O tempo como ferramenta política do estado de direito

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Leio neste 247 que o ministério público do Rio de Janeiro deverá apresentar denúncia em desfavor do Senador Flávio Bolsonaro até o final da próxima semana, pelo episódio das rachadinhas...

O relatório do COAF que apontava a discrepância na movimentação financeira do Senador remonta ao ano de 2016 (quando o jovem bolsonaro ainda não era senador), tendo a investigação sido deflagrada em 2018, convenientemente após as eleições...

Neste interregno temporal (2016/2017) Lula seguia pelejando a esgrima da acusação que lhe promovia o mpf lavajatista. A luta desigual foi aparada por um canhão fascista manobrado pelo juiz politizado que alijou Lula da disputa eleitoral. 

A condução política do processo (piada de mau gosto) de Lula fez de seu algoz (moro) ministro da justiça. Tudo isso já é história. O fato novo vem da notícia deste 247 e remete ao time político que a lavajato deflagrou.

Pois muito bem. Sempre que um antigo conhecido ou até um ex amigo me incomoda com a pasmaceira da discussão que lhes sobrou (tinha que afastar o PT) eu calo. Cansei de perder amigos (adeus!) e de não mais conhecer antigos conhecidos – é mais fácil...

Mas há ocasiões especiais nas quais calar não é opção.

Votar em alguém minimamente parecido com bolsonaro jamais seria uma opção – antes o contrário: quando se vota na plataforma homofóbica, quando se vota em quem desvaloriza a mulher (dizendo, literalmente, que não estupraria uma flor canhota porque ela não merecia a felicidade de seu falo), bem assim relativiza a exploração e os contornos racistas, pregando um governo para maiorias e de pensamento único, este quadrante resulta no modelo fascista.

Então os colaboradores da equação que deságua nesta construção violenta da sociedade não podem ser esquecidos, de igual forma meus ex amigos e hoje desconhecidos não podem ficar sem resposta.

Noves fora e estupidez política consumada, o PT segue sendo uma ideia social que multiplica políticas públicas e nos levou a ser, em 2011, a quinta economia do mundo. Não lembramos de qualquer modelo dito meritocrata, em latino américa, atingir patamar minimamente próximo deste resultado... 

Os ex amigos seguem odiando o PT (menos pelo ódio em si, mais pela justificativa que lhes aplaca a vergonha), os desconhecidos tanto quanto. E quem teria obrigação de narrar a história pelas páginas dos periódicos ou contar esta mesma história pelas ondas dos rádios e das televisões?  Estes seguem fazendo cara de paisagem, apostando na domesticação do animal em estado bruto e acendendo uma vela pelo juiz político...

Perdeu, todavia, a comunicação corporativa sua função priméva, no desvio de conduta a que lhe conduziu o interesse comercial do dono do meio de produção, num deplorável coronelismo eletrônico que espraia a mais valia de celuloide...   

A imprensa familiar brasileira não quer mais brincar de democracia e de economia com a serpente cujo ovo não só botou como ajudou a chocar. Cansou da tutela que não lhe abastece as contas (como quem cansa das cousas que não se aproveitam) mas não vai se esforçar para impedir o Presidente que elegeu (golpe só contra a esquerda).

Precisamos criar um modelo civilizatório racional e razoável de comunicação para veicularmos o que passa (de verdade) e não o que quer espraiar o dono do modo de produção. A internet talvez cumpra este papel. Na sequência, a regulação econômica da mídia...

Assim, quem sabe um dia (‘por uma alameda do zoológico?’), não tenha o judiciário o insalobro apoio midiático de que tanto necessita para jogar o xadrez político que convola com seus movimentos decisórios, em ordem a estabelecer um compasso temporal entre as decisões políticas e suas consequências no mundo e na vida dos outros.

Uma imprensa verdadeiramente livre teria impedido, por exemplo, que uma hipótese apontada por relatório tirado da rotina funcional do COAF dormitasse por tantos anos em escaninhos diversos das instituições cada vez mais politizadas e menos democráticas de nossa época. 

Bastaria noticiar. Sem criar fantasmas de exagero ou filigranas de masturbação mental. Bastaria dar de conhecer a seus muitos (e)leitores que o COAF apontou uma discrepância qualquer na movimentação financeira de fulano, de cicrano ou de beltrano...

O passo seguinte, sem muito esforço, seria entrevistar os órgãos de investigação e apenas indagar o que farão com a informação do órgão de controle...

Transparência não é senão a rotina funcional das instituições!

E ela, a transparência, basta ao desidério da vigília que a democracia alberga, em tudo e por tudo distinta da perversa perseguição sublimada pelos interesses da empresa familiar midiática pátria, em ordem a cerrar fileiras no curso da história e não na estória em curso.

Mais do que narrativas estabelecidas por interesses difusos, precisamos narrar o fato e deixar que ele fale por si. O país agradecido estaria protegido de aventuras como a que nos impõe, dia após dia, a miséria bolsomínima e a tragédia morosiana.

Mérito maior no noticiar não divisamos. Talvez, em um mundo ideal, pudéssemos substituir a necessidade da notícia pela compreensão racional das hipóteses... 

Mas isso seria de se dar em Pasárgada... Pena que, por lá, o rei leu muito a imprensa comercial familiar e aderiu ao lugar comum que nos imbecilizou por aqui: ‘o importante é tirar o PT’... 

O resultado foi triste, tanto quanto cá. Bolsominions e morosianos já migram para lá e, mal chegaram já se decepcionaram com as mulheres pasargadianas. Passou que, a caminho do paraíso, ouviram poder ‘dormir com a mulher que quiserem, na cama que escolherem’...

Pegou é que em Pasárgada nenhuma mulher os quis e, dizem, até as camas os rejeitaram. Sobrou o desencanto enquanto desfecho da própria obra de incapacidade poética...

Homens sem poesia não valem as ofensas que professam e pelo chapéu coco do gênio inglês que o macartismo expulsou da américa do norte, não deviam se multiplicar. Essa eugenia nos tenta... 

Todavia, sob o lume da ribalta Chapliniana, não deveríamos malferir irmãs e irmãos – e narrativas de interesse destroem não só reputações, mas também corações...

Assim, ‘sorria, ainda que seu coração esteja doendo, mesmo que ele esteja partido...’.

Tristes trópicos. Moraes Moreira, Aldir Blanc, Elis Regina, Tim Maia, Billie Holiday, John Lennon, Fred Mercury, Linda Lovelace e, em especial, Charles Chaplin, entre outros, seguem fazendo muita falta...

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