Não deixe para o segundo turno o que pode fazer no primeiro

"Os resultados das pesquisas a prefeitos em todo o Brasil confirmam, na prática, o que já se sabia na teoria: se disputassem unidos, os partidos progressistas – PT, PDT, PSB, PSOL e PCdoB - obteriam vitórias muito mais expressivas do que as previstas até agora", escreve o jornalista Alex Solnik

Marilia Arraes, Manuela D´Ávila, Guilherme Boulos, Luiza Erundina e Jilmar Tatto
Marilia Arraes, Manuela D´Ávila, Guilherme Boulos, Luiza Erundina e Jilmar Tatto (Foto: TSE | Divulgação | Brasil247)
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Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia

Eu questiono cada vez mais a tese de que os partidos progressistas têm de disputar o primeiro turno cada um por si e só no segundo turno se unirem contra o mal maior.

Vai daí que pode acontecer de o adversário ficar em vantagem tão grande no primeiro turno que se torna difícil derrotá-lo no segundo, como ocorreu em 2018, quando Bolsonaro ganhou de 46% a 30% de Haddad.

Também pode acontecer de o adversário vencer no primeiro turno, como se deu em 2016, na eleição a prefeito de São Paulo.

Outra possibilidade é a disputa do primeiro turno deixar sequelas que repercutem negativamente no segundo.

Em tempos normais até se justifica que os partidos se apresentem individualmente, se fortaleçam, mostrem suas propostas, etc etc, mas em 2022, quando o mais importante será derrotar o atual governo de extrema-direita, cujo objetivo maior é acabar com a democracia e iniciar mais um ciclo de governos militares no Brasil, essas questões devem dar lugar a uma questão maior: derrotar Bolsonaro de surpresa, no primeiro turno, como numa blitzkrieg.

Os resultados das pesquisas a prefeitos em todo o Brasil confirmam, na prática, o que já se sabia na teoria: se disputassem unidos, os partidos progressistas – PT, PDT, PSB, PSOL e PCdoB - obteriam vitórias muito mais expressivas do que as previstas até agora.

Em Porto Alegre, Manuela D’Ávila está em primeiro lugar porque seu partido, o PCdoB, aliou-se ao PT, mas PDT e PSOL resolveram disputar em raia própria. Ela tem 24%, Juliana Brizola (PDT), 5% e Fernanda Melchiona (PSOL), 3%.

Três mulheres, três jovens, três políticas de três partidos de esquerda que, em vez de se apresentarem aos eleitores juntas, e tentarem, juntas, ganhar no primeiro turno (teriam a essa altura 32%), disputam entre si.

Em São Paulo, Covas tem 25%, em primeiro.

Se Boulos (PSOL), 14%, França (PDT+PSB), 10%, Tatto (PT), 4% e Orlando Silva (PCdoB), 1% se unissem, estariam à frente do atual prefeito, com 29%.

Mesma coisa no Rio: Eduardo Paes (DEM) lidera com 28%. Unidos para governarem juntos, PDT, PT e PSOL, com Marta Rocha (13%), Benedita da Silva (13%) e Renata Souza (5%), estariam à frente dele, com 31%.

Quer ver outro exemplo? Vitória. João Coser (PT) e Gandini (Cidadania) estão emparelhados, em primeiro, com 22%. Se Nanny Chequer (PCdoB), 2% e Gilbertinho Campos (PSOL), 1% apoiassem Coser já no primeiro turno, ele já seria líder absoluto.

A mim, como brasileiro, não interessa se quem vai tirar Bolsonaro do poder em 2022 será PT, PDT, PSB, PCdoB ou PSOL; o que eu entendo é que somente todos eles juntos no primeiro turno poderão cumprir a tarefa mais importante e mais urgente, pois, se a democracia acabar, os partidos podem acabar junto com ela.

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