Parte 01 - Breve história da China até a queda da monarquia

A sociedade chinesa possui uma tradição de grande disciplina e respeito às autoridades, além de uma grande obsessão pelo comércio com diferentes povos

(Foto: Reuters)
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A China desenvolveu sua civilização em paralelo aos vizinhos próximos, Japão e Índia, disputando com estes, constantemente sua esfera de influência sobre povos da região, no decorrer da história. A China começa a se organizar como uma série de reinos feudais, dominando determinados territórios, lutando continuamente entre si e contra invasões estrangeiras. 

Em 250 A.C., no entanto, um dos reis locais consegue se impor sobre os demais e unificar os reinos sob seu controle; se declarou imperador e centralizou o poder. Denominando-se como imperador Quin Shin Huang, se utilizando do nome de seu reino, a província de Quin. Este também é a origem da nomenclatura atual do país, já que os estrangeiros passaram a conhecer a região como Quin, ou Chin(a). 

O imperador desenvolveu várias reformas, a partir de um poder centralizado, para padronizar o comercio e relações entre os senhores feudais locais. Um ponto importante foi a fundação do sistema de dinastias, onde os reis derrotados passavam a fazer parte da família real, criando condições legais para que chegassem ao poder máximo dentro da própria dinastia ou substituindo uma por outra, quando esta perdesse condições de permanecer no poder.

Depois da primeira dinastia, conhecida como dinastia Quin, se sucederam várias outras, alternando períodos de progresso e dificuldades, divisões internas e domínio mongol, que durou até que os próprios mongóis adotassem a cultura chinesa, constituindo a dinastia Yuan. Este sistema se mantém até a dinastia Quing, a última a governar a china.

Fatos importantes a considerar neste período são a adoção do confucionismo como religião oficial dos governantes e do povo chinês e que manteve sua influência mesmo após a chegada do budismo. Esta religião defende os princípios de uma sociedade harmônica, como reflexo da harmonia presente na natureza. Cada homem tem seu papel na estrutura social e deve desempenhá-lo com afinco, pois mesmo o mais humilde dos homens, se não cumprir sua tarefa, coloca em risco todo o sistema. 

Assim como no meio natural, é inútil e danoso tentar ir contra as forças da natureza. Buscar mudanças bruscas na natureza seria como semear na seca ou construir pontes sobre o mar bravio. Além disso, o respeito aos “pais”, aliada a uma longa tradição de senhores da guerra, propicia uma passiva submissão a hierarquia social.

Outro ponto é a localização estratégica da China, conhecida como “império do meio” (no meio das grandes civilizações). Esta posição favoreceu o desenvolvimento de um pujante comércio que enriqueceu a sociedade chinesa, outrora formada por comunidades rurais focadas na auto suficiência. Um salto foi dado com a criação da chamada rota da seda, levando a China a se tornar a maior potência de sua época.

Estes dois fatos moldaram a cultura chinesa e se estende até nossos dias. A sociedade chinesa possui uma tradição de grande disciplina e respeito às autoridades, além de uma grande obsessão pelo comércio com diferentes povos. Estes sentimentos, muitas vezes estranhos aos ocidentais, foram marcantes em várias dinastias, no período republicano e após a revolução comunista. Essa historia é a raiz da atual sociedade chinesa.

Leitura sugerida:

Confucionismo: o Pensamento que mudou a China. Fonte: https://www.chinalinktrading.com/blog/confucionismo/

A Globalização Chinesa. Fonte: https://www.publico.pt/2017/02/07/mundo/opiniao/a-globalizacao-chinesa-1761126

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