Maia, Temer e o PT: como fica a “união da democracia com a liberdade”?

"Se não quiser uma derrota com desonra, o PT precisa lançar imediatamente uma candidatura para valer à presidência da Câmara", defende Walter Pomar

www.brasil247.com - Maia volta a atacar Temer: "governo fraco"
Maia volta a atacar Temer: "governo fraco" (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


Recomendo a leitura do manifesto assinado por 11 partidos, consolidando o “bloco do Maia”, segundo a honesta definição do deputado Guimarães (PT-CE).

Lá está dito ser “inegável a projeção que a Câmara dos Deputados ganhou nos últimos dois anos”. 

Por qual motivo? 

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Segundo o manifesto, a razão principal disso é que a Câmara teria se tornado a “fortaleza da liberdade: exemplo de respeito e empatia com milhões de cidadãos brasileiros”.

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Que Maia pense isto, eu entendo. Afinal, para quem é do DEM e veio do PFL, os termos “liberdade” e “democracia” brotam de Adam Smith e de Milton Friedman.

Mas que o PT dê seu/nosso aval para esta mentira, é um desrespeito com a memória da própria bancada petista, que tantas batalhas travou e tantas perdeu diante da aliança entre Maia, o Centrão e Bolsonaro.

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Segundo o manifesto, enquanto “alguns buscam corroer e fechar nossas instituições, nós aqui lutamos para valorizá-las. Enquanto  uns cultivam o sonho torpe do autoritarismo, nós fazemos a vigília da liberdade”.

Estas linhas são de uma hipocrisia, de um cinismo sem igual. 

Dos 11 partidos signatários, vários que articularam o golpe contra Dilma, aplaudiram a prisão de Lula, apoiaram Bolsonaro no segundo turno. 

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Se realmente acreditasse em uma palavra disto, o senhor Rodrigo Maia teria dado andamento a pelo menos um dos pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

O manifesto admite que seus signatários tem muitas diferenças entre si. 

Mas pelo visto essas diferenças não incluem a avaliação acima expressa, que é um engodo, uma mistificação, uma embromação, um passar de pano no golpismo & lavajatismo do DEM e companhia limitada.

Ainda segundo o manifesto do bloco do Maia, a eleição é uma disputa entre “ser livre ou ser subserviente; ser fiel à democracia ou ser aliado do autoritarismo; ser parceiro da ciência ou ser conivente com o negacionismo; ser fiel aos fatos ou ser devoto de fake news”.

Pergunto: quantos parlamentares atuais e quantas candidaturas em 2020 do DEM, do PSL, do MDB e do PSDB são merecedores deste tipo de elogio? 

Pergunto ainda: a bancada do PT, que assinou este documento, realmente acredita nisto? 

E se não acredita, porque aceita por sua/nossa assinatura num documento cheio de mentiras?

O manifesto dos 11 partidos termina citando o nojo de Ulysses Guimarães contra as ditaduras e proclamando a “União da Democracia com a Liberdade”. 

O militante petista que lesse isto e tivesse a oportunidade de ouvir o que foi dito nas reuniões da direção do PT e nas reuniões da bancada, ficaria provavelmente sem entender nada. 

Pois nessas reuniões, acho que foi unânime a opinião de que ambos os lados em disputa (Maia e Bolsonaro) são de direita na política e liberais na economia. E se é assim, por qual motivo assinar um manifesto cheio de mentiras elogiosas?

Se o objetivo real é derrotar Bolsonaro, nenhuma dessas mentiras é necessária. 

Aliás, para os que gostam de lembrar o que dizia Churchill sobre alianças com inimigos, cito a tradução livre: “Se Hitler invadisse o Inferno, eu faria uma referência favorável ao diabo na Câmara dos Comuns”. 

Não sei qual referência favorável Churchill inventaria, mas notem que ele chamou o diabo de diabo. Não chamou o diabo de santo. O que a bancada do PT fez, ao assinar um manifesto que apresenta golpistas, lavajatistas e neoliberais como partidos e parlamentares comprometidos com “defender e aprofundar a nossa democracia, preservando nosso compromisso com o desenvolvimento do país”.

Mas como não há maquiagem que resolva certas coisas, a visita de Maia a Temer deixou as coisas claras. O bloco de Maia é um bloco com golpistas, tal e qual apoiar Anastasia no Senado.

Se não quiser uma derrota com desonra, o PT precisa lançar imediatamente uma candidatura para valer à presidência da Câmara.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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