Perdemos o espírito da época

Ao se conjecturar a análise política no cenário das primeiras eleições presidenciais pós 20 anos de ditadura militar, ou seja, o pleito de 1989 verificou-se a grande oportunidade que o Brasil perdeu para uma mudança profunda de suas estruturas carcomidas de nossa sociedade como um reencontro sincero de seu povo com sua historia

Ao se conjecturar a análise política no cenário das primeiras eleições presidenciais pós 20 anos de ditadura militar, ou seja, o pleito de 1989 verificou-se a grande oportunidade que o Brasil perdeu para uma mudança profunda de suas estruturas carcomidas de nossa sociedade como um reencontro sincero de seu povo com sua historia.

Em companhia do intelectual, professor Carlos Michiles, Ph.D. em Filosofia e grande brizolista, em uma análise conjuntural sob os paradigmas do pleito, se averiguam as digitais inexoráveis do regime ditatorial nos desígnios da nação.

Último herdeiro do Trabalhismo de Vargas e Jango, Brizola reencarnava a síntese da afronta às nossas elites, pois sua ascensão à Presidência da República simbolizava o grande reencontro da sociedade brasileira com o ideário deposto no golpe de 1964.

Brizola era o fio condutor que ligava o passado trabalhista a retomada da agenda reformista e desenvolvimentista, calçado no nacionalismo e na defesa de soberania nacional.

Arquitetado minuciosamente pelo grande ideólogo do golpe, Golbery do Couto e Silva, era de fundamental importância dividir o campo oposicionista e progressista.

Neste sentido, a legenda do PTB historicamente pertencente aos herdeiros legítimos do trabalhismo, não poderia ser de Brizola, uma vez que rememoraria a sociedade brasileira, o legado de conquistas sociais defendidos e executados pela legenda dos trabalhistas, e mais do que isso, era urgente se criar um partido divisionista no campo popular. Surge aí o PT do ABC Paulista.

A marcha da história caminhava para a grande conflagração revolucionária que mudaria as bases do Brasil, pois o projeto educacional de Brizola por meio dos Centros Integrados de Escolas Pública proporcionaria às gerações vindouras a grande oportunidade de uma afirmação social numa educação libertária.

Somando-se ao apaixonamento do debate político de 1989, com o papel desempenhado pelo PT como força divisionista apta a ser derrotada num segundo turno pelas forças políticas conservadoras, e com a massiva manipulação desempenhada pelo monopólio dos Marinhos do grupo Globo de Comunicação, Brizola não chega ao segundo turno por uma diferença ínfima de Lula, acarretando a vitória de Collor.

Ali, o Brasil perdia o espírito da época, pois não se construiu mais as condições para reformar o Brasil pela base, pela edificação de uma nova geração escolarizada em sua plenitude onde estaria condicionada a uma questão de Estado, de soberania nacional, libertária para o nosso povo.

Perdeu-se o bonde da história.

Continuamos no debate apequenado de nossa educação desonesta, de um país profundamente desigual, e de uma sociedade que não se reencontrou com sua própria historia.

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