Negacionismo mata

"Alguém que nega um fato cientificamente comprovado, algo que está mais do que evidente, ou é mal intencionado e quer enganar os outros ou não bate bem da cabeça", escreve o jornalista Alex Solnik ao comentar as evidências científicas apresentadas na CPI pela microbiologista Natália Pasternak e o médico Claudio Maierovitch

Microbiologista Natalia Pasternak
Microbiologista Natalia Pasternak (Foto: Jefferson Rudy - Agência Senado)
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Por Alex Solnik 

Segundo o pai dos burros, negacionismo “é a ideologia da pessoa que nega ou não aceita um fato comprovado e documentado”; é “o comportamento da pessoa que nega ou não aceita um fato cientificamente comprovado; é a “atitude de uma pessoa que não aceita alguma coisa como verdadeira ou nega a existência dessa coisa”.

Negacionismo também é, de acordo com o dicionário, o contrário de cientificismo.

Alguém que nega um fato cientificamente comprovado, algo que está mais do que evidente, como o formato do nosso planeta, ou é mal intencionado e quer enganar os outros ou não bate bem da cabeça.

E quando esse alguém é o mandatário do país, seja ele quem for, o que diz equivale, para alguns, a uma ordem; para outros, a uma autorização.

Tanto a microbiologista Natália Pasternak quanto o médico-sanitarista e ex-presidente da Anvisa, Claudio Maierovitch, os convidados de hoje da CPI da Covid, concordaram com o diagnóstico de que a população brasileira está confusa por receber uma mensagem anticientífica do presidente da República e outra, a dos cientistas e fica sem saber como se comportar.

“Não há diretrizes claras” disse Natália. “Como faço isolamento dentro da minha casa? Recebo muitas perguntas como essa. Não tem orientação básica sobre cuidados no transporte público, campanhas de conscientização do uso de máscaras”.

“Tudo isso é muito desagradável” disse o dr. Claudio Maierovitch, “usar máscara, deixar de encontrar os amigos, ficar em casa, lavar as mãos a toda hora, a pessoa tem que entender porque está se comportando dessa maneira – estou fazendo isso para me proteger – mas quando isso é colocado em xeque pelo mandatário, as pessoas têm uma justificativa para escapar disso. O presidente falou que tem um remédio. Pra que vou usar máscara? Por que não vou abraçar? Por que vou ficar em casa?”

Maierovitch comparou a situação atual como as antigas “festinhas da catapora”:

“Quando uma criança pegava catapora, era costume os pais convidarem crianças do quarteirão para se contaminarem, eram as festinhas da catapora, porque era melhor pegar catapora na infância. Agora, bombardeadas pela propaganda de medicamentos milagrosos há pessoas que querem pegar a doença logo para se livrarem dela, já que tem um medicamento infalível. Uma atitude suicida. Elas são impelidas a desejos suicidas”.

Natália Pasternak também não poupou Bolsonaro:

“Ele é o representante supremo, ele pediu para estar lá. Quando ele propaga medicamentos que não curam, aparece sem máscara, desdenha da pandemia, ele leva à ilusão de que está tudo bem. E se está tudo bem as pessoas tomam atitudes de risco, se expõem e expõem os outros. Negacionismo mata”.

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