Lídice: só sairemos do túnel escuro da crise pelo voto popular

Na semana que passou, a senadora baiana Lídice da Mata assumiu o posto de líder do PSB no Senado, substituindo o governista Fernando Bezerra Coelho que,  juntamente com seu grupo pernambucano, migrou para o PMDB. Com isso, o PSB espera superar a ambiguidade que o vinha caracterizando desde o golpe de 2016, quando o partido se dividiu na votação do impeachment  e no apoio ao governo de Michel Temer. Nesta entrevista ao 247 ela fala do retorno do PSB às suas origens e da situação insustentável do governo Temer, que a seu ver, só continua de pé por força da própria crise institucional

Na semana que passou, a senadora baiana Lídice da Mata assumiu o posto de líder do PSB no Senado, substituindo o governista Fernando Bezerra Coelho que,  juntamente com seu grupo pernambucano, migrou para o PMDB. Com isso, o PSB espera superar a ambiguidade que o vinha caracterizando desde o golpe de 2016, quando o partido se dividiu na votação do impeachment  e no apoio ao governo de Michel Temer. Nesta entrevista ao 247 ela fala do retorno do PSB às suas origens e da situação insustentável do governo Temer, que a seu ver, só continua de pé por força da própria crise institucional
Na semana que passou, a senadora baiana Lídice da Mata assumiu o posto de líder do PSB no Senado, substituindo o governista Fernando Bezerra Coelho que,  juntamente com seu grupo pernambucano, migrou para o PMDB. Com isso, o PSB espera superar a ambiguidade que o vinha caracterizando desde o golpe de 2016, quando o partido se dividiu na votação do impeachment  e no apoio ao governo de Michel Temer. Nesta entrevista ao 247 ela fala do retorno do PSB às suas origens e da situação insustentável do governo Temer, que a seu ver, só continua de pé por força da própria crise institucional (Foto: Tereza Cruvinel)

Na semana que passou, a senadora baiana Lídice da Mata assumiu o posto de líder do PSB no Senado, substituindo o governista Fernando Bezerra Coelho que,  juntamente com seu grupo pernambucano, migrou para o PMDB.  E com isso, o PSB espera superar a ambiguidade que o vinha caracterizando desde o golpe de 2016, quando o partido se dividiu na votação do impeachment  e no apoio ao governo de Michel Temer. Lídice esteve na vanguarda da resistência parlamentar ao golpe e desde então combateu na oposição. Nesta entrevista ao 247 ela fala do retorno do PSB às suas origens e da situação insustentável do governo Temer, que a seu ver, só continua de pé por força da própria crise institucional. Lídice apresentará em breve sua proposta de emenda constitucional antecipando as eleições gerais de 2018. Confira a entrevista. Confira a entrevista.

247 – A senhora acaba de ser eleita líder do PSB no Senado. Agora, com a saída do senador Fernando Bezerra Coelho e seu filho, que é ministro das Minas e Energia de Temer, o PSB voltar a ser oposição de fato?

Lídice – O PSB está na oposição ao governo Temer. O partido já havia tomado esta decisão, bem como a de não participar deste Governo, mas alguns resolveram participar por conta própria. E então, ficamos naquela situação ambígua, que era a de ter uma posição partidária oficializada, contrária ao atual governo, mas a de ter ao mesmo tempo um líder que adotava outra conduta. Fernando Bezerra Coelho,  em verdade,  atuava até como vice-líder do Governo.   Quando foi cobrado por esta atitude, ele passou a não anunciar o voto decidido pela bancada,  expressando a sua posição pessoal. Na Câmara vivemos situação semelhante, porque a líder Fernanda Cristina também não expressava a posição da maioria da bancada.  Acho que agora isso está resolvido,  vamos ter uma posição unificada nas votações  e vamos fazer uma oposição mais clara e indiscutível ao governo Temer.

247 – E como será esta oposição?

Lídice – Vamos fazer oposição firme e combativa. Podemos atuar em frente com o PT e demais partidos de oposição, mas sem perder nossa independência.   Aqui existe um bloco informal de oposição, do qual participam algumas pessoas do PSB, mas o partido vai  discutir internamente e tomar posição em cada situação, embora sempre conversando as outras forças de oposição.

247 – Como avalia o momento atual do Governo Temer?

