O dia das Plaisanteries

Um dia comum para o comércio, mas incomum para a vida das pessoas. Verdades viram mentiras e mentiras são pronunciadas com um enorme e insaciável desejo de serem as mais puras verdades

Um dia comum para o comércio, mas incomum para a vida das pessoas. Verdades viram mentiras  e mentiras  são pronunciadas com um enorme  e insaciável desejo de serem as mais puras verdades
Um dia comum para o comércio, mas incomum para a vida das pessoas. Verdades viram mentiras e mentiras são pronunciadas com um enorme e insaciável desejo de serem as mais puras verdades (Foto: Ricardo Fonseca)

O 1° de abril é o dia mais lembrado depois do Natal e Réveillon, pelo menos no Ocidente. Um dia comum para o comércio, mas incomum para a vida das pessoas. Verdades viram mentiras  e mentiras  são pronunciadas com um enorme  e insaciável desejo de serem as mais puras verdades.

Uma grande “ bacanagem” (pegadinha bacana) com o rei francês Carlos IX (1560-1574), que festejava o início do ano no dia 25 de março (daí no nome da principal rua do comércio de São Paulo). A balada era tão boa que durava uma semana naquela época  e, pasmem! Terminava  exatamente no dia 1 de abril. 

Para acabar com a brincadeira pagã, o Papa Gregório XIII (daí que surgiu o canto gregoriano), instituiu um novo calendário (mas não aquele de borracharia com mulheres peladas que conhecemos) , onde o ano se iniciava no dia 01 de janeiro (como bebemoramos até hoje ).

Injuriado com a mudança  papal, o fanfarrão Carlão IX, passou doís anos “cagando e andando” pra determinação do sumo pontífice, só acatando “tal decisão” em 1564 (Coincidentemente 4 séculos depois viria o famoso golpe de estado brasileiro). Mesmo assim, voltando a idade média, alguns “coxinhas franceses”, resistiram e mantiveram a data da farra no dia 1° de abril.

Começou então uma “guerrinha do bem” entre os gozadores que acataram a determinação papal e, os coxinhas conservadores que resistiam a calendário novo. Os “bobos de abril”, como eram conhecidos, começaram a receber presentes estranhos e convites para festas inexistentes, como forma de protesto pelo desacato à “ lei do Gregorão”. Com o tempo, essa galhofa  do “dia das Plaisanteries” (dia das piadas) virou “febre”, tomou conta da França inteira, depois migrou para a Inglaterra e, migrou por fim pro mundo inteiro.

Graças ao dia de Plaisanteries é que gargalhamos todos os dias com os “bobos do ano inteiro”, os nossos humoristas. Mas precisamente no dia 1° de abril, que foi aportuguesado como “o dia da mentira”, que vemos ou ouvimos coisas interessantíssimas.

As manchetes que muitos gostariam de ver nesse 1° de abril:

Dilma renuncia e Aécio Neves assume a presidência do Brasil.

Lula e Dilma sabiam que a Petrobras era furtada e não fizeram nada.

Gasolina e a energia elétrica cairão 70% no mês de maio.

O dólar caiu vertiginosamente para 0.99 centavos.

FHC perguntou pro seu espelho mágico de cabeceira: “Espelho, espelho meu, quem roubou mais do que eu?". E o refletivo responde na bucha: “Foi FHC”, e mostra a famosa fotinho dele com a seta desenhada no cartaz.

Agora as manchetes que eu gostaria de ver nos jornais hoje:

Avião da Germanwings quase cai nos alpes franceses.

Dilma contém a inflação e retoma o crescimento do Brasil.

Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor, Guilherme Fiúza, Danilo Gentilli, Lobão e Cia dos profetas do Caos virarão os meninos maluquinhos do Brasil em longa dirigido por Ziraldo.

Piadas à parte, vou contar um pouco de verdade. No ano de 1994, meus pais viajavam a Belém e fiquei com meus irmãos cuidando em casa (não fui por conta dos estudos). No dia 1° de abril, eles telefonaram perguntando se estava tudo bem. Não mais que de repente utilizei-me dos “bobos de abril” e lhes disse que tinham furtado a minha bicicleta novinha. Como? Perguntou meu pai preocupado. Disse-lhe que não sabia como. Passaram-se 24hs depois e na manhã seguinte, eis que fui andar na bendita. E para minha alegria (só que não!)... tinham mesmo roubado a “biriba” (bicicleta em maranhês). Nunca consegui entender ao certo como isso aconteceu. Moral da história:

Nunca conte uma mentira com realismo exacerbado. Pois logo, logo, antes que você acredite, a danada se tornará uma verdade verdadeira.

Feliz #diadamentira.

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