Os DoLaDoDeCá

Louvo aqui o trabalho, o artesanato, a tessitura cuidadosa, caprichosa e plena de sentidos de quatro verdadeiros virtuoses da palavra. Dá um prazer incomensurável lê-los

Essa semana falou-se muito dos "escribas" DoLaDoDeLá.

Falou-se numa trinca difícil de engolir: Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo e um tal de Ricardo Melo - esse último, sequer conhecia ou lembrava a existência, obviamente por ignorância ou olvido. Reconheço o talento, o mau-caratismo, a sabujice e, claro, o conservadorismo e autoritarismo característicos de um e de outro. Mas... o mais importante: cumprem o seu papel fazendo o contraponto ao pensamento progressista, libertário, libertador dos DoLaDoDeCá.

Porém, esse texto é para falar (e louvar) a estes: os DoLaDoDeCá. Ou, "os nossos". Gostaria de bendizer todos os nossos "escribas", mas falarei, quiçá de todos, e/ou em nome de todos, citando apenas uns poucos. Muito embora sejamos muitos.

Vou citar o nome dos quatro que considero verdadeiros virtuoses da palavra. Sei, perfeitamente, que podem não ser os da sua predileção. Os seus podem ser outros. Mas vou citar os que, na minha imodesta opinião, representam, com dignidade e talento ímpar, aqueles homens que, militando na imprensa e no campo das ideias, através da hábil utilização do pensamento e da palavra escrita, defendem a verdade factual; os princípios básicos da justiça social, da ética, da República e da preservação da soberania e dignidade dos povos.

Quais são esses quatro? – estará indagando você nesse instante. Quais seriam os meus escolhidos? Quais seriam os seus nomes? Vamos a eles.

Cito-os como uma homenagem; como um ato de respeito, reverência e valorização dos seus trabalhos. Sempre que posso os leio e saboreio as palavras e o estilo de cada um. Dá um prazer incomensurável lê-los. E é uma subida honra estar do mesmo lado que eles.

Penso que vocês, caro leitor, provavelmente sente essa mesma sensação que sinto. Um sentimento inefável, com o perdão da palavra, que mistura orgulho com uma sensação de conforto, de "pertencimento" por estar entre iguais, numa espécie de confraria e fraternidade informal, bacana.

Não que esses homens sejam "santos"; que não tenham defeitos; que não tenham cometido eventuais deslizes e erros ao longo da sua trajetória. Mas eles, insisto, não são santos, são homens, com seus indefectíveis pés de barro.

E quem são esses homens? – o estimado leitor já se impacienta, decerto.

Louvo aqui o trabalho, o artesanato, a tessitura cuidadosa, caprichosa e plena de sentidos de Paulo Moreira Leite, Fernando Brito, Paulo Nogueira e Saul Leblon.

Como é reconfortante estar ao lado desses honrados cidadãos brasileiros, talentosos artistas, virtuoses da palavra escrita. É por demais prazeroso assistir a dança do intelecto entre as palavras – a tal "logopéia", como nos ensinara o poeta Ezra Pound [que, por sinal era, infelizmente, um reacionário] .

Repito, reitero, insisto: não são "santos"; não são isentos de "pecados", falhas e limitações. São meros homens, jornalistas, cronistas de um cotidiano iníquo e poético ao mesmo tempo.

Mas, literalmente, dão conta do recado "direitinho".

Dá um orgulho e uma alegria danados, impossível de descrever ou mensurar, o simples fato de poder ler, usufruir, compartilhar e divulgar suas mensagens. O destino inescapável de ser um da sua companhia. De ser um seu/vosso/nosso companheiro.

Existem outros nomes notáveis, que não só esses? Sim, inúmeros. Posto que somos muitos os DoLaDoDeCá.

Virtuosos, ativos e altivos. Somos bem mais, muito mais, em maior número e mais talentosos do que "eles", os DoLaDoDeLá.

Somos uma legião de anjos guerreiros! Portamos o fogo que ilumina e aquece a alma de muitos.

Esse texto é para louvá-los. E lhes reconhecer o mérito.

Viva os grandes talentos do lado de cá da margem do rio!

Fale deles por aí.

Espalhe a sua/nossa mensagem.

[N.A.: O título desse artigo faz uma referência "brincalhona" ao nome do Blog do Marco Aurélio Mello: o DoLaDoDeLá. Onde ele crava numa espécie de "mantra": "Não sei para onde minhas escolhas vão me levar, mas é para lá que eu quero ir"]

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