O coronavírus e a cloroquina na Venezuela

Em menos de um mês após a chegada da COVID-19 à Venezuela, os números relativos à doença no país já chamavam a atenção

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No dia 22 de maio, o diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou em entrevista para o site UOL que em “um sentido, a América do Sul se transformou em um novo epicentro” da COVID-19. O diretor afirmou ainda que o número de casos está aumentando em muitos países e que o Brasil é o “mais afetado”. No dia 12 de maio, o diretor do departamento de doenças transmissíveis e análise da saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Marcos Espinal, já havia afirmado que o “Brasil tem um dos maiores números de casos hoje, tem transmissão comunitária” e que “as fronteiras são porosas”. A organização também expressou preocupações com o Peru e a Colômbia. Por outro lado, a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, indica que alguns países da região conseguiram conter o avanço dos casos por meio de medidas eficazes. Etienne afirmou que “vários países, incluindo alguns da nossa região, mostraram que o número de casos pode ser contido com forte vigilância e detecção, medidas de saúde pública coordenada e ações preventivas, rastreamento de contatos e aumento da capacidade do sistema de saúde”.  Embora a diretora-geral não cite diretamente nenhum país, a Organização já havia indicado que a Venezuela vem se destacando na prevenção e combate à COVID-19 nas Américas. No dia 1º de maio, após reunião com o coordenador residente da ONU, Peter Grohmann e o representante da Opas/OMS na Venezuela, Dr. Geraldo de Cosio, a vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodriguez, informou que a coordenação do sistema das Nações Unidas (ONU) na Venezuela, solicitou ao governo deste país autorização para estudar a estratégia de supressão da epidemia de COVID-19 na Venezuela, com o objetivo de replicá-lo em outros países. A vice-presidente informou igualmente que a Opas está acompanhando os testes diagnósticos neste país. 

Desde que o coronavírus chegou à Venezuela, a BBC, que é replicada pelos portais UOL, Terra e Época Negócios, vem fazendo reportagens críticas à Venezuela em relação à COVID-19. A BBC afirmou que o país é mal avaliado no Índice Global de Segurança em Saúde, que muitas comunidades desse país não têm acesso a água, que muitos venezuelanos não têm dinheiro para comprar sabão e que a maior parte dos hospitais do país não possui máscaras, protocolo de ação específico e tampouco área de isolamento para pacientes infectados. O portal afirmou ainda que o país possui apenas 300 kits de diagnóstico e que as informações do governo não seriam confiáveis. Todas estas informações apresentavam uma suposta realidade na qual a Venezuela não estava preparada para enfrentar o coronavírus. Mais de dois meses já se passaram desde a chegada da COVID-19 à Venezuela e o país apresenta taxas de contaminação, mortalidade e letalidade significativamente baixas quando comparadas às taxas de outros países da região. Nenhuma pessoa morreu por coronavírus na Venezuela entre os dias 20 de Abril e 25 de maio. Após esta data o país registrou mais um falecimento. A tabela abaixo mostra os números da COVID-19 na Venezuela em comparação aos países mais afetados da América Latina. Os dados são relativos ao dia 25 de maio.

País

Casos confirmados

Recuperados

Mortes

Brasil

365.213

149.911

22.746

Peru

119.959

49.795

3.456

Colômbia

21.175

5.016

727

Venezuela

1.121

262

10

A Academia de Beisebol Roberto Vahils em Nova Esparta 

Nova Esparta é o Estado da Venezuela que apresenta a maior taxa de contaminação por COVID-19. Embora seja o terceiro Estado com a maior quantidade de pessoas contaminadas em números absolutos, logo atrás de Miranda e Tachira, Nova Esparta possui uma população significativamente menor. Esse foi um dos primeiros a registrar contaminação por COVID-19. No dia 13 de março, o diretor da Academia de Beisebol que leva o seu nome, Roberto Vahlis, voltou da República Dominicana, e seguiu as atividades de treinamento, descumprindo assim a quarentena e o toque de recolher imposto pelo governo venezuelano. Três dias depois, no dia 15 de abril, adultos e adolescentes diagnosticados com COVID-19 foram encontrados dentro da academia convivendo com 57 pessoas. Até o dia 2 de maio, eram mais de 90 pessoas contaminadas vinculadas a esse episódio. O número citado supera 60% das pessoas contaminadas no Estado de Nova Esparta. Dentre os mais de 90 contaminados, 26 são guardas nacionais e alguns desses prestavam segurança ao centro desportivo. Roberto Vahlis foi detido junto a quatro pessoas pelo Ministério Público da Venezuela. A CNN entrou em contato com o representante legal do acusado, mas esse se declinou de oferecer a versão de Vahlis. De acordo com o Ministério Público, na operação, foi igualmente detida uma funcionária da Direção de Saúde do governo de Nova Esparta por haver supostamente autorizado o funcionamento da escola de beisebol. Também foram detidos um treinador e uma médica da academia, além do filho de Roberto Vahlis, que é o gerente do centro. Nessa ocasião, o governo venezuelano determinou a inspeção de todas as escolas de beisebol no território nacional para verificar o cumprimento da quarentena.

