Pobre país em que a mídia e o judiciário causam ódio e nojo

É duro, depois de dedicar boa parte da vida à luta por democracia, igualdade e justiça social ser levado à conclusão inexorável de que não existe mais justiça e que o monopólio que controla os meios de comunicação perdeu quaisquer escrúpulos e embarcou num vale-tudo contra os adversários políticos da Casa Grande

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Pobre país em que a mídia e o judiciário causam ódio e nojo (Foto: Esq.: Pedro de Oliveira - Alep)


Não há como não lembrar do célebre desabafo do Doutor Ulisses Guimarães, ao ser instado pela imprensa a comentar um dos incontáveis atentados do regime militar contra as liberdades e as garantias fundamentais : “Sinto ódio da ditadura. Ódio e nojo.”

No domingo, 8 de julho, ao fim da expectativa nervosa que opôs com impressionante nitidez o Brasil dos democratas, progressistas, legalistas e nacionalistas ao país dos golpistas, entreguistas, fascistas, larápios das riquezas nacionais e manipuladores da informação, um derradeiro sentimento assaltou-me antes de a adrenalina baixar e, finalmente, conseguir conciliar o sono: o ódio e o nojo que sinto pela mídia mafiosa e pelo sistema de justiça do meu país.

Desnecessário dizer que não cabe nenhum tipo de regozijo notar que esse sentimento faz morada no fundo da alma. Mas é impossível contê-lo. 

Até em solidariedade às vítimas da ditadura judicial-midiática que infelicita a pátria, me vejo cada vez mais distante, filosófica e politicamente, do conformismo cristão de oferecer a outra face para apanhar ou entregar tudo nas mãos de Deus.

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É duro, depois de dedicar boa parte da vida à luta por democracia, igualdade e justiça social ser levado à conclusão inexorável de que não existe mais justiça e que o monopólio que controla os meios de comunicação perdeu quaisquer escrúpulos e embarcou num vale-tudo contra os adversários políticos da Casa Grande. 

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É o uso escancarado e criminoso de uma concessão pública para servir à ditadura de novo tipo que se instalou na esteira do golpe de 2016.

A maior inimiga do Brasil e dos brasileiros, a Globo, se superou no 8 de julho. Durante praticamente o dia inteiro, os dublês de jornalistas e juristas canastrões cumpriram à risca seus papéis de militantes da causa do obscurantismo e das agressões à Constituição.

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Cada ilegalidade cometida pelo juiz fora da lei Sérgio Moro e os Gebrans e Thompsons Flores da vida era comemorada pelos serviçais incultos dos Marinho. Cabe observar que nem mesmo coravam de vergonha quando se aventuravam como analistas jurídicos. Como o que vale é mentir e distorcer para agradar seus patrões, esses profissionais jamais serão cobrados pelo volume impressionante de bobagens e disparates de natureza jurídica que despejaram durante a programação dominical.

E já que não há limite para a degradação do jornalismo, seguiram na mesma toada no curso da semana: o desembargador Favreto é suspeito porque no passado foi filiado ao PT, mas os vínculos públicos e notórios de Alexandre Moraes, Gilmar Mendes e Moro com o PSDB nunca foram vistos como problema ou motivo de impedimento. Desembargador de plantão não pode conceder habeas corpus, mas juízes e desembargadores de férias podem afrontar a Constituição à vontade.

O sistema de justiça e a mídia seguem em marcha batida para destruir a nação. A anarquia institucional já é realidade. Como pergunta o bravo jornalista Luis Nassif, quem será capaz de prender a besta que está à solta?

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Tomando emprestado uma expressão usada pelo meu falecido pai ante situações em que era preciso se antecipar à ação do inimigo, “precisamos almoçá-los, antes que eles nos jantem.”

 

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