Marco Auréllio Garcia, ave rara que voou

Marco Aurélio Garcia era de uma espécie em extinção. A dos intelectuais que combinam conhecimento e praxis. Historiador, com sólida formação marxista, era um militante. Poderia ter sido chanceler mas como militante entendeu que Lula precisava colocar no Itamaraty um nome da carreira. Foi Celso Amorim, o mais longevo e um dos mais bem sucedidos ocupantes do cargo. Mas a política externa de Lula era tocada a quatro mãos, e apesar das intrigas, os dois nunca se estranharam. Pelo contrário, tocaram sempre afinadamente. Na retaguarda, Garcia desempenhou missões precursoras importantes, valendo-se de sua vasta rede de relações políticas na América Latina e no mundo. Nunca se incomodou com o segundo plano. Para ele, importavam os resultados. Da mesma forma, no PT. Assumiu a presidência num momento dificílimo, no estrépito da crise de 2004. Não se movia por cargos e holofotes. Era um homem do pensar e do fazer, um farol que fará muita falta ao PT, ao Brasil, aos que acreditam na possibilidade de melhorar este mundo com o conhecimento e a ação política.

Quando repórter e colunista, era um interlocutor que eu prezava, nunca se negava a me atender, a contar o que podia, a refletir em voz em alta para que tirasse minhas conclusões. Quando fui presidente da EBC, foi um aliado, um ponto de apoio. Não falei com ele nos últimos tempos mas com certeza partiu triste com tudo o que se passa no Brasil. Ave rara, Marco Aurélio voou e deixou muita saudade.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Jandira Feghali

O massacre como política

Quem deterá o governador Witzel? Com certeza não será sua humanidade, já que comprovou não lhe restar nenhuma. É preciso transformar nossa indignação em protestos e ações institucionais e políticas...

Ao vivo na TV 247 Youtube 247