Lula e Ciro: duas lições

Lula, nos bastidores, seria um ótimo articulista e conselheiro de Ciro Gomes, e conseguiríamos fazer as reformas necessárias, projetos de políticas públicas assistencialistas, geração de empregos e tantas coisas mais que conquistamos durante os governos petistas

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Surpreendeu-me a notícia de possível conciliação entre Ciro e Lula. Sou Lulista e, dadas as falas, acusações e atitudes que Ciro dirigiu contra Lula até recentemente, meu sentimento por ele não poderia ser outro a não ser de repulsa.

Confesso que admiro Ciro por sua inteligência, mas seu coronelismo e atitudes nada condizentes com o partido que está ancorado agora – lembrando de suas camaleônicas passagens partidárias (até mesmo incoerentes): PSDB, PPS, PSB, PROS e PDT – difamando o ideal de luta e unidade brizolista, fazem com que tenhamos dois pés atrás com sua pessoa.

Brizola tem um legado, que está sendo dizimado pela postura arrogante e egocêntrica de Ciro. No entanto, como diz o provérbio, “o inimigo de meu inimigo, é meu amigo”. E é dessa união de forças que precisamos – e quem sabe a esquerda realmente se reestruture e volte a ser verdadeiramente esquerda.

Em minha modesta análise de conjuntura política, acredito que seja o mais correto a unidade dessas duas lideranças – PT e PDT, ou seja, Lula e Ciro. Só assim poderemos barrar de vez o avanço da direita conservadora e extremista (unidade tardia, mas que se faz necessário).

Também acredito que seria o momento do PT sair dos holofotes, mesmo que seja o partido de maior representatividade no campo progressista – mas ainda vítima de fake news, ódio midiático, lawfare e, infelizmente, certa parcela de culpa. Não se pode errar novamente, dando espaço para a ascensão dos ultraconservadores – e a disputa pelo governo de São Paulo é mais um exemplo do erro do PT ao lançar o desconhecido Jilmar Tatto ao invés de apoiar a candidatura de Boulos/Erundina.

Assim, a primeira lição a ser aprendida: o PT precisa deixar o protagonismo partidário. Seria um ato de humildade e de real comprometimento com o povo. Em meu ideal – utópico talvez! – Lula e Ciro poderiam manter essa unidade, o PT aceitaria ser vice, e Ciro o candidato do PDT. E uma vez eleito – assim seja! – colocaria em seus ministérios pessoas igualmente comprometidas com a causa progressista, como Ivan Valente, Boulos, Dilma, Haddad, Benedita da Silva, Jandira Feghali, Jacques Wagner, Lindbergh Farias, Maria do Rosário, Eduardo Suplicy, já pensando nas sucessões.

Lição número dois: Lula, nos bastidores, seria um ótimo articulista e conselheiro de Ciro Gomes, e conseguiríamos fazer as reformas necessárias, projetos de políticas públicas assistencialistas, geração de empregos e tantas coisas mais que conquistamos durante os governos petistas. Basta Ciro aceitar isso, deixando de lado sua prepotência e vestir a camisa verdadeiramente da esquerda.

Uma frente ampla contra Bolsonaro é a única alternativa. A volta da inflação, desemprego e fome estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros e brasileiras. Se a esquerda não mantiver essa unidade, continuar a bater cabeça por arrogância e egocentrismo, teremos um retrocesso ainda maior em nosso país e, ainda que voltemos ao poder algum dia devido a uma possível “revolta/cansaço” da população – tal como foi com as políticas neoliberais de FHC – o estrago estará gigante, e o trabalho muito mais difícil.

Mais do que união, a esquerda precisa sim rever seus erros e entender que o ideal está acima de qualquer partido!

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