Desconfiança em relação aos números oficiais 

Em menos de um mês após a chegada da COVID-19 à Venezuela, os números relativos à doença no país já chamavam a atenção. No dia 2 de abril, quando o governo venezuelano havia registrado 143 casos, a Academia Venezuelana de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais especulou que esse número superava 800. Isto é, de acordo com a Academia, o número de pessoas contaminadas é aproximadamente 5,6 vezes maior. No Brasil, o número de contaminados é aproximadamente 15 vezes maior que o registrado, conforme pesquisa realizada pelo grupo Covid-19 Brasil, 12 vezes maior de acordo com o Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS), ou sete vezes maior, como reportado na pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas. A Academia Venezuelana de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais chamou atenção para o fato de que a curva de crescimento dos casos registrados sugeria um incremento linear do número de casos acumulados, um padrão que seria atípico para as fases iniciais das epidemias de COVID-19. Nesse contexto, é importante ressaltar, no entanto, que de acordo com pesquisas realizadas na província de Wuhan, na China, após a implementação das medidas restritivas de mobilidade, assim como medidas de higiene, a taxa de crescimento de casos se tornou negativa. Dessa forma, o crescimento do número de casos não exponencial poderia ser explicado em função das rígidas medidas restritivas adotadas rapidamente pela Venezuela. A Venezuela se antecipou a muitos países na tomada de decisões relativas ao isolamento social, toque de recolher, fechamento das fronteiras, suspensão e restrição de vôos, circulação interestadual e intermunicipal, circulação de veículos particulares, restrição ao uso do transporte coletivo, restrições ao comércio e atividades laborais, dentre outras. 

O médico infectologista Júlio Castro, membro da comissão de cientistas nomeados pelo líder opositor Juan Guaidó, afirmou que os números da Venezuela são reflexos da baixa quantidade de diagnósticos. O infectologista afirmou que o país possuía apenas um laboratório capaz de processar testes do tipo PCR, considerado o mais confiável, e que esse laboratório estava realizando entre 85 e 95 testes deste tipo por dia. Porém, vale destacar que a Venezuela está realizando aproximadamente 25 mil testes rápidos por dia e que  é o país que realizou a maior quantidade de testes rápidos na América Latina por milhão de habitantes. No dia 11 de abril este número era de 6.045 na Venezuela, 4.020 no Chile, 2.216 no Peru, 1.284 no Equador, 783 na Colômbia e apenas 305 no Brasil. No dia 25 de maio, esse número na Venezuela era de 27.751, de acordo com o governo de fato. Júlio Castro observa que os testes rápidos não são confirmatórios, e sim de aproximação. A opinião de Júlio Castro deve ser tomada com cautela, pois, sendo membro de uma comissão opositora ao governo, o infectologista possui seus vieses políticos e se afasta da imparcialidade exigida em estudos científicos. Embora os testes rápidos sejam menos confiáveis por detectarem o anticorpo e não o vírus, são úteis para o diagnóstico hospitalar, já que as pessoas internadas apresentam sintomas, diagnósticos clínicos e provavelmente uma alta taxa de anticorpos que reagem ao coronavírus. Além disso, as pessoas que testaram positivo para o coronavírus são encaminhadas para a realização do teste PCR. É importante ressaltar  que a Venezuela triplicou sua capacidade de testes PCR dez dias depois do pronunciamento do opositor Júlio Castro, instalando uma unidade móvel para testes em Tachira, na fronteira com a Colômbia. No dia 21 de maio, a Venezuela já havia realizado 16.577 provas de diagnóstico do tipo PCR, uma média de aproximadamente 243 testes por dia desde o início da pandemia. O país aumentou igualmente sua disponibilidade de kits de teste, insumos, medicamentos e EPI por meio de diversas doações provenientes da China, da Rússia e da Opas.

No dia 26 de maio, a Humans Right Watch (HRW) também questionou os números. De acordo com a entidade, os dados são seguramente muito maiores. A entidade apresenta, no entanto, algumas informações contraditórias. A médica e professora da Universidade John Hopkins dos Estados Unidos, Kathleen Page, afirma que “a impossibilidade da Venezuela de fazer frente à pandemia de covid-19 poderia provocar que mais pessoas tentem sair do país”. Segundo a médica, isso lotaria ainda mais os sistemas de saúde dos países vizinhos, podendo colocar em perigo mais amplamente a saúde da região. Porém tal afirmação está muito afastada do que ocorre atualmente na Venezuela. Primeiramente, é importante notar que, de acordo com as autoridades, entre 14 de março e 14 de maio, mais de 58 mil pessoas regressaram ao país. No dia 4 de maio, a governadora de Tachira afirmou que mais de 10 mil pessoas já haviam cruzado a fronteira. A volta dos imigrantes foi noticiada inclusive por portais brasileiros, como “O Globo”. As filas nas fronteiras para retornar ao país são visíveis. É exatamente em função dos venezuelanos que voltam ao país pela Colômbia, que uma unidade móvel para a realização de testes PCR foi instalada no Estado fronteiriço de Tachira. Diversas fotos, como a registrada pelo jornal El Clarín, mostram grande quantidade de venezuelanos retornando à pátria, na fronteira com a Colômbia no dia 4 de abril. Nesse contexto, ressalva-se que, embora o país receba venezuelanos de volta, as fronteiras estão fechadas para as demais pessoas desde o dia 13 de março. Em outro momento do texto, a própria HRW reconhece que os venezuelanos estão regressando à pátria.  

