Movimentos do gambito do Czar

www.brasil247.com - Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante reunião com membros do Conselho de Segurança do país em Moscou 21/02/2022
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante reunião com membros do Conselho de Segurança do país em Moscou 21/02/2022 (Foto: Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS)


Certos movimentos no xadrez são claros na sua definição. Cravar, Pregar, Ataque descoberto e Sacrifício são algumas delas. Até o En passant que é um movimento especial, consegue-se compreender. Outras são obscuras. O próprio conceito do gambito reflete bem os movimentos de Putin nesse momento. Gambito é uma jogada feita pelas peças brancas no início da partida onde o peão da rainha é sacrificado para estrategicamente dominar territórios do tabuleiro. Nesse sentido, a Rússia está pensando como um tabuleiro de xadrez, enquanto os Estados Unidos pensam como tabuleiro de War. Querem conquistar territórios a todo custo, tentando se valer da força. Agindo, de forma temperamental e se utilizando do que pode para conseguir.

Uma palavra bastante utilizada nesse momento de conflito é “para garantir a paz”. É um clássico das invasões. As tropas estão entrando na Ucrânia em regiões separatistas da na região de Donbas. A expressão “para garantir a paz”, foi muito utilizada pelos americanos como desculpa para invadir países como Iraque, Afeganistão, Kuwait, Indonésia, só para ficar na década de 1990, pois se virmos seus antecedentes, veremos incursões desde 1887. Nos últimos anos, a entrada dos americanos vem coberta de coberturas da imprensa, mostrando apenas parte da força de seu exército, deixando que a imprensa internacional exalte sempre suas ações. Mesmo quando invade o Iraque atrás de armas de destruição em massa, dilapidam o país e não encontram nada. 

No caso da Rússia, o дыра é mais embaixo. O segundo maior exército do mundo, com mais de seis mil ogivas nucleares, responsável pela derrota de Napoleão e Hitler com ofensivas incansáveis e obstinadas a qualquer custo. Não é um exército de países pequenos. São estrategistas e cada movimento está resguardado pelas suas reservas internas. Controlam maior parte do gás na Europa e é a segunda maior produtora de petróleo do mundo. As sanções nesse momento impostas pelos EUA e parte da Europa, ainda não fazem efeito a Rússia. A atual circunstancia de invasão em Donetsk e Luhansk pode significar a entrada em toda Ucrânia?

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Estamos realmente em tempos muito difíceis. A escalada de tensão já começou com as mudanças climáticas que resultam hoje em um dos motivos da fúria da natureza que está destruindo parte do Brasil, o crescimento da extrema direita no Brasil e mundo, a pandemia que levou a detonação de vidas humanas como nunca se viu e agora, uma possível guerra mundial. Os posicionamentos estão começando a se dividir em dois lados. Temos agora a China apoiando um diálogo, mas esperando uma brecha para o também reconhecimento de Taiwan como independente. Com isso teremos de um lado Rússia e China e do outro, os Estados Unidos e países Europeus em crise. 

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A invasão tem alguns objetivos estratégicos. Um é desestabilizar o governo da Ucrânia e criar o caos no país. Depois o mais importante, criar uma ponte terrestre entre Rússia e Crimeia, que seria totalmente ocupado e todo o que faria parte desse corredor econômico conectado ao Mar Negro, chegando até a Moldávia.  A ocupação total seria algo impensável nesse momento, assim como a derrubada do país. O posicionamento nos últimos anos da Ucrânia com os europeus incomodou os Russos que tem a porta de entrada de seus negócios por lá vai ser defendida com unhas e dentes, até, se for o caso, numa entrada de uma guerra mundial, que afeta todo planeta. Só neste momento, o petróleo já está mais caro e o posicionamento dos países se faz necessário, pois Putin está nadando de braçadas até agora. Acredito que a escalada de violência vai aumentar, mas não creio em uma terceira guerra mundial. Estamos no meio dos discursos dos presidentes pelo mundo e espero que busquem uma solução política e diplomática para a paz.

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Sabemos que diante dos pontos que Putin exigiu para termos paz, que seria abrir mão da Crimeia e de Donbas; renunciar a qualquer intenção de se unir à OTAN e desarmar-se completamente. Só lembrando que em 1914, depois do assassinato de Francis Ferdinand, em Sarajevo, o Império Austro-Hungaro fez exigências à Bósnia. Aceitaram. Mesmo assim houve a guerra.

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