Ministro Barroso fez a coisa certa

"Quando Barroso disse que Forças Armadas estavam sendo orientadas a atacar a eleição, tivemos logo depois uma boa medida das indignações", escreve Moisés Mendes

www.brasil247.com - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso (Foto: © Marcello Casal jr/Agência Brasil)


Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia

Sem a vara curta do ministro Luis Roberto Barroso, naquele 24 de abril, muitas falas e atitudes golpistas estariam sendo adiadas.

Teríamos só mais adiante alguns movimentos decisivos para que se enxergue melhor o cenário e sejam expostos à luz os protagonistas e alguns coadjuvantes da ameaça de golpe.

Quando Barroso disse que as Forças Armadas estavam sendo orientadas a atacar a eleição, tivemos logo depois uma boa medida das indignações. Os militares reagiram com rapidez e de forma assertiva.

E Bolsonaro intensificou os ataques, até o discurso da quarta-feira em Maringá, em que misturou mais uma agressão ao TSE com a convocação para que povo compre armas.

Sem aquela cutucada de Barroso, talvez não tivéssemos, como tivemos nessa quinta-feira, a fala do ministro Edson Fachin avisando que a eleição é assunto para forças desarmadas.

Se Barroso não usa a vara curta, é provável que algumas reações fossem empurradas para depois. E que só bem mais diante, talvez perigosamente mais perto da eleição, pudéssemos saber quem está na toca ao lado de Bolsonaro.

A vara curta de Barroso também provocou análises convergentes à direita, ao centro e à esquerda, porque teria sido uma barbeiragem política. O ministro havia se comportado como um amador.

Intrigas foram divulgadas sobre avaliações de colegas do STF, segundo os quais Barroso teria cometido o engano de provocar quem não deveria ser provocado. Não era para mexer com os generais.

Desqualificadores da fala de Barroso serviram de aval à resposta dos militares. O ministro teria feito uma insinuação sem provas. E os militares sabem que sobram provas da orientação para que as Forças Armadas sejam o suporte para o golpe.

No discurso de quarta em Maringá, quando disse que não aceita provocações do TSE, Bolsonaro afirmou que o povo com armas “pode ser um reforço para as Forças Armadas em caso de ameaças externas” e de "ameaça interna de comunização".

São provas que vão se somando ao que já existe sobre a tentativa de sustentar o blefe do golpe no apoio dos generais.

Bolsonaro assume que pretende formar milícias civis misturadas aos militares. É inegável que a fala de Barroso inspirou e apressou as reações.

Foi na sequência da fala de Barroso, lá naquele dia 24, da nota da Defesa contestando a cutucada, das ameaças renovadas de Bolsonaro e, agora, do recado que Edson Fachin diz não ser recado, para que fardados não se metam em questões de civis desarmados, que se formou o caldo pós-Barroso.

Não digam que é a mesma situação de antes de 24 de abril, que agora teria sido apenas requentada. Não é. Militares e Bolsonaro podem ter avançado casas em resposta aos indícios apontados pelo ministro.

São evidências que incluem, entre os gestos mais recentes, o desafio de um preposto das Forças Armadas para que o TSE divulgasse os questionamentos dos militares ao processo eleitoral.

Democratas que resistem com varas curtas e longas devem a Barroso a decisão de provocar o comando militar para um debate em campo aberto. O ministro fez a coisa certa, na hora certa.

A fala de Fachin, dirigida aos militares, é a reafirmação do que disse Barroso. É o TSE, sob o comando de civis, que controla o que o ministro define como “as rédeas do processo eleitoral”.

Ninguém deve esperar que o silêncio seja a resposta do outro lado ao presidente do tribunal eleitoral. Fachin desafiou os chefes militares (mais do que o comandante supremo deles) e os subalternos fardados que vinham questionando as urnas e a apuração da eleição.

As rédeas estão com Edson Fachin e com Alexandre de Moraes. Quem se habilita a ser o primeiro a discordar?

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