Lula nunca teve tanto poder

O colunista Alex Solnik escreve sobre a relação dele com Lula: "Conheço Lula há muito tempo, desde os anos 80, eu como repórter e ele como personagem de reportagens e entrevistas"; e o momento atual, com o ex-presidente aprisionado: "Não sei se isso é bom ou ruim, mas Lula – embora preso - nunca teve tanto poder"

Lula nunca teve tanto poder
Lula nunca teve tanto poder (Foto: Jornalistas Livres)

 Conheço Lula há muito tempo, desde os anos 80, eu como repórter e ele como personagem de reportagens e entrevistas, mas nunca tivemos uma relação próxima nem convivi com ele para conhece-lo profundamente.

   Sempre que o encontrava nos abraçávamos fraternalmente, trocávamos palavras de carinho, ele demonstrando saudade de mim e eu dele. Porque eram encontros de anos em anos.

   Ele sempre foi um ótimo entrevistado. O que falava sempre dava manchete. Admiro a sua trajetória, a sua coragem, a sua coerência. Nunca o encontrei nos oito anos em que foi presidente. Nunca o entrevistei nesse período.

   Ele é um admirável animal político como há poucos no Brasil. Autodidata e inteligentíssimo. Fez grandes coisas, melhorou a vida de muita gente, olhou os que estão por baixo de forma como nenhum outro presidente tinha visto antes.

   Colocou o Brasil no mapa do mundo. As suas qualidades humanas são inequívocas. É o maior orador do Brasil etc etc tanto é que é o mais imitado pelos profissionais da imitação.

   Tudo isso é verdade. Ele é um grande homem. Um imenso ser humano. Ele é tão admirável e tão admirado que pode para muitos passar por infalível. Mas não é. Todo ser humano acerta muito e falha muito.

   Digo tudo isso enquanto aumenta o nervosismo em torno da campanha presidencial. No PT e fora dele. Na esquerda e na direita. Tudo gira em torno de Lula. Nada acontece sem o seu aval. Seria a coisa mais normal do mundo se ele estivesse na rua, mas está preso. E mesmo assim dá as ordens no terreiro.

   A sala especial em que o trancaram na Polícia Federal é o seu QG de campanha. Isolado num espaço exíguo e sem horizontes, e com o todo o tempo do mundo disponível, ele se transformou no factótum: ele é o candidato, ele é o marqueteiro, ele é o coordenador, ele é o advogado, ele é o articulador, ele é o animador, tudo começa e termina nele.

   Devido à situação em que se encontra (dá pena ver o outro preso) os interlocutores que recebe dificilmente conseguem discordar, saem dali com as decisões e tarefas determinadas por ele.

   A sua decisão de manter o suspense à la Hitchcock sobre o seu destino eleitoral paralisa toda a campanha.

   Não sei se isso é bom ou ruim, mas Lula – embora preso - nunca teve tanto poder.

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