O genocídio Yanomami e a tradicional família brasileira: lições estéticas de necropolítica

"Se eles não se conscientizarem, pelo menos serão cruamente desmascarados e envergonhados publicamente como aquilo que realmente são: NAZIFASCISTAS"

www.brasil247.com - Invadida por garimpeiros e abandonada pelo governo Bolsonaro, Terra Indígena Yanomami sofre com malária, contaminação por mercúrio e desnutrição severa
Invadida por garimpeiros e abandonada pelo governo Bolsonaro, Terra Indígena Yanomami sofre com malária, contaminação por mercúrio e desnutrição severa (Foto: Condisi-YY/Divulgação)


A máxima popular segundo a qual “uma imagem vale mais que mil palavras” nunca pode ser subestimada. Na verdade, a sua aplicação aponta para um fato que jamais poderia ser desprezado quando se fala em política e cultura: o papel fundamental da ESTÉTICA como argumento definitivo contra toda uma guerra incansável de narrativas, discursos, contra-argumentos, retóricas, versões, interpretações, falas, ruídos.

O nazismo de Hitler só começou a ser repudiado INCLUSIVE pela população e pela família tradicional no conforto de seu lar a partir do momento em que os campos de extermínio foram cruamente revelados ao mundo. Quando saíram das discussões de ética (e de uma suposta dialética) e foram colocados no patamar da ESTÉTICA cruenta. 

Até então, toda uma intrincada rede de discursos fez com que se acreditasse que Hitler era alguém com quem se pudesse dialogar, e que o nazismo e os nazistas eram uma ideologia com pessoas que apenas tinham uma visão de mundo tão respeitável quanto qualquer outra. 

Embora os campos de concentração tenham começado a ser instalados pelo menos em 1933, foi apenas em 6 de abril de 1945, às vésperas do fim da II Guerra, que se disparou o relógio que finalmente iria ferir a sofisticação e mesuras da mídia mundial. 

O caso se deu quando os soviéticos e estadunidenses descobriram o campo de Ohrdruf, um anexo de Buchenwald, com corpos de prisioneiros executados se amontoando em putrefação e outros tantos corpos em estágio inicial de incineração. Coube ao fotógrafo Eric Schwab e ao correspondente de guerra Meyer Levin o registro implacável das cenas tétricas e infames.

Pouco depois, o então comandante Eisenhower, que viria a tornar-se presidente dos Estados Unidos, foi levado ao local, e, sob sua ordem, as fotos foram finalmente publicadas na grande mídia. As imagens até então registradas e encontradas eram censuradas e não podiam ser exibidas em nenhum meio público. A censura, é óbvio, pelo fato de que não se podia ferir o verniz de polidez e “civilizatura” (compreenda-se o neologismo) da família confortável. 

O primeiro jornal a publicá-las, depois da visita dos comandantes estadunidenses, foi o francês Ce Soir. Certamente a tradicional família francesa em sua mesa de déjeuner se viu conspurcada e nauseada pelo ciclópico mau gosto fumegante da imagem de pilhas de defuntos em decomposição plantados em valas cadavéricas e ainda chamuscando pela intermediação das indiferentes, científicas, industriais e burocráticas piras crematórias.

Finalmente, conseguiriam ferir a implacável insensibilidade da túrgida, indiferente, apática e normótica “opinião pública” e da tradicional família normótica mundo afora. 

Pois é isso que precisa acontecer. As autoproclamadas elites brasileiras, que são a parte frustrada e fracassada que compõe os bolsonaristas que detestam ver seus micropoderes de raças arianas dos trópicos serem pulverizados, precisam ser bombardeadas com imagens de um mau gosto titânico para, TALVEZ, se sensibilizarem com os resultados da NECROPOLÍTICA e do NECROPODER que o nazifascismo bolsonarista traz consigo.

A opinião pública brasileira – que se choca com a vida do embrião de uma menina de 11 anos que faça aborto por ter sido estuprada, mas dá de ombros para crianças na rua passando fome – não é exatamente fácil de se sensibilizar com algo.

Mas é preciso denunciar. Com palavras e imagens. Como eu costumo dizer, a estética atua com total eficácia onde os discursos costumeiramente gaguejam e falham. É preciso denunciar com veemência não só a ética da barbárie, mas também a inevitável estética que ela projeta e produz.

Essa micro-oligarquia brasileira, de coração duríssimo como talvez em nenhum outro lugar do mundo, se assemelha àqueles peixes miúdos do conto de Brecht, que são doutrinados a irem voluntariamente servir de refeição ao intestino dos tubarões na esperança de que ali se encontre o “paraíso” do além-vida. É uma metáfora do arremedo de transcendentalismo metafísico que polui as mentes salvacionistas das elites brasileiras. 

