León Villarín, o espectro que paira sobre o Brasil

Aos desavisados, León Villarín foi um notório agente da CIA que atuou fortemente nos desdobramentos políticos que levaram à derrubada do governo e ao assassinato do Presidente do Chile, Salvador Allende, em 1972. Formado para atuar como “líder sindical”, Villarín desempenhou papel determinante como a principal liderança dos caminhoneiros chilenos que deflagraram uma greve sem precedentes

Aos desavisados, León Villarín foi um notório agente da CIA que atuou fortemente nos desdobramentos políticos que levaram à derrubada do governo e ao assassinato do Presidente do Chile, Salvador Allende, em 1972. Formado para atuar como “líder sindical”, Villarín desempenhou papel determinante como a principal liderança dos caminhoneiros chilenos que deflagraram uma greve sem precedentes
Aos desavisados, León Villarín foi um notório agente da CIA que atuou fortemente nos desdobramentos políticos que levaram à derrubada do governo e ao assassinato do Presidente do Chile, Salvador Allende, em 1972. Formado para atuar como “líder sindical”, Villarín desempenhou papel determinante como a principal liderança dos caminhoneiros chilenos que deflagraram uma greve sem precedentes (Foto: Maister F. da Silva)
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Aos desavisados, León Villarín foi um notório agente da CIA que atuou fortemente nos desdobramentos políticos que levaram à derrubada do governo e ao assassinato do Presidente do Chile, Salvador Allende, em 1972. Formado para atuar como “líder sindical”, Villarín desempenhou papel determinante como a principal liderança dos caminhoneiros chilenos que deflagraram uma greve sem precedentes. Com o apoio do setor industrial e logístico, da classe média irritada com a agenda progressista de Allende, e o sustentáculo de milhões de dólares dos EUA, os caminhoneiros cruzaram os braços, paralisaram a indústria – com seu consentimento – e causaram o desabastecimento do combustível, de gêneros alimentícios e de itens de primeira necessidade. Foi a pá de cal necessária para os militares darem o golpe.
 
A breve citação histórica serve para ilustrar os próximos capítulos, que estão em aberto, da greve dos caminhoneiros no Brasil. Sabendo que mais de 60% do transporte de cargas do país é feita por caminhões, nada mais justo que a categoria se organize e reivindique o controle dos preços dos combustíveis, hoje regulado conforme os sabores do mercado, diga-se de passagem atendendo indiretamente à reivindicação da mesma categoria que outrora, num passado não muito distante, protestou exigindo a retirada de um governo que controlava os preços dos combustíveis e criou inúmeras linhas de crédito para que muitos desses caminhões hoje possam cruzar as BR’s do país de norte a sul e leste a oeste. O preço que os caminhoneiros pagam hoje, não é privilégio só deles, outras categorias estão pagando na mesma moeda, são os famosos patos amarelos.
 
O cenário enfrentado agora, não é o mesmo do Chile de 1972, tampouco o de 2015. Não vivemos tempos áureos de políticas progressistas, no entanto a categoria caminhoneira, sem uma entidade de classe forte que possa impor aos patrões e aos interesses corporativos da classe média pautas que avancem além do preço do diesel - como direitos trabalhistas, melhoria da malha ferroviária causadora de mortes por acidentes - e, sabedores da força que tem temas de relevo que beneficiem a sociedade como um todo, possam ganhar o respaldo e encontrar acolhimento no seio da sociedade. Sem isso, são centenas/milhares de trabalhadores parados, esperando o patronato ser atendido para voltar ao trabalho 12, 14, 16 horas diárias, com sensação de dever cumprido e a certeza infame de que foram vitoriosos.
 
Leon Villarín foi um títere consciente nas mãos do departamento de estado norte-americano. Aqui os interesses são outros, não há por que os patrocinadores e mandantes da greve exigirem a derrubada de um governo que até então lhes atende fraternalmente. O "X" da questão é que em ano eleitoral, com os ânimos à flor da pele e a sociedade aberta a abraçar as pautas mais conservadoras como está, tudo é perigoso e deve ser observado com muito cuidado.
 
Relembremos como a greve enfrentada na gestão DIlma teve um conteúdo político, planejado para desestabilização do governo. De lá para cá os problemas só pioraram. É importante fazer esse contexto histórico e estar atentos aos próximos capítulos, para que não tenhamos mais nenhum León Villarín caminhando pela nossa América Latina.
 

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