Paranoia e incapacidade laboral

O Brasil, que conheceu a luta pelo Plano Nacional de Educação e os investimentos realizados nos governos Lula e Dilma, com a expansão dos investimentos e das oportunidades aos jovens carentes e os programas de reconhecido sucesso, como PROUNI, FIES, Ciência sem Fronteiras, criação dos Institutos Federais e expansão das Universidades Federais, precisa de seriedade no MEC, para ser uma nação desenvolvida e inclusiva

Paranoia e incapacidade laboral
Paranoia e incapacidade laboral (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Recorro a um político conservador alemão para expressar meu sentimento após a leitura da entrevista do novo ministro da Educação do governo capiroto:

- Deus é injusto, pois criou sérios limites a inteligência dos homens, mas nenhuma a sua burrice. Konrad Adenauer.

Adenauer foi prefeito de Colônia (Koln), advogado e pensador. Um conservador, mas uma pessoa séria que construiu profundas reflexões. Defendeu suas convicções liberais, contrárias aos ideais socialistas, mas sempre baseado em ideias concatenadas e estruturadas. Foi preso pela Gestapo nazista, por ser considerado um opositor ao regime.

Cito Adenauer, pois gostaria de ver no Brasil um verdadeiro embate entre os defensores das ideias à direita, ao centro e à esquerda com racionalidade e verdadeiro compromisso público. Mas o que dizer desse trecho da entrevista:

O senhor defende o enfrentamento ao "marxismo cultural". Como propõe fazer isso?

- No curto prazo, tomando cuidado com tudo o que sair do MEC, como livros didáticos. Estamos preocupados com vazamentos, com sabotagens. Mas não estou indo caçar ninguém. Não sou caçador de comunistas. Não gosto do comunismo, mas aceito o comunista. Quero a redenção dele.

Tudo indica tratar-se de um misto de ignorância, insegurança e paranoia. Paranoia cultural, eu diria. Onde haveria marxismo cultural, seja lá o que isso signifique, no MEC?

Outro trecho da entrevista:

- Qual o principal problema a ser enfrentado na Educação?

- Há várias coisas da agenda com atraso no cronograma. Vélez saiu por isso. Não porque foi pego em escândalo ou por não ter capacidade intelectual.

O ministro não responde nem superficialmente a pergunta e preocupa-se em explicar, de forma patética, a saída do colombiano Vélez, ressalvando que "não foi pego em escândalo".

Quando confrontado com a polêmica sobre ter ocorrido ditadura no Brasil, depois do golpe de 1964, alega que não foi ditadura, apenas um "regime de exceção". Ora, um "regime de exceção" que organiza um sistema de perseguição política brutal, que tortura e mata, que buscou de todas as formas humilhar Juscelino Kubistchek, submetido a inquéritos artificiais, conduzidos por militares subalternos e agressivos, que cassou mandatos e colaborou com outras ditaduras do continente na repressão sangrenta, que nome tem?

Perguntado sobre seu plano para as universidades federais, demonstrou toda a ignorância e preconceito e falta de conhecimento sobre a educação de nível superior e a transversalidade dos currículos.

Diz que "o Brasil gasta muito e a produção científica com resultados objetivos para a população é baixa. Precisamos escolher melhor nossas prioridades. Não sou contra estudar filosofia, mas imagina a família de agricultores que o filho retorna da faculdade com título de antropólogo? Acho que ele traria mais bem-estar para ele e para a comunidade se fosse veterinário, dentista, professor, médico". Confundir filosofia com diploma de antropologia demonstra desconhecimento e banalidade.

Seria estimulante debater estratégias educacionais com um ministro conservador que soubesse onde está e quais os seus grandes desafios. Mas, como o antecessor, parece apenas mais um ministro inepto do governo sem projeto e sem noção.

Com todo respeito, talvez seja o caso de aplicar o disposto no Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal:

Conceitua-se como alienação mental todo quadro de distúrbio psiquiátrico ou neuropsiquiátrico grave e persistente, no qual, esgotados os meios habituais de tratamento, haja alteração completa ou considerável da personalidade, comprometendo gravemente os juízos de valor e de realidade, bem como a capacidade de entendimento e de autodeterminação, tornando o indivíduo inválido total e permanentemente para qualquer trabalho.

O Brasil, que conheceu a luta pelo Plano Nacional de Educação e os investimentos realizados nos governos Lula e Dilma, com a expansão dos investimentos e das oportunidades aos jovens carentes e os programas de reconhecido sucesso, como PROUNI, FIES, Ciência sem Fronteiras, criação dos Institutos Federais e expansão das Universidades Federais, precisa de seriedade no MEC, para ser uma nação desenvolvida e inclusiva.

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