O próximo alvo

"Ao mirar no general Mourão, o clã Bolsonaro e seu entorno faz de alvo as Forças Armadas, humilhadas diariamente. A cada nova estocada, Bolsonaro desmoraliza a instituição, e prova seu poder, como era de se esperar. O governo é dele, e os militares são apenas a sua blindagem, 'para quando precisar'", diz o colunista Fernando Rosa; "É fato que por mais que militares assumam cargos no governo, isso não significa ter poder. O poder dos militares foi trincado quando o general Villas Bôas atirou contra o STF para afastar Lula das eleições"

O próximo alvo
O próximo alvo

As "redes sociais" se divertem diariamente com as pataquadas de Carlos Bolsonaro, Olavo de Carvalho e o general Hamilton Mourão. Os militares sérios, no entanto, deveriam colocar as barbas de molho. Do jeito que as coisas caminham, já estão escalados para o próximo paredão do Big Brother.

Ao mirar no general Mourão, o clã Bolsonaro e seu entorno faz de alvo as Forças Armadas, humilhadas diariamente. A cada nova estocada, Bolsonaro desmoraliza a instituição, e prova seu poder, como era de se esperar. O governo é dele, e os militares são apenas a sua blindagem, "para quando precisar", como já disse.

É fato que por mais que militares assumam cargos no governo, isso não significa ter poder. O poder dos militares foi trincado quando o general Villas Bôas atirou contra o STF para afastar Lula das eleições. Ao abdicar do respeito à disciplina e à hierarquia, e trocar a Constituição pelo Diário Oficial, os militares enveredaram por um caminho que pode não ter volta.

O "método" do capitão Bolsonaro e do general Mourão tem algo em comum, a cultivada, ao que parece, indisciplina. Bolsonaro fez carreira como "sindicalista" intra-muros, prática agora repetida com o "dissídio coletivo" que os militares querem atravessar na reforma da Previdência. Mourão "cresceu" promovendo ameaças de quarteladas para intimidar superiores e a sociedade.

Na aparente disputa de poder que o bate-boca diário sugere, fica cada vez mais claro que quem manda, de fato, é o capitão-presidente. Manda por uma razão muito simples: é bancado pelos interesses imperialistas, por Donald Trump. E conta, ainda, com o aparato que move os interesses norte-americanos na atual guerra cibernética planetária.

O "poder" de Bolsonaro tem um preço, claro, que ele tem demonstrado estar disposto a pagar. É promover a guerra contra a vizinha Venezuela, transformar as FFAA brasileiras em capitães do mato do Império. A sinceridade de Bolsonaro não deve deixar ninguém esquecer de sua promessa de "banho de sangue", feita no discurso da Paulista.

Uma missão para a qual precisa contar com a parceria dos militares, que parecem recalcitrantes em abraçar. É para impor a vontade do pai que Carlos Bolsonaro e agregados do clã disparam seus tuites, por exemplo, em sistemáticos ataques aos militares. Foi para isso que Bolsonaro desafiou os comandantes militares à comemorar nos quartéis a "revolução" de 64.

Ainda há tempo para salvar a honra da instituição, antes que dela seja cobrada o definitivo gesto de traição à Pátria. Servir de bucha de canhão dos EUA, alinhar-se a uma guerra perdida, será uma espécie de negação da Batalha de Guararapes. Nunca o Exército brasileiro foi exposto a um risco tão grande de desintegração militar, cívica e moral.

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