Opinião

O caráter manipulador

“Não é porque a perspectiva democrática venceu a eleição que o carater manipulador da extrema-direita desapareceu”, escreve Marcia Tiburi

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Uma das características das personalidades autoritárias é o caráter manipulador. Há pessoas que são especialistas em controlar o que os outros pensam, sentem e acreditam. 

O psicopoder implica o cálculo sobre o conteúdo mental e afetivo das pessoas. Os poderes político, religioso, judiciário e midiático sabem disso. 

O termo gasligther é usado para falar daquele que pratica a manipulação mental, com o objetivo de confundir, de perturbar, de levar alguém à loucura. 

Frequente na cultura patriarcal, em geral, o manipulador é um narcisista que trata o outro como um objeto, que instrumentaliza o outro, pois na sua posição autoritária, a outra pessoa está ali para o servir. 

Se o preceito básico de toda ética é o respeito ao outro, é tratar o outro como se fosse um fim e não um meio, o caráter manipulador é antiético. 

O caráter manipulador é dissimulado: faz-se de vítima, mente compulsivamente, falsifica situações, distorce palavras, humilha, convence sua vítima de que sempre tem razão. Faz a sua vítima se sentir culpada. 

O caráter manipulador está presente na cultura patriarcal, sendo comum em homens heterossexuais de todos os espectros políticos, embora seja a característica fundamental dos fascistas de extrema-direita. 

Bolsonaro praticou o gaslighting contra toda a população brasileira, mas há várias mulheres que convivem com “Bolsonaros” dentro de casa. 

Por trás das manipulações de massa, de grupos fascistas e nazistas, por trás de jovens que se entregam à violência, está o caráter manipulador. E por trás do caráter manipulador existe o narcisismo, a inveja e um profundo sentimento de inferioridade que deve ser escondido a qualquer custo. 

O caráter manipulador quer que o outro seja o responsável pelo que ele faz de mal. Ele nunca assume a culpa por seus atos. O sistema da mentira que ele cria, serve para seu eterno mascaramento. Mesmo quando a máscara cai, o caráter manipulador continua em ação, pois usar máscara não é crime. 

Abusar psicologicamente é, mas se o caráter manipulador é agente da lei, nunca ninguém desconfiará que ele possa também manipular a partir do lugar que ocupa. 

O caráter manipulador não tem limites. Ele é capaz de manipular até mesmo a noção de limite.

O que aconteceu e continua acontecendo no Brasil tem relação com o caráter manipulador. Não é porque a perspectiva democrática venceu a eleição que o carater manipulador da extrema-direita desapareceu, ao contrário. A orquestração segue e precisamos ter muito cuidado para não voltar ao fundo do poço, do qual ainda estamos perigosamente perto. 

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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