Lídice – Agora chegou a um ponto realmente insustentável. As denúncias se avolumaram a tal ponto que só a crise institucional parece explicar que o governo ainda continue de pé.  Não é possível que um governo tão crivado de denúncias, seja contra o presidente ou contra seus ministros, possa continuar se sustentando e arrastando o país para o abismo.  Por muito menos, uma presidente eleita foi afastada do cargo, a pretexto de pedaladas fiscais e formalidades orçamentárias.   E no entanto a Câmara enterrou a primeira denúncia contra Temer, apesar das evidências de corrupção passiva.  Agora veio a segunda, em que ele é acusado de chefiar uma organização criminosa. Será possível que a Câmara vá novamente negar  autorização para que ele seja investigado e processado por tantos e tão graves delitos? Não sei.  Ainda está cedo para fazer previsões, é preciso esperar que a poeira baixe um pouco aqui no Congresso.   Os partidos ainda não definiram suas estratégias.  Muitos vão tirar proveito mas é certo que a base governista hoje apresenta fissuras.

247 – E o PSDB calou-se não é mesmo?

Lídice – Agora calou-se mas  ficará no governo até o fim,  como sócio deste desastre. Vai pagar um preço.

247 – O Senado ficou com um papel secundário na definição do destino de Temer, porque a tarefa de apreciar a denúncia é da Câmara. Mas como é agora a situação do governo no Senado, depois da nova denúncia?

Lídice – O Governo tem uma maioria nominal mas a verdade é que não há mais quem o defenda em alto e bom som no Senado.  A vergonha inibiu seus aliados.  A Casa tem se limitado ao funcionamento ritual e às votações,  e como Câmara Alta,  ausentou-se do debate nacional.

247 – A senhora acha que Temer vai escapar de novo e governar até o final do mandato?

Lídice – Espero que não. Nossa esperança é de que esta segunda denúncia possa ser acolhida mas que, em vez de eleição indireta, possamos  antecipar  a eleição presidencial de 2018.  Está claro que sob Temer a crise irá sempre se aprofundar, e quando mais profunda,  mais difícil será sair dela sem passar pelo crivo das urnas. Eu diria que é impossível chegarmos ao fim deste túnel escuro sem que o povo seja chamado a votar e a colocar  no Planalto um presidente legítimo.  Estou precisando só de mais duas assinaturas para apresentar uma proposta de emenda constitucional  (PEC) determinando a antecipação das eleições gerais previstas para 2018.

247 – E haverá tempo para isso?

Lídice – Claro que há. Se quisermos, podemos aprovar esta PEC muito rapidamente,  mas isso exige um entendimento, um consenso sobre a importância de  sairmos logo desta situação desastrosa que eles criaram o golpe contra a presidente Dilma Rousseff. O meu medo é o de que Temer continue apodrecendo no cargo, com um nível de aprovação cada vez menor,  o país sangrando e ele cada vez menos comprometido com o que querem e pensam os brasileiros.   Ele e seu governo se descolaram da opinião popular.  Em qualquer país do mundo, quando um governo se descola da vontade popular,   são tomadas as providências para  a repactuação com a sociedade, através de eleições. Aqui não.   O governo vai ficando, apesar de crivado de denúncias, apesar da rejeição, e ainda  sustenta o discurso de que deve aproveitar a a impopularidade para implementar  medidas impopulares, de uma agenda que  não passou pelas urnas de 2014.  A toda hora um marqueteiro ou publicitário ligado ao mercado diz ao Temer: “Presidente,  aproveite sua impopularidade e faça mais maldades”.   Isso é diferente do que faz um governo eleito, quando toma medidas mais duras no início do mandato, sabendo que terá tempo para recuperar sua aprovação lá adiante, com os resultados obtidos.  Temer, entretanto, parece ter feito da rejeição popular um objetivo, e parece até ver nisso uma virtude.  

247 – E a eleição, antecipada ou não, como ficará se o ex-presidente Lula for juridicamente impedido de disputá-la? Como a senhora vê isso?

Lídice – Lula é um candidato individualmente muito forte. Então, sua presença no jogo eleitoral fará com que a eleição ocorra de uma determinada maneira. A ausência dele trará um outro quadro.   Acho que neste momento não conseguimos enxergar claramente os cenários eleitorais possíveis.  Primeiro, por conta desta incerteza em relação à candidatura de Lula. E depois, sem ele, para onde irá a disputa?   Para onde migrarão os seus votos?  Para que tipo de candidatura?  Algumas pesquisas já mostraram que estes votos não necessariamente irão para a esquerda.   Eles podem se dividir entre diversas candidaturas. Por isso, precisamos urgentemente é de um projeto político para o país. É este o debate que a esquerda deve travar neste momento, para além das postulações individuais.  

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