Venezuelanos retornam ao país na ponte Simón Bolívar, na fronteira com Colômbia

A Human Right Watch faz igualmente um apelo para que o governo venezuelano deixe entrar ajuda humanitária no país, porém, a instituição não cita que diversos aviões de carga da China, da Rússia e Opas chegaram ao país trazendo medicamentos, insumos, EPI, kits de teste, médicos especialistas e cientistas. É possível observar que a Venezuela já recebe ajuda da ONU, por meio da Opas. Cabe ressaltar, nesse aspecto, que no dia 25 de maio, chegou a primeira das 5 embarcações iranianas carregadas de combustível e aditivos que permitirão levantar a capacidade de refinamento e produção da indústria petroleira venezuelana, de acordo com o vice-presidente setorial para a Economia e ministro do Poder Popular, Tarek El Aissami. A HRW, por sua vez, reconhece que o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos dificulta a situação da Venezuela e faz um apelo para que o país norte-americano não obstrua a chegada de ajuda humanitária à República Bolivariana.   

De acordo com a doutora Kathleen Page, “uma estimativa conservadora situaria a quantidade de mortos pelo vírus na Venezuela em ao menos 30 mil”. A médica chegou a estes números estimando que 1% da população venezuelana poderia morrer por COVID-19, em função da precariedade dos hospitais. A professora afirma que “seriam 300 mil casos” dos quais 20% apresentam sintomas graves e que, se 10% desse número vier a óbito “seriam ao menos 30 mil mortos”. A estimativa da médica deve ser tomada com parcimônia, uma vez que esta considerou a taxa de letalidade por COVID-19 10%, quando estudos realizados com dados de Wuhan aponta esta taxa em 0,6%, a mesma taxa de letalidade apresentada atualmente pelo Brasil. A professora pressupõe ainda que 20% dos contaminados apresentarão sintomas graves, quando estudos indicam que apenas 5% desses desenvolvem tais sintomas. A médica não informou de que forma chegou ao número de 300 mil contaminados, além de ter desconsiderado fatores relacionados à diminuição da taxa de contaminação, como o isolamento social, o toque de recolher, o fechamento das fronteiras, dentre outros. Nessa perspectiva, cabe salientar uma vez mais que a Venezuela se antecipou a muitos países na tomada das medidas restritivas. Estimar a taxa de mortalidade por COVID-19 em 1% é uma projeção igualmente pessimista, uma vez que essa taxa na Itália é de aproximadamente 0,5%. 

Para ilustrar a situação atual da Venezuela, a HRW se embasa em pesquisas realizadas por meio de telefonemas a enfermeiros em dezembro de 2019, três meses antes do primeiro caso de coronavírus no país, muito antes da chegada das ajudas humanitárias. A organização afirmou que é comum a falta de água em hospitais de Caracas, porém, não apontou se esses hospitais estão atendendo pacientes com CODID-19. Afirma ainda que alguns pacientes e médicos levam sua própria água para lavar as mãos e materiais cirúrgicos. Aponta que 64,2% informaram acesso intermitente a água potável e que 31,8 não contavam com água potável. Dito de outra forma: é possível observar que 64,2% dos hospitais venezuelanos têm acesso a água potável, sendo 35,8% com acesso contínuo. Nos 31,8% dos hospitais que não possuem água potável, é necessário verificar se a água disponível, embora não seja própria para o consumo, pode ser utilizada para a higienização das mãos. É importante ressaltar que dentre os materiais doados pela Opas à Venezuela, a água é um dos itens. Cabe ressaltar ainda que, o governo fornece água em caminhões pipas para os hospitais que registram falta de água. Deve ser considerado também que alguns hospitais da Venezuela contam com poços e tanques subterrâneos e de superfície. O HRW afirma que os enfermeiros não podem lavar as mãos por falta de água, sabão e álcool gel, porém, se contradiz ao dizer que os enfermeiros trazem estes materiais de casa. É certo que os materiais de higiene deveriam ser fornecidos pelos hospitais, porém, a atitude dos profissionais da saúde atenua a escassez destes itens nos hospitais e permite a higienização das mãos. 

