O Resiliente Bolsonaro

Somando o ótimo com regular, Bolsonaro ainda mantém um apoio de 58% dos pesquisados. Esses números surpreendem muitos analistas e pessoas do povo que não conseguem compreender como um governo extremamente destrutivo mantém tamanho apoio, mesmo que já conte com queda de 17% dos seus eleitores. Portanto, Jair tem muita resiliência, mas ela está em decadência.

(Foto: Youtube)
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A última pesquisa Datafolha revela que Bolsonaro mantém apoio de 33% da população como bom ou ótimo; regular 25%; ruim ou péssimo 39%. Ainda, 17% de seu eleitorado já se arrependeram de votar nele. 

Somando o ótimo com regular, Bolsonaro ainda mantém um apoio de 58% dos pesquisados. Esses números surpreendem muitos analistas e pessoas do povo que não conseguem compreender como um governo extremamente destrutivo mantém tamanho apoio, mesmo que já conte com queda de 17% dos seus eleitores. Portanto, Jair tem muita resiliência, mas ela está em decadência. 

Talvez a novidade seja esse desencanto progressivo de parte do seu eleitorado com uma figura que se apresenta messianicamente. O fanatismo e a estupidez também têm limites, embora tantas vezes não pareça. Mas, também chama a atenção essa resiliência do atual presidente. É essa popularidade que o torna respeitável também nos meios militares, que um dia o expulsaram do Exército, mas depois o elegeram presidente e, por fim, o mantém no poder. Na disputa pelo caso Mandetta, ficou claro que o ministro continuaria, desde que fizesse as concessões exigidas pelo seu presidente.

Não há outro caminho para os educadores políticos desse país a não ser continuar conversando com o povo e destrinchando as perversidades políticas desse governo. Não é só no caso do coronavírus, mas de todos os cortes em saúde, educação, desemprego, subemprego, etc. A crise econômica deve se aprofundar, agora não só pela política econômica desastrada de Paulo Guedes, mas também pela imposição da desaceleração imposta pelo vírus em todo o mundo.

Entretanto, o Everest é visto pela primeira vez depois de ficar coberto por poluição durante 30 anos, melhorou a qualidade de água dos rios, cidades inteiras tiveram seu nível de poluentes já diminuídos e, pasmem, até os sismógrafos detectaram um planeta Terra com menos vibrações, tudo atribuído aos impactos do coronavírus sobre a humanidade. Era preciso parar, e paramos. 

Aqui no Brasil vimos economistas como Meirelles e Armínio Fraga defendendo injeção de dinheiro na economia, o Mandetta defendendo publicamente o SUS, a Globo dizendo que agora é hora de pensar nas pessoas e não no controle fiscal. Hoje já se fala abertamente numa “renda mínima”, ou “renda básica” para cada cidadão, enquanto até há pouco se queria acabar com o Bolsa Família por ser uma fábrica de vagabundos. Até a ciência e os cientistas foram lembrados como necessários. 

Portanto, embora irreparáveis o luto e a tragédia humanitária que se abatem sobre os países e as famílias, o vírus nos trará uma importante inflexão sobre a relação da humanidade com a Terra, consigo mesma, e sobre a economia. Há muitas brechas novas para o debate após esse vírus e seus impactos. Afinal, não é a crise provocada por um vírus, é uma crise civilizacional.  

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