E, no caso, comportando-se como as próprias religiões pré-cristãs que essas mesmas elites tanto repudiam, tais elites oferecem sacrifícios humanos – negros, homossexuais, mulheres ou indígenas, como tem sido feito desde a invasão portuguesa no século XVI – como oblações de carne viva a seus ídolos, metafísicos. Mas também ídolos físicos. O “mito” está aí, afinal, para receber carne humana no seu altar lúgubre.Um elemento comum aos nazifascismos mundo afora, com todos os nomes que se ensaiam para fantasiar essa ideologia desprezível, é o fato de que o seu “projeto” de civilização se pauta no EXTERMÍNIO como “solução” (e “solução FINAL”, ou “Endlösung”, na ideia de Hitler; e não apenas dele...).

Caberia a pergunta retórica a cuja resposta já chegamos há muito tempo: extermínio DE QUEM, DE QUÊ? 

Extermínio de tudo e de todos que fujam do espartilho estrangulado da NORMOSE. Daí a razão por que esses regimes precisam com tanta ênfase contar com “gurus” como Joseph Goebbels, Olavo de Carvalho e Steve Bannon para repisarem incansavelmente uma pseudoética baseada no ato de sublinhar o rígido código de moral fantasiosa que alcança, necessariamente, altitudes teológicas e metafísicas. 

O “Brasil acima de tudo” e o lema nazista da “Alemanha acima de tudo” (“Deutschland über alles”) não são, definitivamente, “coincidências retóricas”, como o secretário de cultura Roberto Alvim disse (sobre o seu próprio discurso como um todo) ao ser demitido do governo Bolsonaro após sua encenação do dia 17 de janeiro de 2020. Foi demitido não por agasalhar aquela “coincidência retórica” com o nazismo, mas por ter sido explícito demais em sua estética nazista, revelando, descuidadamente, as entranhas que a “ala ideológica” do bolsonarismo (apascentada por Olavo de Carvalho) sempre tentou cuidadosamente maquiar. 

O “Deus acima de todos” do bolsonarismo, da mesma forma, cria uma petição de princípio e a necessária pergunta: QUAL é, afinal, esse Deus de que se está falando? E outra pergunta decorre desta: QUAIS outros Deuses precisam ser eliminados ou sacrificados em nome deste único Deus? O que é essa “pátria” acima de tudo que o nacionalismo bolsonarista venera?

Na sociedade contemporânea, já se desmascarou que por trás de todo patriotismo aguerrido se esconde uma forma de regime totalitário. “Nazi”, de “nazista”, é bom lembrar, é uma abreviação de “Nazionalismus”. A comunidade internacional caminha, apesar da pesada contracorrente neoliberal e seus tentáculos tão mortíferos quanto em franco declínio, do nacionalismo em direção ao cosmopolitismo (o “globalismo” que a “ala ideológica” bolsolavista tanto teme); do protecionismo em direção ao multiculturalismo; do conservadorismo em direção à inclusividade; da normose em direção à quebra de paradigmas, em uma palavra. 

Pois esse “Brasil” (“acima de tudo”) e esse “Deus” (“acima de todos”), com o tipo de “pátria” e de “patriotismo” que resultam desse caldo, apontam com transparência para o que DEVE permanecer venerado e o que DEVE, como consequência, ser EXTERMINADO. 

DEVE ser venerado tudo o que, na longa tradição mercantil-salvacionista colonizatória do Brasil, tem se perpetuado no poder. Num rápido bosquejo, tudo o que for eurocêntrico, heteronormativo, patriarcal, machista, branco, racista, judaico-cristão, conservador, normótico. Esse retrato da classe MÉDIA (normose e mediocridade são sinônimos) se coloca a si mesmo na posição de CENTRO ou de HEGEMONIA. Como mera consequência, por seus pensamentos e ações, acotovela a tudo e todos que não se enquadrem nesse seu autorretrato, empurrando-os para as posições de PERIFERIA, MARGEM, MARGINALIDADE, NÃO HEGEMONIA.

Ou, na expressão de Achille Mbembe: para as ZONAS DE EXCLUSÃO. 

Em recente e-mail, meu amigo e professor da Universidade de Copenhague Georg Wink me escrevia sobre o 8 de janeiro de 2023, respondendo a outra coluna que escrevi aqui: “Foi exatamente a mesma sensação (de terror) quando aprendi pelas minhas leituras que liberalismo e conservadorismo e autoritarismo, dentro do contexto estrutural do Brasil, quer dizer exatamente a mesma coisa... Qualquer relativização desvia do problema central”.

