Lula ao molho de chuchu

Temos um molusco saboroso, que abraça os seus companheiros e não companheiros com seus múltiplos tentáculos

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(Foto: Divulgação)


A fome está de volta ao Brasil, basta até o mais insensível cristão bolsonarista olhar para os lados, que verá uma legião de desvalidos e famintos nas ruas das cidades desse país. Alguns apresentam apenas o seu corpo esquálido como prova da sua sina, outros exibem cartazes com uma única palavra escrita em letras garrafais, FOME.   

Dia desses, perto da meia noite, escutei um homem aos gritos no quarteirão da minha casa. Inicialmente, pensei que fosse alguém  que tivesse bebido um pouco a mais, o que não é raro por aqui. Moro num bairro onde tem um barzinho a cada cinquenta metros. Boêmio e universitário, abriga bares, universidades, instituto federal, várias escolas e livrarias. 

Como os gritos do homem eram insistentes, tentava escutar, do alto do oitavo andar do meu prédio, o que  ele berrava. Para minha perplexidade e tristeza, era a FOME quem gritava, usando a voz grave e desesperada daquele homem. Ele implorava por uma maçã, uma banana ou qualquer coisa, pelo amor de deus! Antes que a afonia o calasse, uma alma mais próxima entregou-lhe alguma coisa para que o sujeito enganasse a impiedosa vilã, pelo menos momentaneamente. O indivíduo foi calado pela voracidade em que ingeria os alimentos doados.

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Enquanto o país vive essa crise humanitária, asfixiada pela aporofobia escancarada em diversas cidades brasileiras, o senso comum da velha política quer nos empurrar, goela abaixo, uma iguaria que pouco combina ao paladar  e às necessidades brazucas, Lula ao molho de chuchu. 

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O mais lamentável é perceber que alguns, do campo progressista, e mais do que isso, da história da luta dos trabalhadores, se renderam a esse cardápio indigesto e mal elaborado, acreditando que, assim, esvaziaria a terceira via. Creio que nem o Master Chef daria conta de iguaria com ingredientes tão incompatíveis, pelo menos no prato da política brasileira.

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Será que é preciso relembrar a trajetória do político, outrora batizado de “Picolé de Chuchu”, pela sua frieza e falta de sabor? A crise do abastecimento de água em SP foi um marco no seu governo; o embate com estudantes e professores, uma constante; o escândalo da merenda escolar, desbaratado pela polícia civil paulista, levou vários medalhões do seu governo para o epicentro do roubo de comida de estudante pobre e por fim, o caso da desocupação de Pinheirinho, onde a Polícia Militar entrou disparando contra os moradores e  foi considerada a maior da história do Brasil, ganhando repercussão nacional e internacional, além de classificada como um genuíno “massacre”contra os sem-teto.

Em sentido oposto, temos um molusco saboroso, que abraça os seus companheiros e não companheiros com seus múltiplos tentáculos e que, mesmo apesar de não ter feito tudo o que queria ou deveria (teria uma lista grandiosa para citar) saiu da presidência com 87% de aprovação popular  e fez um governo mais próximo ao que chamamos de justiça social, tempero raro nesse país. Assim, pedimos aos oportunistas e amnésicos que não nos empurrem a iguaria indigesta; um belo prato de arroz, feijão e bife, já está de bom tamanho.

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