Mídia em estado psicótico

A disputa de narrativa em torno a agressão à Venezuela, neste final de semana, trouxe definitivamente para dentro do caldeirão o papel da comunicação, não mais apenas do ponto de vista nacional

Mídia em estado psicótico
Mídia em estado psicótico (Foto: Carlos García - Reuters)

O título do artigo do jornalista Clóvis Rossi, publicado no jornal Folha de S. Paulo desse domingo, 24 – “Venezuela em estado insurrecional” – pode ser tomado como a medida do estado psicótico de boa parte da mídia brasileira. O artigo é tão perfeito em atender às necessidades da propaganda dos EUA que poderia ter sido escrito por algum escriba do Pentágono e, quem sabe, assinado pela dupla Bolton-Ernesto. Mas não se irrite o prezado articulista porque ele, infelizmente, não está sozinho nessa incontrolável vontade de construir uma narrativa ficcional e, portanto, mentirosa.

No caso da Venezuela, repetem exatamente o mesmo comportamento que tiveram na cobertura da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. Se antes havia “armas químicas”, agora existe um ditador “sanguinário” que precisa ser derrubado para o bem da humanidade – ou seja, para garantir o abastecimento de petróleo dos Estados Unidos. Nada justifica a ignorância que evidenciam sobre os fatos, a não ser a deliberada decisão editorial de mentir, de distorcer fatos, de encobrir a realidade.

Como é possível, editores de economia de grandes jornais falarem sobre a situação econômica da Venezuela, como se fosse “culpa do Maduro”, ignorando o fato de que existe um bloqueio econômico? Como é possível desconhecer o fato de que a Venezuela detém a maior reserva provada de petróleo do mundo, e que esse é o verdadeiro motivo da agressão? Como aceitam o papel servil, capacho, vergonhoso da diplomacia brasileira, e a covardia e irresponsabilidade do Exército no fiasco deste sábado?

Assim como as Forças Armadas, o STF, a PF, a mídia brasileira parece ter sucumbido e se submetido ao ataque neocolonial do imperialismo norte-americano. O que fazem, se algum dia foi, não é mais jornalismo, mas sim denuncismo, propaganda ideológica, fake news contra o alvo de plantão, se contrariar os interesses de seus patrões. A estupidez do bolsonarismo era esperada, mas causa espanto que a mídia – e as FFAA – se prestem a fazer de forma tão desavergonhada o trabalho sujo do trumpismo contra a Venezuela.

A disputa de narrativa em torno a agressão à Venezuela, neste final de semana, trouxe definitivamente para dentro do caldeirão o papel da comunicação, não mais apenas do ponto de vista nacional. Os EUA sabem que não tem chances internamente na Venezuela, que se mantém unida em defesa da Pátria, por isso lançam mão da guerra híbrida midiática externa para pressionar desde fora. Isso impõe, mais do que nunca, a resistência internacional organizada no terreno da comunicação, que poderia passar por uma mídia dos BRICS, alternativa e com alcance mundial.

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