Por que não Orlando Silva?

A questão central da disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados é enfrentar e, se possível, derrotar o bolsonarismo e seus candidatos. O petismo, principal força da oposição e maior bancada, deve abdicar de ter candidato para facilitar a unidade. Há uma boa hipótese de aliança que deveria ser conversada: o deputado Orlando Silva, do PCdoB

Por que não Orlando Silva?
Por que não Orlando Silva? (Foto: LUIS MACEDO - CÂMARA)

A questão central da disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados é enfrentar e, se possível, derrotar o bolsonarismo e seus candidatos.

O território principal dessa disputa, embora seja travada no parlamento, é na sociedade. O que está centralmente em jogo não é a conquista de espaços na instituição, embora esses tenham evidente importância, mas a construção de um força político-social, coesa e firme, para enfrentar o governo de extrema-direita em todos as frentes.

Por essa razão, as forças progressistas não podem se confundir e nem sequer flertar com candidaturas que prestam juras de lealdade a Bolsonaro e sua agenda, como é o caso de Rodrigo Maia (DEM) ou Fábio Ramalho (MDB).

Quem vota são os parlamentares, claro, mas os olhos e sentimentos dos deputados de esquerda e centro-esquerda deveriam estar colados à imensa militancia e ao eleitorado que formou a frente antifascista do segundo turno.

O deputado Marcelo Freixo já lançou seu nome. Tem toda a legitimidade e o prestígio para tanto, mas talvez seja demasiadamente à esquerda para ajudar na composição de uma frente que deve reunir PT, PSOL, PCdoB, PDT e PSB, além de outras legendas menores e dissidentes do campo conservador.

O petismo, principal força da oposição e maior bancada, deve abdicar de ter candidato para facilitar a unidade. Isso é o que banda o bom senso.

Há uma boa hipótese de aliança que deveria ser conversada: o deputado Orlando Silva, do PCdoB.

Parlamentar moderado, com conhecidas e amplas relações com as mais diversas correntes do parlamento, poderia ser a melhor alternativa da esquerda nesse momento. A opção mais competitiva para unificar radicalidade e amplitude.

Integrante de um partido com poucos deputados, um dos articuladores do bloquinho (aliança entre PDT, PSB e PCdoB), produziria menor rivalidade e concorrência entre os pares do campo progressista. Lembremos que Aldo Rebelo, então do mesmo partido que Orlando, já cumpriu essa missão, com sucesso, entre 2005 e 2006.

A candidatura de Orlando Silva poderia arrastar apoio suficiente para provocar um segundo turno e até mesmo para o antibolsonarismo estar presente nessa disputa final.

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