Nova fase do golpe?

Sabemos que parte da sociedade, acuada pela violência, será favorável à intervenção, mas também sabemos que a questão da Segurança vai muito além da exibição de tanques e força policial. A presença da Força Nacional tem sido constante no Rio, sem qualquer resultado prático

Rio de Janeiro - Militares fazem operação na favela da Rocinha após guerra entre quadrilhas rivais de traficantes pelo controle da área (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - Militares fazem operação na favela da Rocinha após guerra entre quadrilhas rivais de traficantes pelo controle da área (Fernando Frazão/Agência Brasil) (Foto: Reimont Otoni)

A intervenção militar no Rio de Janeiro, que pode levar o golpe a um novo patamar, é resultado direto da omissão dos governos Pezão e Crivella. De modo deliberado, eles abriram as portas para a explosão da violência no Carnaval. A História e os fatos recentes nos permitem pensar dessa maneira.

O retardo aparentemente injustificável do Plano de Segurança do Carnaval, lançado atabalhoadamente às vésperas da festa, e a ausência do governador e do prefeito durante o período (junto com o chefe da Inteligência da Polícia Militar e o comandante do Centro de Operações do Rio) são evidências dessa omissão deliberada, assim como a demora ou mesmo falta de reação aos ataques à população; o Túnel Santa Bárbara sofreu TRÊS DIAS de ataques, sem que nada fosse feito. Como acreditar que o Rio não conseguiu se preparar para um evento anual e tradicional da cidade? Como não lembrar os arrastões às vésperas das eleições de Brizola e Benedita da Silva?

Sabemos que parte da sociedade, acuada pela violência, será favorável à intervenção, mas também sabemos que a questão da Segurança vai muito além da exibição de tanques e força policial. A presença da Força Nacional tem sido constante no Rio, sem qualquer resultado prático. De julho até hoje, os militares ocupam a cidade e a violência só cresce.

O narcotráfico, principal problema do Rio e do Brasil, não se combate nas favelas e comunidades pobres, onde, quando muito, se afeta o pequeno varejo do negócio, com o sacrifício milhares e milhares de pessoas, moradores e moradoras honestos dessas área. O verdadeiro combate só terá resultados com decisão política para enfrentar os grandes empresários da droga, do tráfico de armas e das rotas de distribuição.

Enquanto isso, nos preocupa a nova porta que se abre para o golpe. Desde o início, temos alertado que o Rio é ponta de lança do projeto neoliberal da direita; em documento de dezembro de 2015, já fazíamos essa afirmação. Novamente, no caso da intervenção militar, alertamos que o nosso estado pode virar o laboratório do projeto nacional, em um avanço do golpe no Brasil. O próximo passo seria a criação de um Ministério da Segurança Pública, incorporando a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Departamento Penitenciário Nacional e a Secretaria de Segurança Pública, além das Polícias Militares estaduais.

Temos que ficar atentos e unidos, no combate a qualquer avanço golpista e com a certeza do protagonismo do Partido dos Trabalhadores na luta de classes no Brasil. Como já disse, neste momento, não sou nem otimista e nem pessimista, sou um lutador alinhado com uma multidão. Venceremos!

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