Pois é aqui que entra, gloriosa e heróica, monumentalizada e épica, como os bumbos nazifascistas gostam de trombetear, a NECROPOLÍTICA. O conceito é colhido do mesmo incontornável pensador camaronês das vertentes pós-colonialistas Achille Mbembe.

A necropolítica é basicamente a política de Estado posta a serviço da gestão da morte. Matar e exterminar como política de Estado. Matar a tudo e todos que estejam na ZONA DE EXCLUSÃO. 

A genealogia da ideia de necropolítica, como sabemos, parte das ideologias que propagavam as origens “científicas” do racismo, pautadas no darwinismo social, como é o caso de toda uma estirpe de pensadores brasileiros que seguiram o diplomata francês Arthur de Gobineau, pós-século XVIII.

Muito mais recentemente, aportamos nos estudos de Foucault da década de 1970, a respeito da passagem do que ele chamou de “Estado soberano” para o “Estado moderno”. São as práticas “administrativas” dos Estados que se empenham em definir e determinar o que são as “vidas viáveis” e quais aquelas que, ao contrário dessas, “inviáveis”, devem ser deixadas ao relento e ao rocio para definharem até a morte. Ou, mais diretamente, devem ser empurradas para a morte, abreviando-lhe a chegada. 

São obras conhecidas de Foucault a esse respeito os clássicos da década de 1970 “O nascimento da biopolítica”, “Em defesa da sociedade” e “Segurança, território, população”.

Basicamente, o que Foucault nos diz é que, no Estado soberano, existe a administração de vidas e mortes a partir do corolário “Fazer morrer, deixar viver”. No Estado moderno, o axioma se inverte, dissimulando-se, e se transforma numa sentença mais “piedosa” que consiste em “Fazer viver, deixar morrer”. 

A obra “Não me abandone jamais”, do vencedor do prêmio Nobel Kazuo Ishiguro, tem essa questão, entre muitos outros aspectos subjetivos, antropológicos e psicanalíticos, como pano de fundo. O livro foi adotado, recentemente, como obra de referência para o Vestibular da UERJ, onde sou professor adjunto.

Já a necropolítica, para além da biopolítica, se escancara para a pura, irrestrita e exclusiva gestão da MORTE, retirando de seu horizonte a feição da VIDA e mesmo a preocupação para com esta. 

Na necropolítica, confessa-se o “Fazer morrer, deixar morrer” como mote a ser seguido pela administração estatal. E – é muito importante frisar – não apenas estatal, já que a necropolítica se encharca até os ossos dos postulados neoliberais, um dos quais de importância capital (com trocadilho): a privatização das funções de Estado. Assim, “fazer morrer e deixar morrer” passam a poder ser exercidos também por qualquer cidadão comum, organizado ou não em células paramilitares, como as narcomilícias.

MATAR, antes função de Estado, a quem cabe “vigiar e punir”, voltando a Foucault, passa a ser TAMBÉM ofício terceirizado e privatizado. Por isso a fixação ostensiva do nazifascismo bolsonarista em armar até os dentes os “cidadãos de bem”, que nada mais são do que os agentes do nazifascismo fora das zonas de exclusão. 

É válido lembrar que, numa sociedade tão estratificada e de feição colonial como a brasileira, a privatização da função de matar não é privilégio dos dias modernos. Muito pelo contrário, se prolonga desde os anos 1500. Sabemos o que os capitães do mato, os bandeirantes e assemelhados faziam sob ordem dos donos do poder do colonialismo, do neocolonialismo e do NAZICOLONIALISMO (o neologismo é necessário)... A propósito, os “conservadores” à brasileira costumam se vangloriar dessa “tradição” tão antiga no modus operandi brasileiro para “argumentarem” e “justificarem” suas ações de EXTERMÍNIO e o gozo que essas lhes causam. 

O genocídio Yanomami, que já estava denunciado no Tribunal Penal de Haia, precisou ser mostrado sem nenhum filtro ao Brasil e ao mundo. 

Um dos pressupostos para que se acolha uma denúncia de crime contra a humanidade, nesse Tribunal Internacional, é o fato de que é preciso provar que o genocídio não foi decorrente “apenas” de desleixo ou descaso (o que no direito conhecemos na tríade “imprudência”, “negligência” e “imperícia”). É preciso provar que o genocídio proveio de ação deliberada, premeditada, calculada e corporificada, com intuito de matar. 

Digamos que só é aceito o DOLO, nunca sequer o DOLO EVENTUAL. 

“O processo”, de Kafka, se enojaria do artifício...

Seria o caso de questionarmos a esse questionável Tribunal pela arguta visão de Mbembe: “DEIXAR morrer” não é suficiente? É preciso que se capture o “FAZER morrer”?

