Moral da história: governabilidade se mantém com corrupção e povo desunido

A ganância venceu o bom senso e ao menos por enquanto, o que está definido é que o presidente empossado com um golpe só responderá no STF após o término do mandato, em 31 de dezembro de 2018

03 08 2017 Brasilia i DF Brasil - Plenario da Camara durantevotação de parlamentares com denuncia de corrupção contra o presidente Michel Temer foto .Wilson Dias Agencia Brasil
03 08 2017 Brasilia i DF Brasil - Plenario da Camara durantevotação de parlamentares com denuncia de corrupção contra o presidente Michel Temer foto .Wilson Dias Agencia Brasil (Foto: Luciana Oliveira)
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Mais um Agosto com registro histórico trágico para o Brasil. À coleção de desgostos que tem o suicídio de Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros, a morte de Juscelino Kubitscheck e o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff no Senado, acrescentou-se a votação que impediu o afastamento do primeiro presidente acusado por corrupção.

263 deputados aprovaram o relatório que recomendou a rejeição da denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República.

Foram liberadas em três semanas de julho o equivalente a três meses de emendas parlamentares, para convencer deputados a adiar o julgamento de Michel Temer no Supremo Tribunal Federal.

É fácil compreender por que emendas, promessas de cargos e generosidade fiscal a devedores contumazes prevaleceram à delações, gravações de áudio e vídeo contra Temer.

A ganância venceu o bom senso e ao menos por enquanto, o que está definido é que o presidente empossado com um golpe só responderá no STF após o término do mandato, em 31 de dezembro de 2018.

Mas, o resultado não tira o tubo de oxigênio do golpista. Com 227 votos contrários à barrar a denúncia, Temer terá muita dificuldade de passar as reformas nefastas feitas nas coxas da elite para tirar de quem tem menos e dar a quem tem mais.

Foi tão flagrantemente vergonhoso que os cúmplices de Temer não dedicaram votos às famílias, como na sessão que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Tivesse uma sociedade indignada com a corrupção, hoje o país não amanheceria com tanta vergonha e remorso.

Há muitas consciências pesadas nesse momento ao menos por incerteza com o futuro.

O senso comum após a sessão que barrou o despejo de Temer é de que vai demorar e doer mais a permanência dele com a unidade demonstrada pela oposição e na iminência de nova denúncia da PGR.

A história não segue em linha reta, mas em curvas com aclives e declives que levam a sociedade brasileira a aprender e desaprender que expressar descontentamento é a melhor forma de controle de decisões políticas.

Não está adiantando canalizar raiva à políticos patifes, muito menos a Temer pra quem a vergonha saiu e não voltou.

É o povo que deve ser cobrado a ir às ruas.

São modos característicos de reação ao que é certo e errado na política que fazem uma nação evoluir.
Em muito pouco tempo, o povo brasileiro foi aos extremos pra fingir que entendia bem de conceitos éticos e morais no clássico duelo de classes que se deu em gigantescas manifestações de rua.

Mais rapidamente a classe política detectou a fragilidade de caráter do povo e readequou o plano diabólico de mantê-lo desunido sob jugo.

Na sessão que condenou o país à permanência de Temer, deputados de oposição denunciaram o achincalhe dos aliados que se gabavam como “profissionais” que derrotaram “amadores”.

Registre a presença, todo brasileiro que se omitiu. Quem desde o início do golpe luta, não tem culpa.

O conhecimento liberta. Saiba mais

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