No dia 21 de maio, mais de dois meses após o início da epidemia no país, um dirigente sindical médico informou que uma sondagem em 16 hospitais de Caracas revelou que havia escassez de água em 8 deles, de luvas em 7 e de sabão em 15. É significativo considerar a escassez de materiais como um problema e buscar soluções, no entanto, é preciso estar clara a diferença entre escassez e falta absoluta. Nesse sentido, é possível observar por essa pesquisa que os hospitais contam com os referidos materiais.  A pesquisa informou ainda que em 8 hospitais e centros de saúde de Caracas não possuíam máscaras e que 13 estavam reutilizando. O que a HRW não informa é que apenas 3 hospitais em Caracas atendem pacientes com COVID-19 e que esta cidade possui ao menos 18 hospitais e 24 postos de saúde. É bastante provável que as guarnições da cidade sejam dirigidas principalmente para os hospitais voltados para o tratamento da COVID-19, uma vez que o risco por contaminação por coronavírus é menor nos hospitais que não recebem casos suspeitos e confirmados. A pesquisa apresentada pela HRW distorce a realidade dos hospitais destinados à COVID-19, apresentando dados relativos a todos os hospitais. Dos 46 hospitais designados para o tratamento da COVID-19 na Venezuela, a HRW citou a falta de água apenas em um deles, o Hospital Universitário Antoni Patricio Alcalá. 

De acordo com a HRW, outra pesquisa publicada no dia 16 de maio indicou escassez de luvas em 57,14% do setor de saúde, de máscaras em 61,9%, de sabão em 76,19% e álcool e desinfetante em 90,48%. Esses números devem ser tomados com cautela, pois, a fonte do HRW foi o governo interino autoproclamado de Juan Guaidó. É possível observar que a desconfiança exercida sobre o governo de fato, de Nicolas Maduro, não é aplicada ao governo interino. Nesse sentido, percebe-se a proximidade existente entre a HRW e o governo opositor, principalmente quando essa organização cita conversas diretas com representantes do Congresso N*acional para confirmar suas afirmações. A HRW politiza ainda mais o tema, quando apela ao grupo de Lima, Estados Unidos e Europa que pressionem o governo de Maduro. Deve ser considerado, nesse contexto, que os Estados Unidos, assim como o governo opositor, realizam supostamente manobras armadas para depor o governo de fato da Venezuela. 

A HRW informa igualmente que no dia 9 de março, o governador de Zulia anunciou a investigação do médico Freddy Pachano, da Universidade de Zulia, por publicar tuítes sobre possíveis casos de COVID-19 no Hospital Universitário de Maracaibo. O governador indicou que se encarregaria de processar Pachano penalmente caso este tenha dado o alerta de forma equivocada. É possível observar que o processo penal está relacionado à difusão de uma informação falsa. Embora tenha publicado a detenção e a posterior liberação do médico, a HRW, assim como outros meios de comunicações considerados confiáveis, não confirmou que o tuíte do médico era verdadeiro. De forma análoga, no dia 21 de março, as forças especiais detiveram o jornalista Darvinson Rojas, depois que este informou possíveis casos de COVID-19. Rojas foi posto em liberdade condicional no dia 2 abril e o processo segue. A HRW, embora tenha noticiado a detenção, não confirmou tampouco a veracidade da informação prestada pelo jornalista. 

Filas em postos de gasolina

Embora reclamem da falta de informação, portais como a Folha de São Paulo, o site argentino Infobae e o portal venezuelano Banca y Negócios, registram a rotina de hospitais e postos de gasolina, dentre outros contextos, que fornecem informações para estudos de pequena escala que podem ser confrontados com os números oficiais. Tais reportagens focam principalmente no contato direto com as pessoas e na representação de contextos específicos. No dia 18 de abril, a Folha de São Paulo publicou uma reportagem intitulada “Desconfiança de dados oficiais da pandemia joga médicos venezuelanos na escuridão”, na qual entrevista a médica María Graciela López, que estava parada em uma fila de carros para abastecer o seu veículo. A médica aponta que estas filas são um local propício para o contágio, uma vez que pessoas ficam fora do carro, sem máscara e que vendedores ambulantes circulam entre os veículos. Citando como fonte a ONG Provea, a Folha de São Paulo aponta que 75% dos venezuelanos trabalham na economia informal. A reportagem trouxe ainda a opinião de Júlio Castro Mendes, porém, o jornal não informou aos leitores que esse infectologista pertence à comissão de cientistas formada pelo opositor autoproclamado presidente Juan Guaidó desde o dia 13 de março e que, nesse contexto, a opinião do entrevistado é enviesada pela política partidária. Ao contrário disso, a Folha afirma que Júlio Castro faz parte de uma “liga independente de médicos”, o que pode levar o leitor a equivocada interpretação de que a visão do infectologista é meramente técnica. A desconfiança em relação aos dados apresentados pelo governo Maduro levou o governo interino de Juan Guaidó e sua equipe a telefonar para cidadãos venezuelanos em busca de pessoas com sintomas de COVID-19 para que pudessem ser testadas. Até o dia 29/04, 474 pessoas precisaram de atenção especial, porém nenhuma delas foi confirmada com COVID-19.   

