Pobreza alcança 27,7 milhões de brasileiros

Uma recuperação econômica que se esquece da maior parte da população será mais lenta e com danos graves para todos

(Foto: Tomaz Silva/Ag.Brasil)
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Nestes últimos dias, nos deparamos com números que mostram o aumento da pobreza no Brasil, acima de índices pré-pandemia. Passando 23,1 milhões de pessoas, em 2019 (10,97% da população), e chegou a 27,7 milhões de pessoas (12,98%), em abril de 2021. Um dado que apenas comprova o que vivenciamos todos os dias, ao notar mais pessoas em situação de rua, maior desemprego, perda de renda e falta de amparo do Estado.

Os dados são da pesquisa "Desigualdade de impactos trabalhistas na pandemia", da Fundação Getulio Vargas (FGV-Social). O estudo registrou que a renda individual média do brasileiro, caiu 9,4% nesse período. Para a parcela mais pobre da população é pior, com queda de 21,5%.

Por outro lado, também foi divulgado 42 novos bilionários, em plena pandemia, fruto principalmente das atividades no mercado financeiro. 

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Voltamos aos tempos de alta concentração de riqueza e de um abismo enorme chamado desigualdade social. Com agravante de que os novos ricos não incluem seus ganhos na economia do país, mas em ações, sem gerar renda ou qualquer novo posto de trabalho.

Já setores como comércio, serviços, pequenos empresários e produtores não tiveram uma política de apoio robusta para que pudessem preservar renda e empregos durante a pandemia. As medidas provisórias quando chegaram, chegaram com atraso e se mostraram insuficientes para recuperar os danos, que já eram grandes.

Tudo isso impactou diretamente a maior parte da população, pois as pequenas e micro empresas empregam mais de 70% dos trabalhadores brasileiros. Uma parte enorme que sofre ainda com os altos índices de inflação, que já acumula quase 10% nos últimos 12 meses. Puxada pela alta de itens como gás de cozinha e alimentos, produtos de necessidade básica para os mais pobres. 

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Para se ter uma ideia, hoje, o valor da cesta básica consome 60% do salário mínimo, segundo o Dieese. Portanto, o trabalhador assalariado tem visto sua renda praticamente toda comprometida com alimentação. 

O auxílio emergencial de R$ 600, aprovado durante a pandemia pelo Congresso Nacional, mitigou os efeitos negativos, por conta do isolamento social. Mas o benefício direcionado aos mais vulneráveis foi interrompido por mais de quatro meses pelo Governo Federal, que quando resolveu retornar com o benefício, cortou o seu valor em mais da metade. 

Ao mesmo tempo, três milhões de brasileiros em situação de pobreza estão na fila de espera para ter acesso a benefícios previdenciários. Deste 1,2 milhão de pessoas esperam o Bolsa Família e 1,8 milhão aguardando aposentadoria ou pensão do INSS, inclusive o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado às pessoas com deficiência ou idosos pobres.

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E, apesar de anunciar aumento no valor do Bolsa Família, a equipe econômica do Governo manteve o mesmo recurso para o orçamento do programa previsto para o ano de 2022.

Um cenário desolador para quem tenta fugir da fome com os pagamentos desses benefícios. Inflação, pobreza e fome, problemas reais que saíram da pauta de quem está no poder. Temas que o ministro da Economia ignora completamente, isso quando não debocha desses assuntos. 

Uma recuperação econômica que se esquece da maior parte da população será mais lenta e com danos graves para todos.

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