam o pedido de progressão da pena injusta e arbitrária aplicada ao ex-presidente Lula. Chama atenção o fato de que é a primeira vez na existência da Lava Jato que o Ministério Público toma a iniciativa de pedir o cumprimento da progressão de pena.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, de forma acertada, alertou para a manobra: “Lula tem direito à liberdade plena, seu processo foi viciado, fraudado, com foco político, conforme revelações da #VazaJato. O STF deve julgar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e anular o processo soltando Lula imediatamente, sem regime de prisão. Semiaberto é golpe de Deltan Dallagnol”, declarou em uma rede social.

A Lava Jato acumula nos últimos meses uma coleção de derrotas e atravessa um franco processo de erosão política e institucional. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta (26) foi um duro golpe sofrido pelo lavajatismo e seus métodos de atropelo do marco jurídico e constitucional.

Por sua vez, a defesa do ex-presidente reiterou que Lula deve ter sua “liberdade plena restabelecida porque não praticou qualquer crime e foi condenado por meio de um processo ilegítimo e corrompido por flagrantes nulidades”.

O debate jurídico e político sobre a liberdade do ex-presidente Lula se desloca no tempo e no espaço. A Lava Jato perdeu a inicitiva e se isola crescentemente. De forma progressiva e em zigue-zagues, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma as rédeas do processo e timidamente começa a enquadrar a “República de Curitiba”.

Ao mesmo tempo, continuar a pressão política dentro e fora do país é o caminho mais adequado para uma derrota de conjunto e global do “lavajatismo”, uma das colunas de apoio da extrema-direita e de seu desastroso governo.

Os procuradores da Lava Jato querem impor a Lula um regime semiaberto ou domiciliar, com restrições políticas, uso de tornozeleira e demais restrições legais na tentativa de descaracterizar a sua condição de preso político, mantendo a falsa narrativa sobre as reais motivações da prisão do ex-presidente. É em torno do como sair que vai se concentrar o “xis” da questão.

Enquanto isso, é continuar a luta por Lula Livre, com a anulação do julgamento-farsa e a extinção da Operação Lava Jato. Uma luta inseparável da batalha para derrotar o governo Bolsonaro e avançar na conquista das demandas democráticas e sociais da maioria do povo brasileiro.

*Ativista social, militante do PT de Curitiba. Autor do livro ‘A política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT”.

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