O sequestro da democracia pelo capitalismo

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As queimadas na Amazônia não foram causadas pelo tempo seco, ou por uma, eventual bituca de cigarro, arremessada inadvertidamente por algum fumante. As queimadas foram planejadas e coordenadas, sendo, inclusive, combinadas em grupos de mensagens de texto e com o consentimento dos governos local e federal.

As queimadas representam negócio. O fogo anda junto com o desmatamento, que transforma, de forma cruel e desumana, mata em um local apropriado para agricultura ou pecuária. Trata-se de agronegócio, em sua forma mais pura, do capitalismo mais selvagem que podemos conceber.

A chamada bancada do boi no Congresso, formada por fazendeiros milionários, em sua grande maioria, apoiou a campanha de Bolsonaro e, assim, sequestrou de certa forma a democracia. Explico: o agronegócio apoiou a eleição de Bolsonaro. Dessa forma, o confuso presidente já tomou posse com uma dívida com os referidos congressistas.

Já sabemos que o Brasil é o país do golpe, e nesse presidencialismo de coalizão, com características tanto de regime parlamentarista, como presidencialista, se o governo perde o apoio no congresso, não consegue governar e corre o seríssimo risco de ser descartado em um golpe, como aconteceu com a presidenta Dilma Rousseff.

Basta lembrarmos que muitos congressistas afirmaram com todas as letras que votaram a favor do impeachment, porque a Dilma não negociava da “maneira apropriada” com o Congresso Nacional. Sob esse prisma, caiu por ser honesta – o que certamente não seria o caso de Bolsonaro.

A forma de financiamento de campanha de 2018 foi diferente das demais, mas nas eleições passadas , a empresa JBS era a principal doadora, não apenas de um candidato, mas dos 3 que tinham mais chance de vitória. Como liberal adora falar, “não existe almoço grátis”. A doação em campanha nada mais é que um investimento a médio prazo a ser quitado pelo governo assim que  for eleito.

No caso do Bolsonaro, ele ainda teve forte apoio da bancada da bala, que negocia diretamente com a Taurus, fabricante de arma de fogo. Isso explica seu compromisso – não apenas com o eleitorado – de facilitar a liberação do uso de arma de fogo pela população. Há acordos com bancos e diversos ramos empresariais. O presidente paga o resgate desse sequestro com benesses aos interesses capitalistas, do topo da pirâmide financeira, que no Brasil corresponde a 1%.

A Amazônia está sendo destruída para virar pasto ou plantação de soja. Há muitos milhões envolvidos nessa questão. O verde das florestas está, à custa de muito sangue animal e humano, se transformando no verde dos dólares. Infelizmente, é assim que o capitalismo funciona. Infelizmente, esse é o sistema brasileiro e o jeito Bolsonaro de governar. Não nos enganemos. 

 

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