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Michel Zaidan

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Os fetiches da cultura popular

não há um único nordeste. Há vários nordestes, É preciso ficar atento às estratégias televisivas de querer nos vender como micos de circo mambembe

Cena do último capítulo da novela Mar do Sertão (Foto: Reprodução)

A novela "Mar do Sertão" trouxe à baila a questão  da identidade cultural nordestina e sua transformação. Como obra picaresca, influenciada pela literatura de cordel ou a cultura popular do nordeste,  ela reproduz muitos estereótipos e clichês típicos da construção de um certo imaginário nordestino -  a superstição,  a religiosidade, o jagunço, o coronelismo, os crimes de honra, a picareta e o picaresco etc. Mas também trouxe o contraponto da mudança, da inovação, da esperança   de redenção  do povo sofrido do sertão nordestino. 

Muitos temas atuais foram trazidos à  discussão  e o simbolismo do final -  todos os personagens  mergulhados no açude  assina para um outro Nordeste e uma outra cultura é relações  de poder e afetividade homo e heterossexual. Não há dúvida de que  toda tradição cultural é  ambígua. Tem traços conservadores e atrasados e traços  progressistas extremamente positivos. 

Mas precisamos estar sempre alertas contra a mania da indústria cultural moderna nos representar como curiosidade etnológica  ou fósseis culturais disposição da curiosidade de plateias e audiências urbanas, que apreciam o diferente,  exótico, o extraordinário, como fetichista de sociedades arcaicas e pré-modernas, no que diz respeito à democracia, o direito das minorias, a gestão republicana, gênero, meio-ambiente, diversidade de gênero e orientação  sexual. 

Como já se disse, não há  um único Nordeste. Há  vários nordestes,  É  preciso ficar atento às estratégias  televisivas de querer nos vender como micos de circo mambembe. Temos qualidades  e defeitos. Mas nada que não possa ser consertado pela educação, políticas públicas, a justiça  e a divulgação de boas práticas,  atitudes e comportamento. O que, aliás, a novela procurou chamar a atenção.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.