PDT: um partido a favor do latifúndio e do massacre aos Sem Terra

O PDT exigiu que sua base de parlamentares na Câmara dos Deputados votassem pela aprovação do regime de urgência para o PL da Grilagem, que está sendo duramente criticado por setores da esquerda porque vai legalizar e incentivar a grilagem de terras

(Foto: Reuters)
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Renato Farac, no Diário Causa Operária

Com as manifestações contra o governo do presidente fascista Jair Bolsonaro, partidos da direita golpista travestidos de esquerda, como o Partido Democrático Trabalhista (PDT), querem se infiltrar dentro do movimento pelo “Fora Bolsonaro”.

Numa manobra totalmente farsesca de se apresentar como de esquerda, e com apoio de uma minoria da esquerda, como o PCdoB e PSOL, o PDT não consegue esconder suas posições e elementos ligados ao latifúndio e aos crimes contra a luta pela terra.

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Na última terça-feira (13), o PDT exigiu que sua base de parlamentares na Câmara dos Deputados votassem pela aprovação do regime de urgência para o Projeto de Lei 2633/20, chamado de PL da Grilagem. Esse PL está sendo duramente criticado por setores da esquerda e da luta pela terra porque vai legalizar e incentivar a grilagem de terras que é enorme no país e que vem crescendo muito após o golpe em 2016 e explodiu no governo Bolsonaro. Um dos maiores crimes contra o patrimônio público e que vai levar ao aumento da violência contra os trabalhadores sem terra, indígenas, posseiros e quilombolas

A decisão foi apresentada pelo líder do partido na Câmara, o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). Pompeo de Mattos é um grande defensor do latifúndio e do acobertamento de seus crimes. Tanto que em 2019 votou a favor do PL que considera com direito à posse de arma de fogo toda a extensão do imóvel rural como residência ou domicílio (PL 3715/19) ─ antes era permitido apenas na residência ou na sede da fazenda ─, para permitir que os latifundiários possam andar armados por toda a propriedade rural para agir contra os trabalhadores sem terra, indígenas e quilombolas. As autoridades policiais, muitas vezes, não chegam ao campo. “Não dá para tapar o sol com a peneira. Esta proposta quer permitir que o homem rural, que vive lá no seu rincão, tenha o mínimo de proteção que o Estado não pode lhe oferecer, porque o Estado está ausente pela distância”, afirmou o parlamentar do PDT.

Figuras conhecidas do latifúndio e da bancada ruralista

O PDT é um partido que conta com inúmeras figuras ligadas ao latifúndio ou que são latifundiários e criminosos no campo. A principal figura do PDT ligada aos latifundiários é o senador de Rondônia Acir Gurgacz. Segundo o livro O Partido da Terra, de Alceu Luís Castilho, que aborda os parlamentares latifundiários em todo o país, Gurgacz declarou em 2018 ser proprietário de 30 mil hectares no estado do Amazonas e sempre defendeu abertamente a pauta do latifúndio e da grilagem de terras.

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O senador Acir Gurgacz (PDT-RO), que é integrante da bancada ruralista, também é presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), eleito este ano de maneira unânime pelos bolsonaristas e foi colocado nessa posição para facilitar pautas como regularização de terras e de ataques à legislação ambiental e contra a reforma agrária.

Outra figura tradicional do PDT é o ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão e ex-prefeito de Caxias, Humberto Coutinho. Humberto Coutinho faleceu em 2018 e era um dos maiores latifundiários do estado e um dos parlamentares com maiores extensões de terra do Brasil.

Dos 25 deputados federais do PDT, 11 fazem parte da bancada ruralista e acompanham com afinco a agenda dos latifundiários nos ataques contra a luta pela terra. Outro expoente dos latifundiários foi a senadora Kátia Abreu que ficou no PDT de 2018 a 2020, sendo candidata a vice-presidente na chapa com Ciro Gomes.

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PDT aprova medidas que favorecem os latifundiários e atacam a luta pela terra

A aprovação em regime de urgência do projeto de lei da grilagem de terras desmascara completamente a fachada de esquerda que é colocada sobre o PDT. A aprovação da grilagem de terras é uma tentativa antiga da direita no campo e do governo Bolsonaro que no ano passado tentou aprovar a Medida Provisória 910, que fundamentalmente tem as mesmas características do PL 2633/20. É a aprovação das medidas de Jair Bolsonaro para atacar os trabalhadores sem terra, indígenas e quilombolas, e a todo o patrimônio nacional de terras públicas que serão entregues aos latifundiários.

Esse projeto de lei terá consequências muito graves para a luta pela terra. Sabendo da legalização da grilagem e do aval do governo para atacar a luta pela terra, os latifundiários irão reforçar suas milícias de pistoleiros e de policiais para ameaçar e expulsar pequenos posseiros, comunidades tradicionais e aumentarão as invasões de terras indígenas, assentamentos rurais e unidades de conservação.

O resultado dessa lei será mais violência no campo com mortes, torturas e ameaças realizadas pelo latifúndio. Isso com total apoio do PDT, como vimos na aprovação da medida de urgência.

Um partido da direita

Ao contrário do que a imprensa e setores da esquerda frenteamplista dizem, o PDT não tem nenhum resquício de esquerda. O apoio ao latifúndio é apenas um aspecto que revela o lado do PDT: a direita.

Somam-se a isso as declarações de Ciro Gomes e de outras figuras importantes do PDT, além de votações que expõem ainda mais o partido, como o impeachment de Dilma Rousseff, quando apenas 6 deputados dos 18 na época votaram contra o golpe.

É preciso desmascarar o PDT e colocá-lo em seu devido lugar como partido golpista e que apenas faz oposição a Bolsonaro por questões eleitoreiras, mas na prática está com os golpistas.

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