Aglomerações são, de fato, contextos que aumentam o número de pessoas contaminadas. No entanto, ao apresentar uma aglomeração, a Folha não é capaz de dizer o número de pessoas que foram ou que serão infectadas nestas filas em postos de gasolina. É esperado, contudo, que dos casos registrados, um número significativo seja de profissionais ligados aos serviços essenciais que estão autorizadas a seguir a vida laboral e que, por esta razão, necessitam ir a estes postos. Seguindo os casos diários anunciados pelo governo, o portal Efecto Cocuyo afirmou que a Venezuela possuía ao menos 35 profissionais de saúde contaminados pelo coronavírus no dia 20 de maio, sendo a maioria da missão cubana. Esses números revelam que os profissionais dos serviços essenciais são expostos, porém, dão indícios da baixa taxa de contaminação. Em comparação, o Estado da Bahia, que possui aproximadamente a metade da população da Venezuela, registrou um total de 1.852 profissionais da saúde contaminados no dia 22 de maio, dois dias depois. É importante ressaltar que dentro dos carros os profissionais estão mais protegidos e que o grupo que se encontra na fila possui maiores informações de prevenção à doença que a média da população, uma vez que muitos deles são profissionais da saúde. É importante lembrar igualmente que o uso de máscaras é obrigatório na Venezuela. Cabe destacar ainda que, em função da crise de abastecimento, apenas profissionais dos serviços considerados essenciais podem abastecer. Apesar das dificuldades resultantes da falta de combustíveis, como a dificuldade de translado dos próprios profissionais dos serviços essenciais, este cenário reduz a circulação de pessoas, o que contribuiu para a diminuição na curva de crescimento de casos. Embora seja um contexto que exija atenção por parte das autoridades, as filas em postos de gasolina na Venezuela não podem ser comparadas às filas para o recebimento do auxílio emergencial no Brasil ou no Peru, por exemplo. Saliente-se uma vez mais que embarcações iranianas chegaram ao país carregadas de combustível e aditivos. A falta de combustíveis na Venezuela é um reflexo do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a este país. Parte considerável das refinarias da Venezuela se encontra no país norte-americano. 

Entrevista com enfermeiros

 O portal venezuelano de notícias, Banca y Negócios, publicou entrevistas com cinco enfermeiros no dia 31 de março. O portal não apontou, no entanto, a forma como os entrevistados foram selecionados. Conforme a reportagem, pseudônimos foram utilizados para proteger a identidade dos entrevistados. As informações trazidas pelo portal devem, no entanto, ser tratadas com cautela, uma vez que o referido canal possui uma linha editorial contrária ao governo, politizando assim a temática. Na mesma matéria, o portal trouxe uma pesquisa da Comissão formada por Juan Guaidó, que aponta que 50% dos médicos venezuelanos receberam doações intermitentes de luvas e que 27% não contam em absoluto com este tipo de proteção sanitária. A sondagem indicou que 88% dos hospitais possuem serviços de água potável irregular e que 77% dos médicos entrevistados disseram que não há sabão em seus postos de trabalho.

O portal afirma que Jorge é um enfermeiro que trabalha em um hospital de campanha em Zulia, o Estado mais povoado da Venezuela. A cada atendimento, Jorge usa óculos de proteção usados, batas impermeáveis, luvas e máscaras para entrar na área cirúrgica. Jorge afirma que é uma experiência muito dura não saber se vai ou não ser contaminado. O enfermeiro diz igualmente que suas proteções são Deus, os equipamentos de trabalho e o seu conhecimento. Jorge notou uma melhora na disponibilidade de equipamentos sanitários e medicamentos no Hospital Universitário, porém, afirma que ainda está distante de estar pronto para atender múltiplos casos de pacientes portadores de COVID-19. O enfermeiro diz que “não estamos preparados ou não temos recursos para enfrentar a pandemia”. No hospital que Jorge trabalha, chegam pacientes que necessitam de respiração mecânica. 

O outro caso abordado pelo portal de notícias foi o de Geraldo, enfermeiro do Hospital Adolfo Pons, em Maracaibo, que havia atendido quatro pacientes com suspeitas de COVID-19 na sua unidade. O enfermeiro afirmou que lhe foi foram dados macacões descartáveis, toucas, batas de cirurgião e máscaras, mas que este equipamento não é adequado. Geraldo havia atendido quatro pacientes com suspeitas de coronavírus em sua unidade. O enfermeiro não notou melhorias nos equipamentos de proteção. Diz que os hospitais não se encontram dotados de material nem pessoal suficiente caso a situação piore. 

