Passei pra lembrar que o relógio não para

Lula participa de ato em defesa das democracias no Fórum Social Mundial de Salvador. 
Foto: Ricardo Stuckert

Salvador (BA), 15/03/0218.
Lula participa de ato em defesa das democracias no Fórum Social Mundial de Salvador. Foto: Ricardo Stuckert Salvador (BA), 15/03/0218.

Tenho uma compulsão incontrolável pela contagem do tempo. Eu olho para um sujeito e, pá! Lá estou eu conjeturando sobre quantos anos de vida ele ainda tem pela frente. Sei lá, acho que estou me tornando um velho meio maluco, fazendo da contagem do tempo dos outros o escudo para me proteger dos anos que também avançam sobre mim implacavelmente. Mas isso é um problema para o meu futuro psicólogo, que eu encontrarei num buscador quando achar inevitável.

 Atualmente, meu TOC tem seguido na direção dos membros do Supremo Tribunal Federal, um antro de velhinhos perfeitos para o exercício fúnebre da minha imaginação. Afinal, quanto tempo de vida resta para a ministra Carmem Lúcia? 10, 15 anos no máximo, diz meu capetinha mental, que oscila entre dois e cinco anos para mais ou para menos, em relação aos demais togados daquela Corte.

 A conexão que faço entre o presente, e o tempo de vida que resta aos meus “personagens mentais”, não são desprovidos de uma razão lógica. Todos eles estão ligados a um eixo comum, sustentado em três pilares de questionamento que são: Essas pessoas acham que não vão morrer? Elas vão se arrepender do que fizeram (ou deixaram de fazer), quando estiverem no leito de morte?  Se acreditarem na existência de um ser superior, o que dirão em sua defesa quando prestarem contas a Ele?

 Antes de voltar aos ministros do STF, quero confessar que já submeti os principais líderes evangélicos a estes questionamentos, e as respostas que encontrei não foram nada abonadoras. De todos, Edir Macedo é o que está mais perto da cova. E não tem milagre algum na sua igreja que mude essa trajetória. Não tem fogueira santa, nem reunião dos 318, nem lencinho ungido que mude seu destino. Vai para a catacumba ou será cremado, sem direito a fazer milagre depois da morte, porque santo é coisa da Igreja Católica. Lá em cima – ou embaixo – ele que se explique com quem o espera.

 Mas, voltando aos meus devaneios mais recentes, pergunto: afinal, esses ministros do STF, todos caminhando para o outro lado da vida, temem mais a um general de pijamas ou a Deus? Como levarão para o outro lado da vida o peso de manterem um perseguido político, reconhecidamente condenado por um juiz político a serviço de interesses alheios à magistratura? Como podem tirar férias com a consciência tranquila, sabendo que um homem, da grandeza do ex-presidente, é mantido numa masmorra? Adiar a liberdade de um preso político por um mês, tendo em mãos todos os elementos para anular sua condenação, é a inversão do benefício da dúvida em favor do verdugo.

 Nem eu mesmo sei se estarei aqui em 2030. Muitos de vocês, com certeza não estarão. Isso se chama ciclo da vida, e de certo modo tivemos muita sorte de chegar naturalmente até o final. O presidente Lula sabe bem do que estou falando. Muitas vidas se perdem precocemente pela fome, pela miséria, pela violência que ferve nesse caldeirão da pobreza. Se tiver sorte e boa saúde, o ex-presidente também terá mais uns dez anos de vida, se muito. Mas, de todos os meus investigados, Lula é o único que conseguiu, até agora, responder a todos os questionamentos. Por saber que a vida na Terra é finita, aproveitou sua passagem para cuidar do seu povo. Quando se aproximar seu último suspiro, terá o semblante sereno pela sensação do dever cumprido. E, quando chegar do outro lado da vida, Deus vai oferecer uma pinguinha a ele, que dirá: “você merece”!

 

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