O país precisa de perspectivas frente ao governo de desastre nacional

Até o momento, nada indica que esse governo possa aguentar até 2018. Está destinado a ter a desconfiança crescente da população. A própria mídia nacional, zelosa com o golpismo, é desmentida e desmoralizada com a cobertura internacional do que ocorre no país

Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Marcello Casal Jr/Agência Brasil) (Foto: Walter Sorrentino)

Jamais se imaginou em tão curto espaço de tempo tamanha dessintonia entre o governo interino e a sociedade. O governo Temer se mostra desastrado, derruba expectativas das conquistas de mulheres, jovens e negros, combate o SUS e o respeito entre países sul-americanos, faz desfeita aos setores culturais, ataca a preparação das Olimpíadas e ameaça de criminalizar as lutas sociais. A lista é interminável.

Amparar um governo em negatividades raivosas não pode ir longe. A primeira de todas, contra a democracia e a Constituição. Às quais se seguem o desmonte, a perda de direitos da previdência, do trabalho, do Bolsa Família, e as medidas antinacionais das privatizações.

Estava claro que isso ocorreria porque é um governo ilegítimo, que não nasce de um debate eleitoral, mas de um golpe. Ainda mais porque é um governo voltado para a base congressual, do centrão e da antiga oposição. É meridianamente claro que o polo de união dos golpistas era o golpe mesmo – tirar Dilma – e a política econômica de "notáveis". O resto é um caldeirão de contradições.

Presidente fraco, disputas na base no Congresso, papel de Cunha como fiador do governo. Sete ministros implicados na Lava Jato. Núcleo duro tem sete PMDBistas da pesada, e 6 da antiga oposição. É a escória golpista, um amontoado de bucaneiros.

Mas nem mesmo a política econômica vai soldar unidade e gerar expectativa. Nela não há nada de notável e de notáveis. Envereda pelo caminho da dominância fiscal, que só aponta para recuperação econômica após 2018 e tergiversa quanto à necessidade de aprovar a CPMF ou elevar a alíquota da CIDE. Vai aliviar a carga de governadores e prefeitos, agravando a questão fiscal, ao mesmo tempo em que desobriga-os aos gastos em saúde e educação. Vai gerar atritos e grande reação da sociedade, ainda mais em ano eleitoral como este de 2016.

A indústria e comércio estão nas mãos de deus, outros órgãos nas mãos do Barão da Mooca no Itamaraty, outros em disputa quanto a quem vai gerir as privatizações, outros ainda no planejamento. Uma algaravia.

Enfim, até o momento, nada indica que esse governo possa aguentar até 2018. Está destinado a ter a desconfiança crescente da população. A própria mídia nacional, zelosa com o golpismo, é desmentida e desmoralizada com a cobertura internacional do que ocorre no país.

Custa a crer que o governo imagine ser a representação da plutocracia brasileira que quer conduzir o país aos mares do liberalismo. No máximo vai ser tolerado para fazer o serviço sujo e aplainar o caminho para o choque liberal. Mas será uma opção perigosa: pode não se viabilizar e nada garante que, com seu fracasso, deixe caminho para a plataforma eleitoral vencer eleições.

Quanto às forças democráticas e progressistas, não devem esperar até 2018 para disputar rumos do país. Ao lado da luta contra o impeachment no Senado e da oposição frontal ao governo ilegítimo, precisam debater mais a proposta de antecipar eleições presidenciais como desfecho para a crise. Um movimento pelo plebiscito para indagar isso dos eleitores é o caminho de manter elevada a resistência democrática, alcançar mais votos no Senado e confrontar o governo Temer. Trata-se de dar perspectiva política sobre qual o rumo se derrubado o impeachment. A soberania do voto popular é o caminho para o desfecho da crise brasileira.

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