Na quarta-feira, sobram apenas cinzas de nossa democracia

Foi na quarta-feira de cinzas que ocorreu o fato mais simbólico, triste e perigoso para a nossa democracia. Não há mais nada a comemorar. Nosso espatafoso Presidente demostrou o que realmente quer se tornar: um ditador

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
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Passou o carnaval, a maior festa popular do mundo. Nas tradicionais escolas de samba, muitas críticas sociais e desaprovação explícita de nosso atual governo. Mas foi na quarta-feira de cinzas que ocorreu o fato mais simbólico, triste e perigoso para a nossa democracia. Não há mais nada a comemorar. Nosso espatafoso Presidente demostrou o que realmente quer se tornar: um ditador.

Bolsonaro está, pessoalmente, divulgando através de aplicativos de mensagens de texto, uma manifestação a seu favor e contra o Congresso. Nada mais grave. O Parlamento, por mais que o desaprovemos, é exatamente o que separa um Presidente da República de um ditador. E a instituição – em nosso caso bicameral – que reduz seus poderes, limita o alcance de seus atos e, em situações extremas, como essa, pode, inclusive o destituir do cargo.

A separação dos Poderes da República é cláusula pétrea, cravada no art. 60 de nossa Carta Magna. É considerada também um artigo sensível e sua violação é um flagrante crime de responsabilidade. É praxe entre os ditadores fechar o Congresso e atribuir para si os poderes parlamentares. Tudo tem um começo. Esse pode ser um bem sombrio para nós.

Seu filho, de forma absolutamente irônica (e estúpida), fez menção a uma bomba atômica no Parlamento, seu próprio ambiente de trabalho. Vídeos fazem montagem com militares bombardeando o Congresso Nacional. Nada pode ser mais sério.

Bolsonaro, mesmo já estando no poder e gozando de relativa boa vontade nas casas parlamentares – com seu superministro Guedes aprovando pacotes, há pouco tempo, ditos como improváveis -  quer ter ainda mais controle sobre a casa do povo e a casa dos Estados. Mesmo estando vencendo o jogo, é ele quem convoca a população às ruas. E a esquerda, vai assistir a tudo, como se fosse o desfile de uma escola de samba?

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