O mundo fake da política

"Se é verdade que acertou na escolha do veículo de comunicação, errou profundamente no conteúdo. As imagens do carnaval que ele escolheu para tuitar não são compatíveis para distribuição através de um presidente da República", diz o colunista Hayle Gadelha; "Diz coisas como: 'que impeçamos para sempre que o mal que esteve tão perto de destruir nosso país volte com força. Defeitos, todos temos, mas a maldade formada para destruir é nata e organizada apenas por um lado'. Na verdade, o que Bolsonaro está fazendo, isso, sim, é pura maldade!", acrescenta

O mundo fake da política
O mundo fake da política (Foto: Alan Santos - PR)

Desde que o mundo é mundo e a política é política que existem as fake news (sem esse nome, claro). E existe aí o filme Monty Python que não me deixa mentir. Quem viu deve lembrar de Brian, um homem da Judeia que “vira” Jesus Cristo, depois de fingir ser um pregador. Como ele fisicamente parecia com Jesus, tínhamos aí uma grande “verdade”. No real dos dias de hoje, com alta tecnologia, whatsapp, facebook, instagram, etecetera e tal, é tudo igual. Você pensa que está vendo uma coisa, mas está fora do real.

Veja, por exemplo, o caso recente na Venezuela. Um dos baluartes da comunicação golpista de Juan Guaidó eram as imagens de “homens de Maduro” incendiando, destruindo, os caminhões com alimentos e primeiros socorros que a oposição teria providenciado, de governos muy amigos. Havia até imagens “comprovando” isso. Mas o jornal The New York Times conseguiu recuperar o momento exato do início do incêndio com homens da oposição lançando tochas incendiárias na direção dos soldados do exército venezuelano. Uma delas (talvez até por engano) caiu dentro de um dos caminhões com alimentos (não haveria remédios, como teria sido divulgado), provocando o famoso incêndio. Guaidó teria obviamente se aproveitado da situação para lançar um pacote de inverdades contra Maduro. Do ponto de vista do jogo político pesado, fez apenas o normal.

Aqui no Brasil a mídia digital ganhou destaque especial com a vitória de Jair Bolsonaro para a Presidência da República, graças em grandíssima parte à sua excelente utilização no período eleitoral. Tem-se que tirar o chapéu.

Agora, depois de eleito, Bolsonaro voltou a utilizar a mídia digital (notadamente o whatsapp) para se comunicar, uma atitude absolutamente correta. Mas, se é verdade que acertou na escolha do veículo de comunicação, errou profundamente no conteúdo. As imagens do carnaval que ele escolheu para tuitar não são compatíveis para distribuição através de um presidente da República. Errou até mesmo considerando o seu público preferencial, de base popular – que certamente compartilha com ele a perplexidade diante das imagens, mas que dificilmente aprova um presidente da República contribuindo para a sua difusão. Ficou até parecendo que o real é puramente fake. Mas é apenas política – política mal feita...

Em tempo. Bolsonaro acaba de fazer mais uma de suas tuitagens, como revela o Brasil247. Diz coisas como: “que impeçamos para sempre que o mal que esteve tão perto de destruir nosso país volte com força. Defeitos, todos temos, mas a maldade formada para destruir é nata e organizada apenas por um lado”.

Na verdade, o que Bolsonaro está fazendo, isso, sim, é pura maldade! 

Veja também no NYT.

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