Militarismo para que te quero?

Entre as colocações do representante maior do Gabinete de Segurança Institucional, está à impossibilidade de falar sobre indígenas que vivem em terras não demarcadas. Uma representante do APIB teve seu microfone cortado durante a reunião. Ângela Kaxuyana, que representa a ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL. Militarismo para que te quero?

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Eu tive ume experiência militarista em minha trajetória acadêmica junto às Ciências Biológicas, e ela me levou a desistir de me enquadrar a este MEIO. Quando me recusei a almoçar em um Restaurante de Oficiais do Exército...

A história do fato começa com meu ingresso para estagiar em um órgão MILITAR no Rio de Janeiro; passei na prova e “paguei o preço”. Tudo ia muito bem até a realização da Reunião de boas-vindas; todos os estagiários advindos do Concurso receberam as primeiras instruções/comando através da palestra/aula realizada no Auditório do conceituado Laboratório; e lá se deliearam as ordens repressivas.

O nome do expositor/coronel é mui conhecido de todos nós, porém prefiro me reservar ao direito de não citá-lo, talvez ainda muito assombrada pelo efeito colateral da DITADURA MILITAR DE 1964. Ela foi um momento sombrio na vida de muita gente. E deixou suas sementes plantadas: vide o atual governo. Em próxima oportunidade, com certeza, darei nome a "alguns bois", em um livro que preparo. Afinal a História possui identidades.

Eu estava caminhando e cantando e seguindo a canção, sem saber. Afinal, quem não queria estagiar em um local como aquele, durante o curso de Ciências Físicas e Biológicas. Porém, o que eu ouvia falar apenas por leituras e releituras pude vivenciar na prática: despotismo, arrogância, hierarquização com gosto de humilhação, e uma total falta de respeito pela sagrada família.

E será a respeito do último quesito que discorrerei. Nós, “reles mortais estagiários” ganhávamos um passe/almoço para o Restaurante dos subalternos, ou seja, comeríamos ao lado de cabos e soldados. E os oficiais se "refestelavam" com iguarias, como caviar, lagostas, camarões e outros quitutes denominados (por eles) de classe A. Almocei durante uma longa semana em meu destino, e a comida estava maravilhosa, por sinal, muito bem feita e variada.

Não vi nada de menos enriquecedor por sorvê-la. No início da semana subsequente a minha estreia naquela paragem marcial; seguia eu (toda de branco) com meu passe no bolsinho do jaleco alvo: militarmente ao meio-dia; tínhamos uma hora de almoço. Subitamente surge o "todo poderoso"M, que se dirigiu a mim dizendo: - Tenho observado a senhorita, és muito educada, e convenientemente aguerrida em suas aulas, gostaria de almoçar junto a nós hoje? Eu libero sua entrada agora...

E aí pude perceber o quanto meu pai estava certo quando dizia: - Quero distância de militares; com eles todo cuidado é pouco. Ele, um civil, que escrevia poesias nas horas vagas, um mineiro que estudou em Colégio de Padres. 

Fui alvejada no âmago, e todo o incomodo ocasionado pelo “bater continências” diárias se tornou “fichinha” perto daquela investida, que certamente não seria a primeira. Bem, um colega de grupo de estudos passou na hora, e após bater continência ao S.M, proferiu: Vamos Valéria, nossa hora está voando. Sim, fui salva pelo congo, antes mesmo de poder dizer o sonoro “não” que diria ao nem um pouco conservador senhor. 

Já crescia em mim um desejo fecundo de sair correndo daquela oportunidade técnica, porém curricular. Chegava às 7 horas da manhã, e saía as 17 h, indo direto para a Universidade, num intenso corre-corre diário.

Mas, isso não me incomodava. Por vezes, chegava uns quinze minutos atrasada em sala, algo que eu não gostava muito, “mas era por uma boa causa”, meu desligamento não seria por isso. Minha desistência do estágio se deu quando ao sair do Instituto - em uma tarde ensolarada - encontrei o senhor M; que em seu carro: acenou para mim, como que me chamando e, então, por respeito e não por subordinação, fui ao seu encontro. 

O coronel do Exército de um Instituto de Biologia e Ministério da Defesa me fez um convite assaz deplorável. E se encerrou assim minha futura e “brilhante” carreira militar...

Meus leitores! apesar de meu desempenho proficiente durante os quase seis meses de atuação: posso assegurar que o ultraje e a lascívia, nunca me adornaram a alma. Agora, refaço aqui a pergunta que problematiza o nosso tema: Militarismo para que te quero? 

Não posso dizer que individualmente não existam exceções, conheço; porém são raras.

E a título de reflexão, de qual seria o papel real deste movimento em suas institucionalizadas três instâncias: Exército, Marinha e Aeronáutica: sugiro uma pesquisa mais a fundo. O ser humano é belicoso, ele iniciou sua saga através da conquista, espoliando para soerguer seus Impérios. Recrudescendo suas armas para bem viver. A tal ‘doutrina da força’ se faz conquistadora por séculos...

Segundo a Lei Maior, em seu artigo 142: As forças Armadas constituídas pela Marinha, Exército e Aeronáutica são instituições permanentes e regulares organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destina-se a defesa da Pátria, a garantia dos Poderes, constitucionais e, por iniciativa qualquer destes, da lei e da ordem. Tudo que garanta a segurança da República. Garantir segurança? E será que estamos seguros?

Houve uma reunião (virtual) por determinação do ministro Luís Roberto Barroso que fora realizada emergencialmente, com lideres indígenas, em Brasília e contou com militares, inclusive o chefe do GSI, que segundo alguns depoimentos por parte desses mesmos indígenas: teve um comportamento não empático ao tratar um assunto tão (sério e grave) como a contaminação por coronavírus. Este segmento que compõem uma minoria a ser protegida padece por injustiças, inclusive por um veto presidencial quanto ao recebimento de água potável. 

Entre as colocações do representante maior do Gabinete de Segurança Institucional, está à impossibilidade de falar sobre indígenas que vivem em terras não demarcadas. Uma representante do APIB teve seu microfone cortado durante a reunião. Ângela Kaxuyana, que representa a ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL.

Militarismo para que te quero?

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