Na Trianon, contra o pensamento único

 "Num país onde o pensamento único é parte essencial da miséria política, a presença de Guilherme Boulos no programa Contraponto (Trianon 740 AM) deve ser celebrada como uma vitória da democracia e do pluralismo", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247, que também é um dos comentaristas fixos do programa. PML lembra que "o controle dos meios de comunicação de massa constitui parte essencial da consolidação de todo estado de exceção e aquilo que se vê no Brasil de um ano para cá não é novidade. Também ocorreu em 1964, quando emissoras importantes, como a Excelsior, e jornais tradicionais, como o Correio da Manhã, foram perseguidos e levados a extinção"   

Guilherme Boulos
Guilherme Boulos (Foto: Paulo Moreira Leite)

Num país onde o monopólio das comunicações é parte essencial da  miséria política, a presença de Guilherme Boulos e Laura Capriglione na edição desta quarta-feira do programa Contraponto (rádio Trianon AM 740, a partir das 8hs da manhã) deve ser celebrada como uma vitória da democracia e do pluralismo num ambiente geral de pensamento único.

     Lançado na segunda-feira, 17 de julho, com a presença de Bresser Pereira e Celso Amorim, ministros de compromissos reconhecidos com o desenvolvimento e a soberania do país, Contraponto tem como proposta abrir espaço para vozes e ideias que têm sido excluídas de um debate indispensável no atual momento que o país atravessa. Para dar dois exemplos:  o programa já debateu a reforma trabalhista com o sociólogo Clemente Ganz e a dirigente sindical Juvandia Moreira;  discutiu  desemprego e a desindustrialização com o empresário Cesar Prata, vice-presidente da Abimaq.  

     Nesta quinta-feira, Contraponto recebe  a socióloga Eleonora Minecucci, que foi ministra da Secretaria de Direitos da Mulher no governo Dilma. Na sexta, está confirmada a presença da senadora Katia Abreu, adversária aguerrida do bloco político que produziu o golpe parlamentar contra Dilma e voto firme contra a reforma trabalhista.

    Todos sabemos que o controle dos meios de comunicação de massa constitui parte essencial da consolidação de todo  estado de exceção e aquilo que se vê no país de um ano para cá não é novidade.  

     Comprometido com um conjunto de reformas que a população rejeita com todas as forças, o que torna a asfixia do debate político uma necessidade de primeira grandeza, uma das primeiras medidas do governo  Michel Temer foi assumir o controle absoluto da EBC, empresa pública de comunicação. Num país onde o pensamento único reina há muitos anos como uma força sem contrastes relevantes  na totalidade das emissoras de rádio e TV, Temer assinou medida provisória para afastar o presidente Ricardo Melo, que tinha um mandato legal a cumprir.  Instalados em cargos de confiança, novos executivos  eliminaram  programas importantes do jornalismo, que cumpriam a função indispensável de oxigenar o debate político com pontos de vista excluídos da mídia convencional. 

   O regime de 64 foi marcado pela perseguição e sufoco de grupos que se recusaram a ser transformados em instrumentos de propaganda do regime -- como a TV Excelsior -- e publicações respeitáveis, como o matutino carioca Correio da Manhã. Nos anos finais,  quando os grandes jornais e revistas haviam sido transformados em vozes diversas do mesmo  coro dos contentes, até publicações de baixa tiragem e alto valor para o jornalismo, chamadas alternativas, eram perseguidas pela censura e outras medidas arbitrárias dirigidas pelo Estado.

 (Contraponto é exibido de segunda a sexta, sempre das 8 às 9h30. A direção é de Albino Castro, criador de vários programas de sucesso. A apresentação é de Ricardo Melo. Tenho uma participação fixa como comentarista. Alberto Villas, que já ocupou vários postos de edição na Globo, participa das entrevistas e responde pela trilha sonora. Em Brasília, Flávia Rocha Melo faz comentários).    

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