Não foi crescimento de 1,1%. Foi 0,3%

"A cena de circo montada por Bolsonaro para esconder o fiasco econômico de seu governo não passa de um espetáculo indecente para um povo que enfrenta desemprego alto e salário baixo", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Desmentindo estimativas risonhas anunciadas na posse e nos meses seguintes, o IBGE reconhece que em 2020 a economia cresceu 1,1% -- ou 0,3% em termos per capta.

Imagine uma pessoa que em janeiro de 2019 elevou o consumo de arroz e feijão em 0,3% emm comparação com 2018. Alguém consegue calcular o que significa colocar 0,3% de gasolina no tanque do carro? Ou fazer uma dieta para emagrecer 0,3% em doze meses?

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É disso que estamos falando.

O resultado marca o pior desempenho da economia brasileira nos últimos três anos. Nem Michel Temer-Henrique Meirelles, empossados num país arrebentado pelas pautas-bomba que conduziram o golpe de 2016 deixaram um saldo tão magro e miserável.

Para maioria dos brasileiros e brasileiras, este saldo desastroso se refere a condição de vida de suas famílias no primeiro ano do governo Bolsonaro, aquele onde 60% da população é obrigada a aceitar empregos que pagam menos do que o salário mínimo -- e ainda assim o desemprego segue um dos mais altos da história.

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Se há alguma lição útil nesta tragédia, é que ela serve aprendizado sobre a cartilha neo-liberal que marcou a campanha e a posse de Bolsonaro.

Sempre preocupado em alvejar a política econômica de Lula e Dilma, que reduziu a pobreza de 30,5% para 11,5%, além de elevar o salário mínimo em 77% em 17 anos, ao tomar posse o Ministro da Economia Paulo Guedes disse que "o Brasil parou de crescer pelo excesso de gastos". Guedes também garantiu: "essa insistência no Estado como motor de crescimento produziu essa expansão de gastos públicos, corrompendo a política e estagnando a economia."

O resultado está aí. A política econômica de Bolsonaro virou número de circo e, para sorte de Paulo Guedes, o presidente contratou um ator profissional para o lugar de palhaço.

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