Os bens confiscados de Lula

O confisco de 606 mil reais, três apartamentos e um terreno, pertencentes a Lula, por ordem do Juiz Sérgio Moro, deveria credenciar o ex-presidente como favorito ao planalto em 2018. Se não por convicção, por exclusão

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 10/05/2017 REUTERS/Paulo Whitaker
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 10/05/2017 REUTERS/Paulo Whitaker (Foto: Nêggo Tom)

O confisco de 606 mil reais, três apartamentos e um terreno, pertencentes a Lula, por ordem do Juiz Sérgio Moro, deveria credenciar o ex-presidente como favorito ao planalto em 2018. Se não por convicção, por exclusão, principalmente se compararmos o seu patrimônio confiscado, com o declarado pelo seu principal oponente (segundo as pesquisas) na disputa presidencial.

Jair Bolsonaro, o mito da hipocrisia radical, declarou a justiça eleitoral, em 2010, um patrimônio de R$ 826.670,46. Patrimônio esse, que em 2014, subiu para R$ 2.074.692,43, segundo declaração feita a mesma justiça eleitoral. Sabemos que o parlamentar é simpatizante da teologia da prosperidade, pois o mesmo sempre esteve ao lado de pastores propagadores de tal fenômeno, como Silas Malafaia, Pastor Everaldo, Marco Feliciano e Eduardo Cunha. Sim, Cunha também já foi pastor e inclusive, foi reverenciado por Bolsonaro durante a sessão do impeachment da presidenta Dilma.

O que não sabemos bem, é como o seu patrimônio se multiplicou, de forma tão miraculosa e em tão pouco tempo. Aliás, o nobre deputado, segundo matéria publicada na Rede Brasil Atual, possui duas mansões, na Av. Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, reduto da nobreza carioca, declaradas por 400 mil e 500 mil reais, respectivamente. O curioso é que nessa localidade, mansões iguais a do deputado, custariam, no mínimo, 1 milhão e meio de reais cada uma. Isso em 2014. Alguém se propõe a investigar isso ou estão todos ocupados em prender o Lula?

Para mim, 600 contos é uma quantia de outra galáctica, mas fazendo uma comparação, com outros nomes envolvidos em escândalos de corrupção, observo que, se Lula tinha o intento de ser reconhecido como o maior ladrão do país, ele não obteve êxito. Falhou! Só na tal mala que Rocha Loures foi pegar para Michel Temer, tinha 500 mil reais. E essa foi apenas uma mala, da qual se tem registro concreto de recebimento. E as outras? Ou alguém acha que não tiverem outras? O ex desgovernador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, comprou, só em jóias, 6 milhões de reais, para o deleite e ostentação de sua primeira dama. Ou seja, 10% do que Moro mandou confiscar de Lula.

Eduardo Cunha, mesmo na cadeia, recebia ou ainda recebe (afinal, "tem que manter isso, viu?"), a bagatela de 500 mil, por semana, só para ficar calado. Tarefa difícil para quem sabe todos os podres do atual governo. Há quanto tempo Cunha está preso? Vamos somar os seus "vencimentos" de presidiário, a datar do dia de sua prisão, 19 de novembro de 2016. Daria para comprar quantos imóveis iguais ao triplex que dizem ser do Lula? Aécio Neves recebeu 2 milhões, só da JBS. Isso é o que se tem de comprovado. E o resto? E quem confisca? Ou melhor, quem investiga?

Lembro ainda, que 600 mil reais, é o valor do carro que um famoso cantor sertanejo, deu de presente para a sua então namorada, que dias após ter ganho o possante mimo, meteu o pé no acelerador e o deixou a pé. A pergunta é: Como alguém que é tido por alguns, como o "maior ladrão da história do país", pode ter "apenas", 600 mil reais para serem confiscados pela justiça? Que chefe de quadrilha é esse, que tem guardado no banco, a mesma quantia que um cantor dá para sua namorada se divertir? E tudo depositado no Itaú, Bradesco e CEF. Nada na Suíça, em Dubai, nem nas ilhas Cayman?

Cunha, Aécio, Cabral e Temer, devem estar rindo da cara de Lula e dizendo: "Nunca será um ladrão como nós". Moral da história: Se eu fosse o Lula, desistiria do planalto e gravaria um CD de sertanejo universitário.

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