Odoyá. Que este ano superemos Bolsonaro

"Possivelmente algum devoto bolsonarista deve levar ao mar alguma imagem de Bolsonaro, mas será com certeza recusada quando não afundar"

www.brasil247.com - Le Figaro descreve “início caótico” nas decisões de Bolsonaro
Le Figaro descreve “início caótico” nas decisões de Bolsonaro (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)


Dizem que entramos em um período chamado Portal Energético. A configuração tal qual 02/02/2022 só se repetirá em 200 anos. Vamos aproveitar e emanar ao universo o desejo que nosso país volte a ser um país para todos, respeitando credos e raças, que seja respeitado dentro e fora dele. A coincidência deste Portal Energético com o dia de Yemenjá torna o dia mais especial ainda. As mudanças estão sendo sentidas no mundo, com a recente eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, do partido Partido Social-Democrata. Para lembrar que por lá, a polarização também é entre a esquerda e a extrema-direita, afinal, o Bolsonaro português, André Ventura teve votação expressiva. 

A mãe Yemanjá, orixá das águas salgadas, Inaê, Janaína, Dandalunda, Ísis, Marabô, Maria, Mucunã , Princesa do Aiocá, Rainha do Mar, Sereia do Mar, aquela que abraça todos no melhor e no pior momento, também sofre com ações de tentativas de embranquecimento cultural. O mesmo que tentaram fazer com Machado de Assis. Basta fazer um sucesso, que imediatamente é aglutinado pela cultura dominante. Quem criou o Rock? Sister Rosetta Tharpe. Fez muito sucesso entre os jovens, mas quem leva a fama? Elvis Presley. Yemanjá  é uma divindade do rio que deságua no mar. Filha de Olokun, o orixá rei dos oceanos. Representa o Rio Ogun, localizado no estado de Oxum, na Nigéria. 

No sincretismo religioso, Iemanjá é Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria. Os escravos eram obrigados a seguir a religião católica, pois até isso lhes foi tirado. Devemos tudo as culturas Sudanesas (os povos Iorubá, da Nigéria, os Domeianos e os Fanti-Ashanti, da Costa do Ouro), culturas Guineano-sudanesas islamizadas (os povos Fula, Mandinga e Haussá) e as culturas Bantos (os povos de Angola-Congolês e da Contra-Costa). A saída foi rezar para um santo católico pensando em uma divindade. Senhora dos Navegantes e Yemanjá tem essa simbiose, pois Senhora dos Navegantes tinha o título de Estrela do Mar desde a Idade Média. Foi muito popular na época das navegações onde os cruzados a invocavam para proteção ao atravessar os oceanos.

Mas nada tira o brilho de Yemanjá, a mais popular dos orixás entre os brasileiros, que consegue ter admiração até entre católicos e ateus. Seu nome vem da junção de três palavras em Oirubá: Yeyé (mãe), Omo (filho) e Eja (peixe) e sua imagem era de mulher com seios fartos. A mistura com Nossa Senhora, levou a ter os trajes azuis grandes cobrindo seu corpo  e talvez o fato de ser uma mãe zelosa tenha tido aderência maior com o brasileiro que fala que é católico, mas na dificuldade, procura o terreiro de Umbanda. O racismo estrutural que o Brasil vive, onde Laurentino Gomes fala que: A escravidão é o assunto mais importante da história do Brasil. A elite brasileira tentou apagar esse passado de várias formas depois da proclamação de República e até hoje, como tentamos limpar varrendo o assunto para debaixo do tapete, temos uma herança de racismo frequente, que até hoje rende problemas como a morte de Moïse Kabamgabe.

Iemanjá, rainha das águas, ilumine os nossos caminhos e dê-nos sabedoria para suportar as dificuldades, nos abençoe sempre, nos acolhe e nos de discernimento e sabedoria pra seguir a vida. Possivelmente algum devoto bolsonarista deve levar ao mar alguma imagem de Bolsonaro, mas será com certeza recusada quando não afundar. Faltam 333 dias para o fim do governo Bolsonaro, olhai por nós. Axé.

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