Se sim, é preciso questionar: QUANDO uma suposta OMISSÃO passa a configurar AÇÃO?

E questionar ainda: OMISSÃO e AÇÃO, no caso da gestão de morte, já por si só deliberada, premeditada, calculada e corporificada, não são sinônimos no mais alto grau?

Se, num campo de concentração, Hitler e seus asseclas produzissem morte por execução brutal com um tiro de fuzil na cabeça ou “apenas” deixando que os prisioneiros morressem de fome ou frio, haveria de se fazer distinção entre um e outro “tipo” de morte? 

O Tribunal Penal de Haia teve como seu primeiro condenado o congolês Thomas Lubanga Dyilo, que recrutava menores de 15 anos para a guerra civil instaurada no Congo após o assassinato do presidente eleito Lumumba, quando da saída da Bélgica de sua fazenda particular, o Congo.

Dyilo foi condenado à prisão perpétua e ficou conhecido internacionalmente como “o senhor da guerra”.

O causador do caos civil-militar no Congo, o rei belga Leopoldo II (aconselho o excelente documentário britânico “O fantasma do rei Leopoldo”), este também “o senhor da guerra”, ensejou, juntamente com Hitler, a necessidade de abertura de uma Corte Internacional de Direitos Humanos, que foi o Tribunal de Haia. Os casos dos crimes atrozes de Leopoldo II foram julgados antes mesmo dos crimes de Hitler. 

Daí um congolês ter sido o primeiro condenado. Apenas a título de reflexão: por que um congolês e não um belga? 

Porque os congoleses todos estão nas zonas de exclusão, na periferia, à margem, nas áreas não hegemônicas. Simples assim.

Para terminar, não é preciso postular pelo conceito junguiano de Inconsciente coletivo para, com o auxílio da psicanálise, compreendermos que o Inconsciente desconhece fronteiras espácio-temporais. Nesse sentido, como lembram Carla Rodrigues, Abdias Nascimento e Conceição Evaristo, toda a máquina estatal e paraestatal de extermínio de escravizados e indígenas no Brasil permanece palpitante até hoje na paradoxal cognição brasileira.

A pulsão de morte – tanto como prática da biopolítica de Foucault, quanto como prática da necropolítica de Mbembe – vê sempre seu aggiornamento quando a classe média brasileira, herdeira do coronelismo e tenentismo das capitanias hereditárias, exulta triunfante com a chacina deslavada de negros e negras das periferias, das zonas de exclusão.

Essa mesma classe média, bêbada pelos pressupostos neoliberais, acredita piamente (com trocadilho) que “SUAS” liberdades individuais são REALMENTE superiores às liberdades coletivas, porque ela foi doutrinada, desde o pré-capitalismo do século XV até os grandes eventos neoliberais ultramodernos (como o Colóquio Walter Lippmann, de 1938, Mont Pélerin Society, de 1947), que é a representante da raça ariana dos trópicos, dos brâmanes brasileiros. 

O neoliberalismo (essa é uma outra longa história) surgiu em grande parte já por causa da decadência administrativa do sistema capitalista, acusado por exemplo em 1929, com a quebra da bolsa de Nova Iorque. Posteriormente, em 2008, no mesmo território estadunidense (por que será?!) com a necessária INTERVENÇÃO ESTATAL (que blasfêmia!) para salvar o mercado tão “autossuficiente”. E, agora, no Brasil, com a “falência” das Lojas Americanas, que colocam mais uma vez o Estado (mas o Estado não é “o mal”?) como refém e SALVADOR do capital privado... O mantra neoliberal de “Delenda Carthago” já virou estória (o neologismo cabe) para boi dormir...

Nessa fabulação de urdiduras sórdidas, que tomam para si os “argumentos” de que são enraizadas na “tradição” e no “conservadorismo” de “Deus, pátria e família”, é preciso ser contundente e calar com loquacidade os rios de tinta e de saliva que se derramam para defender com retórica o que NÃO TEM DEFESA. 

É preciso que imagens cada vez mais sem a menor indulgência ou clemência sejam mostradas por todo o mundo.

A crise do neoliberalismo, como toda crise política, é antes de tudo uma crise ESTÉTICA. 

A necropolítica sempre se valeu da estética como seu arsenal mais perigoso, letal e poderoso. 

O contra-ataque não pode abrir mão desse seu recurso eficaz e eficiente, efetivo e afetivo.

Só com o auxílio da estética é que se poderá fazer frente à pós-verdade que inebria os “cidadãos de bem” nos grupos de Zap. 

Se eles não se conscientizarem, pelo menos serão cruamente desmascarados e envergonhados publicamente como aquilo que realmente são: NAZIFASCISTAS.  

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