Luta eleitoral e luta pela legalidade contra o golpe que não será “suave”

"Diferentemente do golpe 'suave' de 2016, o que possivelmente nos aguarda é um golpe 'duro', daquele tipo que imaginávamos não mais termos que enfrentar"

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(Foto: REUTERS/Rodolfo Buhrer | Evandro Teixeira)


Há uma unanimidade rondando as análises sobre a atual conjuntura política brasileira e, ao contrário do que afirmava Nelson Rodrigues, ela não é burra. Tudo leva a crer que, se vierem a acontecer de fato, as eleições de outubro de 2022 não terão seus resultados reconhecidos pela Presidência da República e pelas Forças Armadas, com a consequente abertura de uma crise institucional típica das décadas de 1950 e 1960.

E se as Forças Armadas estão metidas diretamente na trama golpista autoproclamando-se inconstitucionalmente fiscais da lisura do processo eleitoral, no lugar legal e legítimo que cabe ao Tribunal Superior Eleitoral, não há mais razões para nutrirmos a esperança de que bastará derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo nas urnas eletrônicas para reconstruirmos a democracia e os direitos sociais no país.

Diferentemente do golpe “suave” de 2016, o que possivelmente nos aguarda é um golpe “duro”, daquele tipo que imaginávamos não mais termos que enfrentar desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Arranhado o lawfare com a derrota da operação lava-jato, e tornada inviável a reeleição de Bolsonaro devido ao seu elevadíssimo nível de rejeição, só resta à extrema direita e aos ultraneoliberais o apelo à intervenção armada.

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No caso de um tal roteiro ser colocado em ação, as possibilidades de acontecer no Brasil algo semelhante ao que ocorreu no Chile em 1973 não são pequenas, pois a existência de uma sociedade civil significativamente mais orgânica do que aquela estrutura gelatinosa de 1964 trará a exigência – para a sua contenção - da implementação de níveis de violência política extrema, tipicamente fascistas.

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Diante de um tal cenário, a eleição de Lula será apenas uma das tarefas necessárias à salvação da democracia brasileira, pois, concomitantemente, terá que ser erguida uma barreira de proteção institucional em torno do STF e do TSE (isolando-os das interferências das FFAA, com o apoio dos segmentos oposicionistas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal) e uma gigantesca mobilização de massa que seja capaz de, ininterruptamente, fazer a passagem do momento de luta eleitoral para o momento de luta pela defesa da legalidade, sem sair das praças e ruas.

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Uma dupla luta contra um golpe que não será “suave”.

 

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