Marta é enfermeira do Hospital Materno Infantil Doutor Eduardo Soto Peña, de Maracaibo.    Marta conta que alguns dos seus colegas desertaram e que outros poucos dizem que não conseguem se transladar para o trabalho. Diz que o país está em risco por não possuir biosegurança. Contou que tratou de uma criança com suspeita de COVID-19. Afirma que precisou adquirir por conta própria a touca e a máscara usada no trabalho. Afirmou ainda que está seguindo o protocolo ao pé da letra, porém, sentiu-se menos segura no momento da entrevista quando repassou todos os detalhes.  Fernanda é enfermeira do Hospital Chiquinquirá de Maracaibo. Conta que atendeu uma criança com suspeita de coronavírus, que mais tarde foi testada negativo, sem nenhuma proteção. Diz que o hospital onde trabalha não dispõe de máscaras há muito tempo. Fernanda tem veículo próprio, mas em função da crise de abastecimento, está caminhando 45 minutos até chegar ao hospital. Assim como Marta, Fernanda diz se proteger com máscaras que ela mesma comprou. Diz que está sendo responsável, mas que pensa em aposentar as luvas. Jesus Manuel, enfermeiro do Hospital Universitário de Maracaibo, relatou uma situação na qual um médico lhe pediu para enviar uma mensagem para a área isolada onde se trata pacientes com suspeitas de COVID-19 sem o blindar com proteção ótima de biosegurança. De acordo com o enfermeiro, não houve melhoras no fornecimento de EPI. Pelos relatos é possível supor que os hospitais da Venezuela não dispõem de EPI's suficientes, como é o caso de diversos países no mundo. Apesar da insuficiência, enfermeiros se sentem seguros e responsáveis em seus atendimentos após adquirirem por conta própria equipamentos de proteção individual, como máscaras e toucas. Até o dia 31 de março, nenhum dos enfermeiros relatou óbitos por COVID-19 ou contato com pacientes contaminados, assim como relataram poucos episódios nos quais tiveram contato com casos suspeitos, o que indicia qualitativamente uma baixa taxa de mortalidade e contaminação nos respectivos contextos. Nenhum enfermeiro relatou que o número de pacientes que necessitam de respiradores pulmonares é maior que a quantidade disponível, o que indica que os hospitais não se encontram em colapso. Os enfermeiros não relataram dificuldade em relação à higienização das mãos, apesar da dificuldade de abastecimento de água no país. É possível observar igualmente que o temor de alguns destes enfermeiros é em relação a um suposto futuro no qual o número de pessoas contaminadas aumenta, o que indica uma baixa taxa de contaminação no momento da entrevista.  
Venezuelanos retornam ao país
Apesar da justa preocupação com EPI, o número de contaminados na Venezuela parece subir em função de outros fatores, notadamente em função dos imigrantes venezuelanos que regressaram ao país após terem sido contaminados pelo coronavírus na Colômbia, Brasil, Peru e Equador. No dia 24 de maio, a Venezuela registrou 111 novos casos, chegando a um total de 1.121 pessoas contaminadas por COVID-19. O governo lamenta a cada dia as 10 pessoas que morreram no país em função da pandemia. São 262 pacientes recuperados, o que resulta em 849 pessoas com o vírus ativo no país. Do total de novos casos, 18 foram de transmissão comunitária e 93 são de casos importados ou de contato internacional. Grande parte dos casos importados é de cidadãos venezuelanos que retornaram ao país, após terem deixado a Venezuela em função da crise política. De acordo com o governo, dos 1.121 casos confirmados, 843 são de contágios do exterior. 433 provêm de venezuelanos que foram infectados na Colômbia, 95 no Brasil, 49 no Peru e 36 no Equador, dentre outros. Dos casos importados registrados no dia 24 de maio, 73 vieram da Colômbia. Os casos de contato são em sua maioria de profissionais da saúde e segurança nos Postos de Atenção Social (PASI) localizados nas fronteiras.  Dos últimos 18 casos de transmissão comunitária divulgados chama a atenção para a persistência dos casos vinculados à academia de beisebol de Nova Esparta, assim como a quantidade de trabalhadores informais. Dentre eles, 3 eram comerciantes informais nos chamados mercado das pulgas no município de Maracaibo, no estado de Zulia, 2 comerciantes do mercado das pulgas do município de La Cañada de Urdaneta, igualmente em Zulia, e uma pessoa que havia comprado em um destes mercados em Maracaibo. Neste dia, o país havia aplicado 804.004 provas de diagnóstico. 26.800 provas por milhão de habitantes. Além disso, o governo está orientando o aumento destes testes nas regiões que apresentam maior aumento de casos comunitários.  

