Não dá para perdoar o Holocausto. E dá para perdoar Bolsonaro?

"A cada entrevista (ou 'tuitada') de Jair Bolsonaro, o País recebe, assustado, a ameaça de mergulhar de vez no caos, caso o seu governante maior concretize os seus arroubos verbais. 'Perdoar o holocausto' é só mais um desses desvarios", escreve o jornalista Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; "Diante de tudo, a pergunta que se faz é: vai dar para perdoar Bolsonaro?"    

Não dá para perdoar o Holocausto. E dá para perdoar Bolsonaro?
Não dá para perdoar o Holocausto. E dá para perdoar Bolsonaro?

Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia - Reflexo de um mundo em que os governos de direita cavam fossas gigantescas esperando a morte da democracia, o Brasil virou um país cuja inversão de valores deixou o discurso de campanha para se tornar prática do presidente eleito. A cada entrevista (ou "tuitada") de Jair Bolsonaro, o País recebe, assustado, a ameaça de mergulhar de vez no caos, caso o seu governante maior concretize os seus arroubos verbais. "Perdoar o holocausto" é só mais um desses desvarios. Diante de tudo, a pergunta que se faz é: vai dar para perdoar Bolsonaro?

O sujeito que os brasileiros elegeram presidente é tão tacanho que não consegue entender que atingiu até o novo aliado, o primeiro-ministro de Israel. Benjamin Netanyahu, deve ter botado a mão no rosto e corrido para o Muro das Lamentações se penitenciando pelo amigo que arrumou. Afinal, foram seis milhões de judeus assassinados durante a Segunda grande Guerra, a mando do governo alemão de Adolf Hitler, aquele que, segundo o presidente brasileiro e seus inacreditáveis auxiliares, era um político de esquerda.

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Se tivesse contado até 10, o que nunca faz, Bolsonaro teria poupado o País e o mundo dessa frase que mistura a ignorância com a insanidade. Mas, isto é coisa corriqueira e seus adeptos até riem quando alguém critica essas insuficiências verbais. "O cara é um mito", costumam justificar os bolsonautas que infestam as redes sociais reproduzindo a filosofia do líder. Quem estranhar o termo "filosofia", que relaxe. Depois do advento do "guru" do presidente a uso da qualificação foi bastante flexibilizado.

Bolsonaro, é sempre útil rememorar, fez uma campanha baseada em fakenews e arroubos verbais. Vítima de um atentado até hoje nebuloso, ele passou em casa toda a fase que seria de debates e discussão de propostas. Sem se expor, praticamente, fez uma propaganda política inédita, de casa, com o uso largo do twitter, de onde mandou seus recados e fez suas ameaças, aos opositores, aos trabalhadores, aposentados e pensionistas. Defendeu, inclusive, a eliminação física dos "petralhas", seus inimigos políticos. Sem ir a debates, falou quase que sem réplica.

Dessas ameaças, muitas foram cumpridas ou estão em via de se tornarem realidade. Prometeu armar a população e não deu outra. Com um dia de governo, baixou um decreto flexibilizando a venda de armas de fogo, colocando 75% da população apta a ter até quatro armas dentro de casa.

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Só que tem mais. Esta semana, o presidente anunciou sua intenção de acabar de vez com o Estatuto do Desarmamento, através de um novo projeto de estímulo à defesa pessoal, e ampliar a liberação de armas para vários grupos, como colecionadores, caçadores e atiradores.

O estranho argumento da proteção da sociedade através da liberação de armas não bate com os números de vítimas de mortes violentas por armas de fogo. Nem leva em conta a expansão do feminicídio no Brasil, o que pode ir a níveis estratosféricos quando os "brabões" estiverem armados. Mas, cai como uma luva nos planos das industrias de armamento, a exemplo da Taurus, empresa que está sempre saindo nas fotos com o presidente e seus filhos, influentes e intocáveis.

No episódio recente envolvendo militares do Exército, que executaram por fuzilamento o músico carioca Evaldo Santos Rosa, que estava desarmado, Bolsonaro calou e fez que não era com ele. O carro do músico, onde estavam, ainda, o filho, a mulher e o pai, recebeu 80 tiros de fuzil. O caso está sendo apurado, segundo informação do governo, pelo Exército, que determinou a prisão preventiva de alguns dos militares.

Parêntese. Só hoje, seis dias de silêncio depois, Bolsonaro falou do caso e, claro, inocentou o Exército da morte de Evaldo Santos. E o fez com a verborragia que lhe é peculiar: "O Exército é do povo. Houve um incidente. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto ". Fecha parêntese.

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A mesma prudência, Bolsonaro não teve em relação ao "humorista" Danilo Gentilli, condenado, esta semana, a duas penas – de seis meses e de cinco anos. Mal saiu a sua condenação, no caso das agressões contra a deputada Maria do Rosário, Gentili viu chegar em seu twitter uma singela mensagem de solidariedade do presidente da República a quem apoia desde a campanha eleitoral.

Aos olhos do mundo, Bolsonaro é hoje um dos mais servis aliados dos Estados Unidos e de Donald Trump em seu plano de demolição da esquerda no planeta, em particular na América Latina, que o presidente norte-americano praticamente já domina. Nunca perdeu a chance de expor o país, quando o assunto é incensar o presidente americano. Na visita à Casa Branca, barrou o seu chanceler Ernesto Araújo para levar de carona o filho deputado Eduardo. Na primeira folga, correu para visitar a CIA e sair de lá maravilhado. Um desastre diplomático.

Trump e Bolsonaro estão juntos na intenção de invadir a Venezuela e tirar do poder um governo legitimamente eleito. Bolsonaro está nessa de graça. Já os EUA vêm nessa guerra a chance de pôr as mãos nas reservas de petróleo do país. O que pode significar para o Brasil essa aventura, a impressão é de que nem mesmo o próprio Bolsonaro deve ter noção.

A próxima trapalhada é questão de tempo.

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