Mesmo sem bola de cristal, palpites sobre o dia 7

"Bolsonaro sairá do 7 de setembro ainda menor e mais inviável como governante do que hoje", projeta Bepe Damasco

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(Foto: Reprodução)


Antes de entrar no mérito deste artigo, dou a minha opinião sobre a presença da oposição de esquerda nas manifestações de 7 de setembro: sou favorável, mas com todos os cuidados preventivos possíveis, que incluem horários diferentes e pontos distantes geograficamente dos atos dos fascistas, além, é claro, de se evitar todo e qualquer tipo de provocação.

Isto posto, vamos a alguns pitacos sobre o 7 de setembro, especialmente focados na propalada intentona golpista que se anuncia. Correndo, evidentemente, o risco do erro, que faz parte da vida, vamos a eles:

1) Bolsonaro colocará muita gente nas ruas, notadamente em São Paulo e Brasília. A ampla convocação radicalizada nas redes sociais bolsonaristas e o fato inequívoco de as mobilizações antidemocráticas terem sido alçadas ao topo da agenda política e das preocupações nacionais em muito contribuíram para sua disseminação. Cabe lembrar que, embora francamente minoritário na sociedade, contando com algo em torno de 25% de seguidores, o contingente de seguidores cegos de Bolsonaro é mais do que suficiente para garantir sucesso de público aos protestos.

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2) Bolsonaro está longe de ter força e respaldo político para perpetrar um golpe no dia 7. Não que ele não pretenda. Mas, isolado como nunca e colecionando fracassos retumbantes em seu governo, o capitão nazista não tem o apoio de segmentos da sociedade que foram decisivos para o golpe clássico de 1964 e a ruptura democrática de novo estilo de 2016. Os veículos de comunicação não apoiam a intenção totalitária de Bolsonaro, nem a forças do capital, nem o Judiciário, nem a Igreja Católica, tampouco a maioria esmagadora do meio político e da sociedade civil. E as Forças Armadas, onde Bolsonaro desfruta de forte apoio, estaria mesmo disposta a embarcar nessa aventura inconsequente? Tenho minhas dúvidas. Também no mundo globalizado em que vivemos não há o menor ambiente para a implantação de uma ditadura em um país do tamanho e da importância do Brasil.

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3) Contudo, procede a preocupação quanto à integridade da sede dos poderes, em Brasília. Em que pese o cenário mais provável seja o cerco puro e simples às sedes do STF, principalmente, e do Congresso Nacional, com a exibição de faixas, cartazes e palavras de ordem raivosas pela quebra da ordem constitucional, não se pode descartar a possibilidade de tentativa de invasão por parte de integrantes das hordas de descerebrados que lá comparecerão.

4) Também faz sentido a apreensão quanto à segurança e a vulnerabilidade dos prédios públicos devido ao envolvimento das PMs nas mobilizações, como base de apoio ao golpe. Depois que o governador Dória afastou um comandante em São Paulo e vários outros governadores deram declarações enquadrando suas PMs, penso que esse perigo já foi maior. Agora, a tendência é que a adesão das polícias ao golpismo se limite ao comparecimento de praças e oficiais fora de serviço. O mesmo imagino deva ser o procedimento dos membros das Forças Armadas.

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5) Mas isso não elimina a ameaça de algum nível de baderna. Não satisfeitos em participar de protestos contra o sistema democrático, o que de per si é crime, arruaceiros a serviço do caos que interessa a Bolsonaro podem recorrer a ações de terror, tais como incendiar ônibus e outros equipamentos públicos, agredir pessoas ou coisa pior. Cabe aos democratas denunciar e cobrar a atuação das forças de segurança, pagas pela sociedade para protegê-la.

6) Com as pessoas fazendo fila para recolher restos de ossos para comer, já que o arroz, o feijão, a carne e o gás de cozinha atingiram preços inacessíveis, o desemprego batendo recordes sucessivos, os biomas do país ardendo em chamas, um apagão de energia elétrica à vista, 570 mil mortos pelo coronavírus e uma CPI que a cada dia desnuda mais a picaretagem das vacinas no Ministério da Saúde, resta a um governante sem escrúpulos e sem compromisso democrático como Bolsonaro apelar para a confusão, pois ninguém mais do que ele sabe que a eleição do próximo ano está perdida.

7) Neste sentido, o dia 7 de setembro para Bolsonaro tem o nítido propósito de fazer a tese do golpe, ou da intervenção militar, ou da decretação do estado de sítio com a suspensão de algumas ou de  muitas garantias constitucionais, ande algumas casas. E, de quebra, manter acessa a chama da militância antidemocrática entre os idiotas fanáticos que o apoiam.

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8) O grande temor de Bolsonaro hoje é o da cadeia para ele e seus filhos. Aí se mete em um beco sem saída. Se esticar a corda demais, pode perder o mandato. Se recuar, seus seguidores o abandonam. Mas o cerco se fecha. Hoje leio que até a Fiesp, bastião do conservadorismo reacionário e endinheirado, divulgará um manifesto em defesa da democracia.

9) Como apontou o professor Gilberto Maringoni  em um artigo publicado no seu perfil do facebook,  Bolsonaro é mau militar e, portanto, ruim de estratégia. Ele pode estar metendo os pés pelas mãos ao dobrar a aposta no confronto com o regime democrático. E quando reconhece que seu futuro é “a cadeia, a morte ou a vitória”, quem sabe não esteja buscando uma anistia para não pagar por seus crimes, o que, na certa, não obterá.

10) Bolsonaro sairá do 7 de setembro ainda menor e mais inviável como governante do que hoje.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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