Dos 849 casos registrados até este dia, 475 receberam atenção em hospitais, 357 estão em Centros de Diagnóstico Integral (CDI) e 17 em clínicas privadas. Considerando que, em média, 5% dos casos apresentam sintomas graves, a Venezuela estaria com aproximadamente 50% dos respiradores ocupados. De acordo com Juan Guaidó e o seu apoiador, o presidente da Federação Médica Venezuelana, o país conta com aproximadamente 90 respiradores, porém, em entrevista ao Correio Braziliense, Guaidó afirmou que eram aproximadamente 300 respiradores. A taxa de crescimento da contaminação reduziu de março para abril. Na Venezuela, em 17 dias do mês de março, desde o primeiro caso, 143 pessoas foram diagnosticadas com COVID-19, resultando em uma taxa de aproximadamente 8,4 pessoas contaminadas por dia. Durante todo o mês de abril, 190 pessoas foram registradas com COVID-19, o que resulta em 6,3 pessoas contaminadas por dia. Porém, este número vem aumentando desde o dia 16 de maio, em função dos casos importados ou de contato com casos importados, o que representa 80% dos contaminados neste mês.    

O uso da Cloroquina, da Hidroxicloroquina e outros medicamentos na Venezuela 

Nos últimos dois meses, a OMS vem coordenando o estudo internacional Solidarity em 18 países, para avaliar a eficácia de distintos medicamentos no combate à COVID-19. Além da cloroquina e da hidroxicloroquina, estão sendo estudados o remdesivir, o lopinavir com ritonavir, e estes dois medicamentos associados ao interpheron beta-1a.  A hidroxicloroquina e a cloroquina passaram a ser utilizadas em diversos países como tratamento experimental após um ensaio clínico liderado por uma equipe de cientistas franceses ter determinado que a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina lograva curar 100% dos pacientes com o vírus. Porém diversos estudos, como os realizados em Harvard, nos Estados Unidos, e no Heart Center da Suíça, indicaram que não havia comprovação da eficácia destas drogas no tratamento de pacientes com COVID-19. O estudo mais contundente, porém, foi publicado pela revista britânica, “The Lancet”, e assegura que estes medicamentos diminuem a probabilidade de sobrevivência e aumentam a freqüência de arritmias ventriculares quando usado para o tratamento da COVID-19. Este foi o estudo mais amplo realizado com estes medicamentos. Em decorrência desta pesquisa, no dia 25 de maio, o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom, informou que os ensaios clínicos com cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19 foram temporariamente suspensos para que os dados de segurança sejam revisados. Cientistas da Solidarity irão avaliar a segurança do uso destas drogas a partir de dados próprios, assim como de outros sete estudos realizados. Os testes com remdesivir, lopinavir, ritonavir e interpheron beta-1a prosseguem.       

A Venezuela realizou tratamentos experimentais com cloroquina, o que levou alguns portais da internet a comparar o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, como seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, porém as realidades são completamente distintas. No dia 22 de maio, após o Ministério da Saúde do Brasil ter anunciado o novo protocolo para o uso mais amplo da cloroquina, o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, afirmou que a entidade não apoia o uso amplo para tratamento.   É possível observar que uma das preocupações da OMS, antes de suspender temporariamente os estudos com a cloroquina, era a amplitude. Neste sentido, Brasil e Venezuela apresentam usos bastante distintos da cloroquina, uma vez que o número de pessoas com vírus ativo era 215.302 em 25 de maio no Brasil, e apenas 859 na Venezuela. Dessa forma, é possível perceber a diferença de amplitude no uso da cloroquina nos distintos países, o que leva a OMS a dirigir preocupação especial ao Brasil.      

Na Venezuela, a cloroquina foi administrada com acompanhamento médico. Esta foi administrada em pessoas contaminadas e, de forma preventiva, em pessoas próximas a estas. O uso preventivo estava até aquele momento embasado em estudos da OMS. Em março, a cloroquina foi administrada em 77 pacientes contaminados com COVID-19 e 15 pessoas próximas a estes. Dentre os 77 pacientes, 75 apresentavam sintomas leves e dois apresentavam sintomas graves. O governo venezuelano afirma possuir estoque deste medicamento para atender 115 mil pacientes. Porém, o uso da cloroquina não está sendo intensivo em função do baixo número de pessoas com o coronavírus ativo na Venezuela. Cabe ressaltar que até o dia 28 de maio, 11 pessoas morreram por COVID-19, embora não se saiba se estas mortes estão relacionadas ao uso da cloroquina. Esta realidade é muito distinta à do Brasil, que registrou morte de pacientes decorrentes da alta dosagem de cloroquina administrada. Em estudos realizados pela equipe CloroCovid-19 em Manaus com 81 pacientes, foram administrados 600 ml de cloroquina em metade dos pacientes e 450 ml na outra metade. Após o óbito de 11 dos pacientes que tomaram as dosagens mais altas e de arritmia cardíaca apresentada por outros, o estudo foi interrompido. É possível observar que apenas um estudo realizado em uma cidade específica do Brasil levou a mesma quantidade de pessoas a óbito que o coronavírus em toda a Venezuela. Neste contexto, é importante ressaltar que a taxa de letalidade por COVID-19 no Brasil é de 6,2%, tomando como base o dia 25 de maio. Isto significa que 6,2% das pessoas que contraíram o coronavírus vieram a óbito. Na Venezuela esta taxa é de apenas 0,89%.     

