O povão não foi às ruas

Só os tolos – e os imbecilizados pelo noticiário manipulado e por discursos demagógicos – acreditam que as manifestações de domingo representaram o sentimento do povo brasileiro

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Só os tolos – e os imbecilizados pelo noticiário manipulado e por discursos demagógicos – acreditam que as manifestações de domingo representaram o sentimento do povo brasileiro. Somente eles não enxergam (há um velho dito segundo o qual o pior cego é aquele que não quer ver) que as manifestações foram organizadas por grupos ligados ao PSDB e orquestradas pelas lideranças do partido, os verdadeiros interessados no afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Nem precisam queimar os poucos neurônios para verificar que alguém – ou um partido – pagou as enormes despesas das manifestações com a confecção de camisetas, faixas, cartazes, bandeiras e até um boneco que custou R$ 12 mil, além de trios elétricos.

Não foi um movimento nascido no seio do povo, mas nos porões do ninho tucano. Por isso, o número de manifestantes foi decepcionante, não correspondendo à expectativa dos seus idealizadores e organizadores. Mesmo admitindo-se que um milhão de pessoas tenham saído às ruas, o que foi contestado pela PM e o DataFolha, esse número não representa o pensamento de uma população de 200 milhões de habitantes e, também, não pode sobrepor-se à vontade dos 54 milhões que elegeram Dilma. O ex-presidente FHC sabe disso mas teve o cinismo de afirmar que "o mais significativo das demonstrações é a persistência do sentimento popular de que o governo, embora legal, é ilegítimo". Só mesmo um homem descomprometido com a democracia e que zomba da inteligência do povo brasileiro pode considerar ilegítimo um governo eleito com 54 milhões de votos.

Depois de dizer que a Presidenta deveria ter um "gesto de grandeza" e renunciar, FHC, que antes pregava o impeachment, profetiza que caso não faça isso ela terá dias piores pela frente, "até que algum líder com forca moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais". Ainda bem que ele reconhece não ser esse líder com força moral para dizer o mesmo a Dilma. Até porque quem fez aprovar, por meios condenáveis, uma emenda constitucional que beneficiou a si próprio com mais quatro anos de mandato não tem autoridade moral para falar de "gesto de grandeza" e muito menos considerar ilegítimo um mandato outorgado por mais de 54 milhões de votos. Quem deixou o país em frangalhos, com inflação e juros superiores aos atuais, uma dívida externa na estratosfera, abafou escândalos e CPIs e vendeu o patrimônio nacional não pode pedir que os outros renunciem.

O fato é que o povão, mesmo, não saiu às ruas, mas apenas os que se deixam conduzir pelas convocações nas redes sociais – e os que tem interesses pessoais – movendo-se como zumbis e repetindo palavras de ordem já exaustivamente repetidas pelas lideranças tucanas. Dava pena ver pessoas de cabelos brancos sob o sol escaldante repetindo chavões ou batendo panelas e pedindo o fim da corrupção, como se a corrupção pudesse ser extinta por decreto. Esquecem que em toda a história do Brasil o governo Dilma é o que mais combate a corrupção, atitude reconhecida, inclusive, pela imprensa estrangeira. Lamentavelmente, muita gente obedece cegamente às ordens emanadas através da internet, mesmo sem saber de onde elas partem, e se transforma ingenuamente em massa de manobra para os interessados no poder. Se um dia alguém postar nas redes sociais que quem for contra o governo Dilma deve pintar o cabelo de azul no dia seguinte veremos um monte de cabeças azuis desfilando pelas ruas.

É surpreendente o cinismo de políticos que participam da idealização e organização desses movimentos, fazem convocações, sabem que eles são fabricados e depois vem a público falar em revolta popular, em manifestação do povo. Eles sabem, também, que a crise é artificial, criada por eles mesmos com a valiosa ajuda da mídia, mas a atribuem ao governo. O senador José Serra chegou a afirmar que "o país quer a renúncia de Dilma". O país é ele, FHC, Aécio e companhia. Aécio vai à rua, faz o seu costumeiro discurso incendiário e em menos de meia hora desaparece para curtir o seu domingo. Até o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, agita as penas tucanas e desce das suas tamancas para criticar a Presidenta. Ele perdeu o pudor ético e institucional que deveria marcar o comportamento de todo magistrado, sobretudo da mais alta corte de Justiça do país, onde preferências político-partidárias não devem influenciar posições ou decisões.

Gilmar incentiva o Ministério Público a enquadrar o presidente da CUT por ter falado em armas para defender o mandato da presidenta Dilma – palavras, apenas – e, no entanto, silencia diante dos atentados concretos ao Instituto Lula e ao diretório do PT. A hipocrisia não tem limites. O ódio absurdo e sem sentido, disseminado e alimentado pela mídia e líderes oposicionistas, criou hoje um clima parecido ao registrado pela história no tempo da Inquisição, quando os cristãos que não rezavam pela cartilha da Igreja eram considerados hereges, presos, julgados sumariamente e assados em fogueiras. Hoje os hereges são os petistas que, felizmente, são presos, mas não correm o risco de serem assados. Os que destilam ódio ainda não atentaram para o mal que fazem ao país e ao seu povo. Não atentaram, também, para a responsabilidade dos seus atos, que assumiram perante Deus, a quem, em última análise, terão de prestar contas porque, como disse Jesus, "a cada um será dado segundo as suas obras".

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