Assim como os estudos citados sobre a cloroquina, a Venezuela está igualmente realizando estudos próprios com este medicamento. Além da cloroquina, a Venezuela realiza tratamentos experimentais com a hidroxicloroquina, lopinavir, ritonavir, interpheron alpha 2B (desenvolvido por Cuba). O lopinavir e ritonavir fazem parte dos estudos do Solidarity, autorizados pela OMS, conforme apontado. O interferon indicado pela OMS é o beta 1-a, diferentemente do alfa 2b, utilizado pela Venezuela, Cuba e China. Na Venezuela, a hidroxicloroquina era administrada apenas para crianças infectadas com o coronavírus. O governo afirma que estes medicamentos estão sendo administrados de acordo com os protocolos internacionais. Não é certo, no entanto, qual será a decisão do governo venezuelano, após a OMS ter suspendido temporariamente estes estudos. Os canais estatais da Venezuela, Telesur e VTC, noticiaram a decisão da OMS, sem apresentar contestações. O Ministério da Saúde do Brasil, por sua vez, já indicou que não mudará o protocolo de uso da cloroquina, apesar das recomendações da OMS. 

FONTES: 

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/05/22/oms-am-do-sul-e-um-novo-epicentro-e-nao-recomenda-uso-amplo-de-cloroquina.htm

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/05/12/interna_internacional,1146701/opas-demonstra-preocupacao-com-avanco-do-coronavirus-no-brasil.shtml

https://www.aporrea.org/venezuelaexterior/n354768.html

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51891467

https://espndeportes.espn.com/beisbol/mlb/nota/_/id/6906812/coronavirus-alcanza-beisbol-menor-en-isla-margarita-en-venezuela

https://cnnespanol.cnn.com/2020/04/20/alerta-detienen-a-director-de-academia-de-beisbol-en-venezuela-asociada-a-la-mlb-tras-contagio-masivo-por-coronavirus/

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2020/05/25/brasil-tem-sete-vezes-mais-contaminados-por-covid-19-do-que-mostram-as-estatisticas-oficiais-aponta-pesquisa-da-ufpel.ghtml

https://elpais.com/internacional/2020-04-24/los-agujeros-del-coronavirus-en-venezuela.html

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/04/desconfianca-de-dados-oficiais-da-pandemia-joga-medicos-venezuelanos-na-escuridao.shtml

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2020/04/29/interna_mundo,849440/sistema-de-saude-venezuelano-colapsou-diz-juan-guaido-ao-correio.shtml

https://efectococuyo.com/coronavirus/al-menos-35-miembros-del-personal-sanitario-esta-contagiado-de-covid-19-20may/

http://www.bancaynegocios.com/enfermeros-de-venezuela-en-alto-riesgo-frente-al-covid-19-por-falta-proteccion-sanitaria/

http://mppre.gob.ve/2020/05/24/numero-contagios-covid-19-venezuela-1121-casos/

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/05/oms-suspende-estudo-com-hidroxicloroquina-para-avaliar-seguranca.shtml

https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk01BkkCbnnM5Qv7XK00GVtbIQ3BUxw%3A1590527499913&ei=C4bNXsmTN4-x5OUPje2ZkA0&q=uol+cloroquina+manaus+alta+dosagem&oq=uol+cloroquina+manaus+alta+dosagem&gs_lcp=CgZwc3ktYWIQAzoECCMQJzoECAAQQzoHCCMQ6gIQJzoCCAA6BQgAEMsBOgcIABAKEMsBOgYIABAWEB46CAgAEBYQHhATOgUIIRCgAToECCEQFToHCCEQChCgAVDkA1igM2DsNmgBcAB4AoAB1wOIAdhJkgELMC4xMC4xMy44LjSYAQCgAQGqAQdnd3Mtd2l6sAEK&sclient=psy-ab&ved=0ahUKEwiJxYzVuNLpAhWPGLkGHY12BtIQ4dUDCAw&uact=5

https://www.infobae.com/america/venezuela/2020/05/27/human-rights-watch-y-la-universidad-johns-hopkins-aseguraron-que-venezuela-miente-sobre-cifra-de-muertes-por-coronavirus-habria-30000-fallecidos/

https://www.hrw.org/es/news/2020/05/26/venezuela-necesita-ayuda-humanitaria-urgente-para-combatir-la-covid-19

https://www.google.com/amp/s/www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/04/13/estudo-com-cloroquina-e-interrompido-apos-efeitos-colaterais-em-pacientes.amp.htm

https://www.telesurtv.net/news/oms-suspende-ensayos-hidroxicloroquina-coronavirus-20200525-0038.html

https://www.vtv.gob.ve/oms-ensayos-clinicos-hidroxicloroquina-pacientes-covid-19/

https://www.google.com/amp/s/www.bbc.com/portuguese/amp/internacional-51542671

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